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Afonso Aguiar
Afonso Aguiar
30 Out, 2020 - 21:03

Projeto Zeus: Jaguar Land Rover entra na luta pelas Fuel Cell

Afonso Aguiar

Concecionalmente mais antigas que o carro, as Fuel-Cell ganham uma nova esperança na vida dos automóveis, com a criação do projeto Zeus da Jaguar Land Rover.

Land Rover Defender

O futuro dos automóveis passa pela eletricidade. Hoje em dia é cada vez mais notório e mais indiscutível. No entanto, a escassez de recursos naturais para fabricar baterias, assim como a pouca autonomia que os automóveis elétricos têm, podem limitar o desenvolvimento dos carros movidos a eletricidade.

É nesse sentido que se torna imperativo inovar, procurar, criar. O uso das Fuel-Cell, ou pilhas de combustível, recorrendo ao hidrogénio como fonte de criação elétrica é algo que, concecionalmente, está previsto antes mesmo da criação do próprio carro. Porém, só nos últimos anos tem sido alvo de verdadeiro debate e investimento, pelo menos na vida da indústria automóvel.

Até agora, o este asiático, com a japonesa Toyota e a sul-coreana Hyundai como principais vanguardistas, parecia sozinho na luta pela implementação das Fuel-Cell nos carros. Mas, pelos vistos, o governo britânico está interessado numa “economia verde” no mundo automóvel. Por isso, criou um fundo de desenvolvimento de tecnologias “verdes” no valor de 73.5 Milhões de libras (mais 80 milhões de euros).

Entre as quais, encontra-se o projeto Zeus, liderado pela Jaguar Land Rover e que tem, como objetivo, o uso do hidrogénio como fonte de criação de energia elétrica através de células de combustíveis (Fuel Cell).

Projeto Zeus: o que é?

carro a hidrogénio

Apesar da notícia do próprio governo britânico, pouco se sabe ainda sobre o já badalado Projeto Zeus. É oficial que o objetivo passa por utilizar o hidrogénio como fonte de criação de energia elérica, poupando assim vida às baterias e aumentando a autonomia dos automóveis elétricos. Também é de conhecimento público que a Jaguar Land Rover lidera este projeto, tendo como parceiras a Delta Motorsport, Marelli Automotive Systems UK e UKBIC (The UK Battery Industrialization Center), empresas que já desenvolveram com sucesso componentes para energia alternativa Fuel-Cell.

Além disso, também se sabe que a Jaguar Land Rover vai implementar este método alternativo num dos seus futuros SUV. No entanto, não há certezas ainda se pertencerá à sua marca Jaguar Land Rover ou somente Jaguar. Mas a garantia está dada. A marca britânica pretende eletrificar os seus modelos com base no hidrogénio.

Portanto, o conhecimento deste projeto provem daquilo que já sabemos sobre as Fuel-Cell e o uso do hidrogénio.

Afinal como funcionam automóveis com Fuel-Cell?

carro a hidrogénio

Conhecidos como veículos FCEV (Fuel Cell Electrical Veicule), os automóveis com as ditas Fuel-Cell são veículos elétricos. No entanto, em vez de ser necessário reabastecer as baterias ao fim de poucas centenas de quilómetros, estas são recarregadas automaticamente através da reação química entre hidrogénio e oxigénio.

Ou seja, é a mistura do hidrogénio com oxigénio e subsequentemente a capacidade de recarregar a bateria que diferenciam os FCEV dos restantes veículos elétricos.

Essa mistura ocorre no interior de uma unidade metálica polarizada (uma pilha, sendo daí também proveniente a alcunha “pilha de combustível”), onde, em ambiente distintos, circulam o hidrogénio e o oxigénio (do ar).

Nessa pilha, o hidrogénio insere-se no elétrodo negativo (Ânodo) e o oxigénio ao elétrodo positivo (cátodo). Através de uma membrana de polímero (eletrólito), os eletrões libertados do hidrogénio passam dos elétrodos negativos para os elétrodos positivos. Como esta membrana só conduz iões carregados positivamente e bloqueia os eletrões, acaba por gerar eletricidade.

Deste modo, os eletrões do hidrogénio são convertidos em iões de hidrogénio, que se movem para o lado positivo, enquanto no catalisador do elétrodo positivo, o oxigénio, os iões de hidrogénio e os eletrões combinam-se para formar água.

Vantagens e desvantagens de um carro Fuel Cell

A grande vantagem de um automóvel Fuel Cell é a autonomia da bateria. Dependendo da capacidade de armazenamento de hidrogénio, pode ultrapassar facilmente os 700 quilómetros. Também o abastecimento é potenciado. Ao contrário dos automóveis elétricos, que necessitam de pelo menos meia hora, geralmente, para abastecer o suficiente para poder prosseguir viagem à vontade, os veículos Fuel Cell demoram uma média de três a cinco minutos a abastecer.

Porém, há duas grandes desvantagens: primeiro é necessário começar a investir numa rede de abastecimento a hidrogénio, algo que ainda não existe na maior parte da Europa, na qual se insere Portugal. Depois, dada a escassez de automóveis do género, o preço está neste momento inflacionado.

Apesar de em Portugal ainda não existir nenhum automóvel a hidrogénio, o Toyota Mirai e o Hyundai Nexu já circulam na Europa.

O primeiro tem cerca de 160 cv (120kw), um binário de 325 Nm, é capaz de ir dos 0 aos 100 km/h em 9,2 segundos e tem uma velocidade limitada de 180 km/h. Com cerca de 700 quilómetros de autonomia tem um custo de 69 mil euros, em Espanha.

Já o Hyundai Nexu é ligeiramente menos potente (114 kw), com um binário de de 335 Nm e também com uma velocidade limitada de 180 km/h, atingindo no entanto os 100 km/h 0.2 segundos mais rápido. A autonomia é de 550 km. No entanto, este modelo ainda não tem tanta presença na Europa, sendo que existe uma frota de táxis em Paris só com modelos Hyundai Nexu, mas os valores dos mesmos ainda não foram conhecidos.

Para finalizar, os maiores receios destes modelos estão relacionados com a segurança. Porém, tal como o GPL e o GNV, o hidrogénio pressionado não aparenta acarretar maiores riscos do que combustíveis fósseis como a gasolina e o gasóleo.

Resumindo, o hidrogénio está a chegar como alternativa elétrica aos modelos elétricos atuais. Porém, falta saber quando conseguirá impor-se no mercado de forma sustentável, prática e eficaz. A Hyundai e a Toyota lançara o repto, a Honda já tinha respondido. Agora, chegou a vez dos britânicos da Jaguar Land Rover responderem.

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