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Clara Cardoso Barreiros
Clara Cardoso Barreiros
07 Mar, 2019 - 13:05

6 grandes obras da literatura escritas por mulheres

Clara Cardoso Barreiros

Recomendamos algumas grandes obras da literatura escritas por mulheres que tem de ter na estante e junto ao coração. Saiba quais!

6 grandes obras da literatura escritas por mulheres

Há livros fantásticos de todos os quadrantes da sociedade, de vários estilos e temáticas. Hoje focamo-nos nas grandes obras da literatura escritas por mulheres. Mais precisamente em seis, todas muito diferentes entre si. Está pronto para as conhecer?

6 Fabulosas obras da literatura escritas por mulheres

1. Mataram a Cotovia (Harper Lee)

Publicado em 1960 e vencedor do Prémio Pulitzer de 1961, “Mataram a Cotovia” conta a história de uma rapariga que cresce numa sociedade racista, numa pequena cidade do Alabama e em plena Grande Depressão. Jean Louise (ou Scout), a tal menina, e o irmão Jeremy (ou Jem) são criados pelo seu pai viúvo, Atticus Finch, um advogado de meia-idade.

Certo dia, um juíz nomeia Atticus para ser advogado de defesa de um afro-americano acusado de ter violado uma jovem branca. No decorrer do processo, toda a família Finch é assediada pela comunidade – branca, entenda-se –, transparecendo uma situação de injustiça profunda, em que se faz equivaler culpa, má índole e crime à cor de pele de um indivíduo.

Pelo facto de ser uma temática cada vez mais discutida de forma aberta nos últimos tempos, esta é uma das grandes obras da literatura escritas por mulheres para ler, reler, refletir e discutir.

 

2. O Feiticeiro e a Sombra (Ursula K. Le Guin)

“O Feiticeiro e a Sombra” é o primeiro de vários livros do universo Earthsea/Terramar, e é considerado um dos grandes clássicos da literatura fantástica.

O protagonista é Ged, um jovem feiticeiro arrogante, imaturo e precipitado, que num momento de sobranceria usa a magia de forma perigosa, libertando sem querer uma Sombra nefasta no mundo. A Sombra torna-se a sua própria sombra, perseguindo-o por onde quer que passe.

Em Terramar, os nomes – os verdadeiros nomes – são de importância fulcral. Se se souber o nome verdadeiro de alguém, ou de algum fenómeno, tem-se um ascendente sobre essa mesma entidade. Por isso, Ged faz em descobrir o verdadeiro nome da Sombra a sua grande missão.

Apesar de ser um livro de fantasia, Le Guin consegue ir mais fundo e abordar temas sobre equilíbrio, a interdependência entre luz e sombra, vida e morte, e de como, para sermos unos connosco próprios, aceitar o nosso lado mais sombrio e grosseiro.

 

3. Mrs Dalloway (Virgina Wolf)

Numa manhã de verão, a socialite londrina Clarissa Dalloway sai à rua para comprar flores para a festa que vai dar em sua casa nessa noite. Nisto, ela recebe a visita inusitada de Peter Walsh, um amor da sua adolescência, que lhe provoca um turbilhão de memórias. Paralelamente, num outro ponto de Londres, está Septimus Warren Smith, um veterano da Primeira Guerra Mundial que sofre frequentemente de alucinações de tempos passados – especialmente relacionadas com o seu grande amigo Evans.

“Mrs Dalloway” é um dos romances mais famosos de Wolf e, merecidamente, uma das obras mais importantes do certame literário escritas por mulheres. Foi publicado pela primeira vez em 1925 e aborda temas existenciais, a psiquiatria (e a falta de compreensão e empatia dos médicos face ao sofrimento dos pacientes) e a homossexualidade.

 

4. Frankenstein (Mary Shelley)

“Frankenstein ou o Prometeu Moderno” foi escrito por Mary Shelley, tinha esta ainda 19 anos de idade (1817)! Normalmente, a edição que se tem em consideração como o manuscrito final é a terceira, publicada em 1831. Este romance de terror é considerado a primeira obra de ficção científica da história, um marco indelével na literatura mundial e uma das maiores obras da literatura escritas por mulheres.

Victor Frankenstein era um sujeito curioso e auto-didata, fascinado pelas ciências naturais e apaixonado pela alquimia, com uma obsessão pela vida e pela sua criação. Durante mais de dois anos, dedica-se exclusivamente à sua obra, mas o humanóide que gera causa-lhe repulsa e ele acaba por abandoná-lo. No entanto, a criatura sobrevive e depressa se apercebe que não é bem vinda junto dos humanos, o que a amargura. Por isso, urde um plano para chamar a atenção do seu criador e poder chantageá-lo: ou este lhe cria uma companheira ou irá sofrer tormentos horríveis até à sua morte.

 

5. Persépolis (Marjane Satrapi)

“Persépolis” é uma banda desenhada autobiográfica de Marjane Satrapi e retrata o seu processo de amadurecimento, de uma forma muito própria, com momentos de inocência e pureza e com outros de humor cáustico.

A história abre com Marjane, ou Marji, uma menina de 10 anos na altura da Revolução Iraniana de 1979, a mesma revolução que colocou os conservadores religiosos no poder. O relato termina em 1994, quando Marji decide divorciar-se do marido e voltar a viver na Europa. Pelo meio, passou a sua infância no Irão, a adolescência e faculdade na Europa, o regresso ao Irão, o casamento e, finalmente, o retorno ao Ocidente. Independentemente de quem ela era e de quem ela se tornou, Marji numa coisa se manteve constante: o seu espírito rebelde.

 

6. O Anel dos Löwenskölds (Selma Lagerlöf)

Este livro é o primeiro de uma trilogia dedicada a este anel maldito e pretende emular a tradição oral das histórias contadas à volta da fogueira, com uma moralidade subentendida. É, por isso, de leitura muito fluída.

O General Löwenskölds foi em tempos um grande senhor de guerra, tendo sido agraciado pelo próprio rei com um anel valiosíssimo. Foi, por isso, seu desejo que, quando morresse, o anel fosse enterrado com ele. Assim foi durante anos, até porque a população que havia “endeusado” o General acreditava que com o mau génio que ele tinha em vida faria miserável a existência a quem quer que lhe roubasse o anel. Ora, certo dia, um casal de lavradores acaba por ceder à tentação e a partir daí é só desgraças.

 

Bem, o texto já vai longo e ainda há muitas grandes obras da literatura escritas por mulheres ainda maiores que ficaram por mencionar… Terá que ficar para uma próxima, caro leitor.

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