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Elsa Santos
Elsa Santos Com: Viviane Soares
14 Jul, 2021 - 17:16

Modelo híbrido de trabalho: está Portugal preparado para o futuro?

Elsa Santos Com: Viviane Soares

Será o modelo híbrido de trabalho uma tendência para o futuro? Estarão as empresas e os trabalhadores preparados para este modelo?

Modelo híbrido de trabalho

Por causa da pandemia, muitas empresas e trabalhadores viram-se obrigados a adotar novos modelos laborais, tendo em vista não só a sobrevivência das próprias empresas, mas também a necessidade de continuar a garantir os postos de trabalho. Algumas organizações adotaram, em exclusivo, o modelo de teletrabalho, outras o trabalho presencial por turnos e outras ainda, o modelo híbrido de trabalho.

Se, inicialmente, houve um esforço considerável por parte das empresas e trabalhadores para se adaptarem a cada um destes “novos” modelos laborais, a verdade é o processo acabou por se instalar relativamente rápido. Ainda não sabemos com que custos, mas já há quem lhe chame uma revolução laboral.

Sobre a possibilidade de dar continuidade a estes modelos, no período pós-pandemia, só o futuro o dirá. Porém, já há estudos que indicam que contribuíram, por exemplo, para um aumento dos índices de produtividade dos trabalhadores e até para uma melhoria das relações laborais.

Mas se há quem seja apologista de um modelo híbrido de trabalho, também há quem não concorde, em absoluto. Isto porque se considera que a alta produtividade está, no fundo, a esconder trabalhadores exaustos e sem qualquer noção de horário de trabalho.

Vejamos, então, em que consiste o modelo híbrido de trabalho e qual poderá ser o seu impacto no futuro do trabalho em Portugal.

Pandemia e teletrabalho: o início de uma ainda maior revolução laboral?

A globalização e a revolução digital já previam uma mudança profunda na organização e modelos de trabalho. Porém, esta tendência foi acelerada abruptamente pela COVID-19 e pela obrigatoriedade de confinamento.

Em alguns casos, o teletrabalho foi a alternativa possível ao trabalho presencial, alterando as rotinas de milhões de trabalhadores, líderes e organizações um pouco por todo o mundo. Uma adaptação relativa e necessariamente rápida, dado o contexto.

Em Portugal, e apesar de o teletrabalho já não ser obrigatório nos concelhos que não estão em risco elevado e muito elevado, muitos são ainda os portugueses que permanecem em trabalho remoto, com idas ao escritório para reuniões, formação ou alguns dias por semana para trabalho presencial.

Se a COVID-19 se tornar endémica, é possível que este modelo híbrido de trabalho se mantenha no futuro. Porém, esta pode ser apenas a ponta do iceberg no que toca a transformações no mercado de trabalho. Da transformação digital à necessidade de revisão de competências, mas também dos direitos e deveres dos trabalhadores, acreditamos que este pode ser um ponto de viragem na organização laboral.

Ilustração de um planeta interligado digitalmente

Modelo híbrido de trabalho: em que consiste

O modelo híbrido de trabalho, como o nome indica, permite aos colaboradores de uma empresa dividirem o seu horário semanal entre trabalho a distância e trabalho presencial.

Para a Microsoft , por exemplo, empresa que emprega mais de 160 mil trabalhadores em todo o mundo, o modelo híbrido de trabalho é “inevitável”. A gigante norte-americana acredita que este novo modelo é fundamental para atrair e reter talentos, como refere num artigo publicado na sua página oficial.

Especialmente sensível e aberta a esta revolução laboral, e no sentido de ajudar outras empresas, a tecnológica apresentou, recentemente, o “2021 Work Trend Index“, um estudo que contou com a participação de mais de 30 mil especialistas, CEOs e trabalhadores em 31 países.

Entre as principais conclusões, destaca-se a certeza de que o teletrabalho e o modelo híbrido de trabalho vieram para ficar e que este pode ser uma excelente oportunidade para ativar a economia mundial em muitos setores. A empresa acredita ainda que pode contribuir para o surgimento de novas profissões e para o desenvolvimento de novas competências, se os setores sociais, financeiros e laborais trabalharem em conjunto.

A flexibilidade e a autonomia estão entre as skills mais relevantes desta nova era laboral e isso aplica-se, inclusivamente, à gestão do tempo profissional e pessoal que cada trabalhador pode fazer, sem estar condicionado diariamente pelo espaço, por tarefas específicas e pelo tempo (e quanto poderíamos aqui falar sobre esta “nova” noção de tempo no trabalho…)

A importância da vida pessoal e familiar de cada colaborador também ganha uma dimensão sem precedentes e isso reflete-se na produtividade, bem-estar e saúde dos trabalhadores. As empresas acreditam que, por todas estas razões, podem colher muitos frutos deste modelo híbrido de trabalho.

O que dizem os estudos

Se estiver interessado no assunto, aconselhamos a leitura de um estudo recente da PWC sobre o modelo híbrido de trabalho. A consultora acredita que a tendência passa mesmo por adotar soluções de trabalho híbridas, conciliando numa mesma semana de trabalho, o trabalho remoto e o trabalho presencial.

Também um relatório da AON Portugal, publicado em janeiro de 2021 e que contou com a participação de 156 empresas, das quais 58,82% portuguesas, revela que, no período pós-pandemia, as empresas perspetivam disponibilizar soluções híbridas de trabalho, com 34% das empresas a apontar para três dias de teletrabalho, seguidas de outras que preferem aplicar cinco dias (24%), dois dias (23%), um dia (13%), e quatro dias (6%).

4 fatores fundamentais no modelo híbrido de trabalho

1

A confiança nas pessoas

Na base de qualquer modelo laboral estão as pessoas, os trabalhadores. Este modelo híbrido de trabalho pretende promover a flexibilidade, promover o pensamento crítico, potenciar o talento… Mas, serão estes fatores diferentes daqueles que já se pretendem promover no trabalho presencial?

Pensamos que o que está em causa possa ser, sobretudo, o fator motivacional, mas também um modelo de trabalho baseado na confiança, na responsabilização e na autonomia (ainda que relativa) das pessoas.

2

As metodologias de trabalho e de gestão

Neste modelo híbrido de trabalho devem ser implementadas novas práticas e metodologias de trabalho e de gestão que incentivem o brainstorming, a experimentação, o think tank, uma colaboração e partilha mais ativas.

3

Os espaços de trabalho

O novo modelo híbrido de trabalho exige uma adaptação dos espaços de trabalho, seja no trabalho presencial, seja no trabalho remoto. Se promover a produtividade é uma prioridade, também é necessário dar condições para tal.

3

E claro, a tecnologia

Promover a literacia digital, capacitar os trabalhadores com as ferramentas necessárias para uma melhor comunicação e transparência no trabalho, mas também garantir a segurança de dados e de informação privilegiada para o negócio.

Principais vantagens do modelo híbrido de trabalho

O modelo híbrido de trabalho (remoto e presencial) apresenta vantagens para trabalhadores e empresas/organizações.

Há, desde logo, a redução de custos, nomeadamente para o trabalhador que não precisa de se deslocar diariamente. Depois, é promovido o bem-estar e redução de stress, mais difícil de controlar e gerir em contexto permanentemente presencial.

A flexibilidade, responsabilização, autonomia e confiança são outros valores que ganham especial relevância com este novo modelo que permite ao trabalhador fazer uma melhor gestão da vida profissional e pessoal/familiar.

Do lado das empresas, e além do fator motivacional, o potencial de poupança deste modelo de trabalho também pode ser significativo. Referimo-nos, por exemplo, a custos com rendas (uma vez que escritórios de grandes dimensões podem passar a ser espaços mais contidos), custos operacionais e outras despesas associadas ao trabalho presencial.

Será o futuro híbrido?

O trabalho não presencial e sem fronteiras talvez seja o futuro para as profissões que têm como base o digital.

O modelo híbrido de trabalho, necessariamente mais criativo e cooperativo, adapta-se às novas exigências, quer do mercado, quer dos trabalhadores. No entanto, prevêem-se vários desafios para líderes e equipas neste futuro já tão próximo. Será o futuro do trabalho híbrido?

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