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Afonso Aguiar
Afonso Aguiar
09 Jan, 2020 - 15:34

10 mitos sobre carros elétricos que já não deviam existir

Afonso Aguiar

Estudos indicam que ainda há mitos sobre carros elétricos que continuam a circular e a diminuir a confiança dos consumidores. Vamos desmistificá-los.

estacionamento carros eletricos

Desde que a União Europeia e os governos nacionais europeus estabeleceram objetivos no sentido de diminuir a emissão de gases poluentes, a indústria automóvel teve de se reformular.

Nesse sentido, a introdução dos automóveis elétricos pode ser considerada fulcral e indispensável, principalmente porque esta preocupação também se repercute noutros cantos do mundo, como a China, os EUA e Brasil, grandes mercados automóveis.

Porém, várias são as reticências e os mitos sobre carros elétricos em que os consumidores acreditam. Alguns destes mitos chegaram a ser um facto mas, com o avanço tecnológico, já não o são. Exemplos disso são a pouca autonomia das baterias, ou o preço elevado dos automóveis elétricos.

Ainda assim, estudos mostram que os automóveis elétricos ainda não conquistaram a confiança de grande parte dos consumidores. Estas conclusões foram retiradas após um inquérito realizado a 2.000 condutores do Reino Unido com o intuito de explorar as opiniões acerca dos diferentes estilos de condução, das motorizações alternativas e dos preconceitos relativos às viaturas elétricas.

Segundo este estudo realizado pela Hyundai, um quinto dos proprietários de carros diesel ou a gasolina sentem-se preocupados com o facto de terem de conduzir um carro elétrico durante uma tempestade de relâmpagos e 22% admitiram não se sentirem seguros a carregar um veículo elétrico.

Além disso, cerca de 12% dos inquiridos assumiu sentir receio ou desconforto em carregar um telemóvel no automóvel elétrico.

Perante estes resultados, fomos tentar encontrar as explicações para não ter quaisquer motivos para desconfiar dos carros elétricos.

mitos sobre carros elétricos: 10 pensamentos que já não deveriam existir

Carregamentos de carros elétricos vão passar a ser pagos
Carro elétrico a carregar.

1. A autonomia é insuficiente

Inicialmente era um fator importante e que, muitas vezes, ficava a desejar. Porém, hoje em dia a maior parte dos veículos elétricos tem uma bateria com autonomia entre os 200 e os 300 quilómetros, sendo que é capaz de recarregá-la, na maior parte dos casos, em menos de 45 minutos através de sistemas fast-charge.

Além disso, alguns automóveis já mostram capacidade para circular mais de 500 quilómetros sem parar.

2. É difícil encontrar locais para carregamento

bmw i3 a carregar bateria

A realidade não é essa. Em 2018, em Portugal, havia cerca de 500 postos de carregamento. Já em dezembro de 2019, existem mais de 1000 postos no território continental português e cerca de 120 junto à fronteira com Espanha.

O crescimento mostra que cada vez há mais soluções para carregar a bateria.

3. Os automóveis elétricos são muito caros

É verdade que o preço de aquisição de um automóvel elétrico é superior ao preço de aquisição de um carro com motor a combustão.

Mas sendo que cada vez há cada vez mais automóveis elétricos, o seu custo de produção tenderá a diminuir, uma vez que as fabricantes vão começar a desenvolver formas de produção em massa mais baratas. Logo, o custo para o consumidor vai diminuir.

Além disso, os custos de manutenção são cerca de um terço dos custos nos automóveis movidos a combustível. A explicação é óbvia: o número de peças de um automóvel elétrico é substancialmente menor.

E para culminar, um automóvel a gasolina costuma ter um custo de cerca de 10 € por cada 100 quilómetros, nos casos a diesel costuma baixar para os 8€, enquanto num automóvel elétrico gasta apenas cerca de 2€ por cada 100 quilómetros.

4. São demasiado lentos

Os automóveis elétricos têm na verdade capacidade e força superiores daqueles movidos a combustíveis fósseis.

Aliás, em 2020, será lançado o novo automóvel mais potente de sempre: o Lotus Evija, com uma potência próxima dos 2 000 cavalos.

5. É perigoso conduzir enquanto lava o carro ou durante uma tempestade de relâmpagos

É um dado adquirido que não se deve misturar eletricidade e água.

Porém, tal como os carros movidos a combustível têm também uma bateria e são seguros para circular durante tempestades de relâmpagos, os automóveis elétricos estão muito bem protegidos e isolados, não acarretando assim qualquer risco extra a conduzir em condições adversas.

6. Existem poucos modelos disponíveis no mercado

Peugeot 208

O mercado de automóveis elétricos tem aumentado exponencialmente. A quantidade de opções elétrica, híbridas e híbridas plug-in no mercado é vasta e há para todas as necessidades e custos.

Desde SUV’s a sedans e, mais recentemente, até automóveis de segmento B – pequenos citadinos, como o caso do novo Peugeot e-208 ou do novo Opel Corsa.

7. As baterias das viaturas elétricas aumentam a crise dos aterros

Na realidade, tal como as baterias das viaturas diesel ou gasolina, as baterias de um automóvel elétrico podem ser recicladas.

Aliás, as células de viaturas elétricas podem ser usadas para armazenar a energia solar e eólica, ou podem ainda ser desmanteladas e os seus elementos mais valiosos reutilizados.

8. A segurança é menor

Quando foram lançadas viaturas a gás (GPL) criou-se o boato de que estas eram facilmente inflamáveis, embora nada o comprovasse na verdade.

Com os automóveis elétricos, a segurança do condutor é colocada em causa. É um padrão recorrente, apontar defeitos a tudo o que é novo, isto porque há uma certa resistência à inovação em todas as sociedades.

Porém, os automóveis elétricos passam pelos mesmos testes e têm de cumprir os mesmos padrões de segurança exigidos às viaturas a diesel ou gasolina, oferecendo em alguns casos uma maior resistência em casos de embate lateral, fruto da colocação das baterias junto ao chassis do automóvel.

9. É mais complicado pedir ajuda em casos de urgência

O sistema de um automóvel elétrico tem menos peças e, portanto, menos propenso a ter avarias, mas ainda assim, nem todas as oficinas locais estão adaptadas a reparar carros elétricos.

Por outro lado, cada vez mais as marcas e reparadoras oficiais já estão preparados para assistir viaturas elétricas e têm inclusive serviços dedicados, podendo reparar a sua viatura no menor tempo possível.

10. As viatura elétricas não têm performance

Porsche Taycan

Há um mito de que a viatura elétrica, fruto do seu peso, tem uma performance inferior a um carro a combustão.

Tal não poderia ser mais falso pois a partir do momento em que carregar no acelerador, os motores elétricos disponibilizam o binário máximo. Característica que faz com que o Tesla Model S, por exemplo, consiga acelerar dos 0 aos 100km/h em menos de 3 segundos, e com que o Porsche Taycan tenha completado uma volta ao circuito de Nurburgring 07:42:00.

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