Luana Freire
Luana Freire
15 Set, 2023 - 11:49

Metade dos portugueses não dorme bem

Luana Freire

Os portugueses dormem mal, sofrem de insónia e de sonolência diurna, e procuram cada vez mais a ajuda de medicamentos.

Cerca de metade dos portugueses não dorme bem ou tem um sono insatisfatório. A conclusão é da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), que realizou um inquérito por meio da sua Comissão de Trabalho de Patologia Respiratória do Sono.

O questionário, feito online, procurou identificar os hábitos de sono da população em Portugal –  no total, 2184 respostas foram analisadas através da iniciativa.

Mais de metade dos portugueses diz não dormir bem

“A maioria dos inquiridos assume não dormir bem: 52% sente que raramente ou apenas às vezes dorme bem, 75% dorme menos de 7 horas e 19% dorme menos de 6 horas por noite”.

Informação publicada pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia

Também o impacto que os maus hábitos de sono têm no dia seguinte foram analisados: 24% das pessoas que responderam ao questionário afirmaram referem acordar “sempre ou frequentemente cansados” 51% referiu ter sonolência diurna excessiva.

Para a SPP, a prevalência de sintomas diurnos que resultam de um sono de má qualidade alerta para riscos reais sobre a produtividade e a cognição, além de afetar o desempenho laboral, social e familiar dos afetados. Mafalda van Zeller e Vânia Caldeira, médicas pneumologistas da SPP, consideram “ser de particular preocupação, o facto de 28% dos inquiridos reconhecer nunca ter procurado ajuda apesar de identificar queixas de sono”.

“(o sono) tem de ser uma prioridade na nossa agenda. É um dos pilares essenciais para a saúde física e mental”, afirmam as médicas, destacando que “é durante o sono que ocorrem processos essenciais, como a regulação da função do sistema imunitário, a consolidação de memórias e das aprendizagens, a regulação do humor e o controlo metabólico e do apetite”.

Os resultados obtidos nesta amostra permitem destacar, ainda, nuances importantes neste cenário, como o uso crescente de medicação e suplementação para dormir.

No que diz respeito às dificuldades relacionadas com o sono, as respostas ao questionário da SPP evidenciam que “22% das pessoas refere demorar mais de 30 minutos a adormecer, 44% refere já ter feito medicação para dormir e 12,5% faz medicação todos os dias para este efeito”.

É, ainda, de salientar que 17% dos inqueridos assumiram ter problemas de roncopatia.

O sono é essencial para a saúde

Reconhecendo o papel fundamental do sono, a SPP está a promover uma iniciativa para lidar com um conjunto de doenças que têm como fator de risco ou causa os distúrbios do sono. O objetivo é realizar um projeto de colaboração entre várias especialidades médicas, para além da Pneumologia, que é o foco da SPP.

Cardiologistas, endocrinologistas, psiquiatras, neurologistas, internistas, psicólogos, médicos de família e farmacêuticos juntam-se aos pneumologistas para dizer que o “sono é fundamental para a saúde” e alertam para questões relacionadas com o consumo de medicamentos para dormir.

A Associação Nacional de Farmácias também formalizou uma parceria com a SPP para produzir e divulgar uma série de materiais que visam sensibilizar a população – e a indústria farmacêutica – para as questões do sono e do seu impacto sobre a saúde da população.

De destacar que o o consumo de medicamentos e de outros suplementos para dormir tem vindo a aumentar em Portugal. A situação preocupa pneumologistas porque este hábito pode mascarar determinados problemas do sono mais graves, que devem ser acompanhados por médicos.

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