Cláudia Pereira
Cláudia Pereira
01 Jul, 2026 - 16:00

Radares em Portugal: PSP deixa de avisar onde vai fiscalizar

Cláudia Pereira

PSP deixou de avisar onde coloca radares em Portugal desde maio de 2026. Saiba o que mudou, porquê e quanto pode custar ser multado sem saber.

Durante anos, bastava consultar as redes sociais da PSP no início do mês para saber exatamente onde e quando ia haver radares. Desde maio de 2026, a PSP deixou de divulgar a lista com os locais e horários da fiscalização de velocidade, pondo fim a uma prática que durou vários anos.

A decisão partiu do Ministério da Administração Interna e marca uma mudança de estratégia clara: a fiscalização passa a ser permanente e imprevisível, em vez de concentrada nos troços que os condutores já conheciam de cor. Para quem confiava na lista mensal para desacelerar só nos locais assinalados, a mudança tem um efeito direto na carteira.

Este artigo explica o que mudou, porque decidiu o Governo acabar com o aviso prévio e como se pode proteger de uma multa inesperada agora que a lista oficial desapareceu.

O que mudou: fim da campanha “Quem o avisa…”

Durante vários anos, a PSP publicou mensalmente, logo no início de cada mês, os dias, horas e locais onde ia reforçar a fiscalização de velocidade, a conhecida campanha “Quem o avisa…”. A informação era partilhada nas redes sociais oficiais da polícia e tornou-se uma referência para milhares de condutores em Portugal.

Em maio de 2026, essa divulgação parou. Questionada sobre o motivo, a PSP confirmou que a alteração se insere num “processo de ajustamento da estratégia de comunicação associada às ações de fiscalização rodoviária“, com o objetivo de reforçar a eficácia preventiva e dissuasora da fiscalização de velocidade. Por outras palavras: a polícia quer que os condutores cumpram os limites em todo o lado, não só nos troços que sabiam de antemão que estariam vigiados.

Porque decidiu o Governo acabar com o aviso prévio

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, já tinha alertado em abril para o aumento da sinistralidade rodoviária verificado na Páscoa e no primeiro trimestre de 2026, prometendo que o executivo seria “implacável” com comportamentos de risco na estrada. Nesse mesmo anúncio, o Governo confirmou o fim do aviso prévio também para as operações stop das forças de segurança.

O fim da lista de radares surge, assim, como uma das primeiras medidas concretas dessa nova estratégia. Segundo a PSP, o objetivo é contribuir para “um comportamento mais consistente de cumprimento das regras de trânsito por parte dos condutores, e não apenas em locais previamente identificados”. A polícia deixou claro que os radares não desapareceram, continuam a operar em todo o território, só que agora sem aviso.

Radares fixos continuam sinalizados, só os móveis deixam de ser anunciados

É importante não confundir os dois sistemas. Os radares fixos, integrados no Sistema Nacional de Controlo de Velocidade (SINCRO), continuam obrigatoriamente sinalizados na via, com os sinais H43 (velocidade instantânea) ou H42 (velocidade média). Nada muda aqui, a lei continua a exigir essa sinalização física, independentemente de a PSP publicar ou não listas nas redes sociais.

O que desapareceu foi apenas a divulgação prévia dos radares móveis, os que a PSP monta em tripés, bermas ou viaturas descaracterizadas. Estes nunca tiveram enquadramento legal que obrigasse à sua sinalização, mas até maio de 2026 a PSP anunciava, por transparência, onde iam estar.

Quanto pode custar ser apanhado de surpresa

O valor da coima continua a seguir o artigo 27.º do Código da Estrada, atualizado pela Lei n.º 24/2025. Para automóveis ligeiros e motociclos, dentro de localidades, exceder até 20 km/h custa entre 60€ e 300€. Entre 20 e 40 km/h a mais, a coima sobe para 120€ a 600€. Passar os 40 km/h de excesso já implica 300€ a 1.500€, e acima dos 60 km/h a moldura chega aos 500€ a 2.500€, com inibição de conduzir entre dois meses e dois anos e perda de quatro pontos na carta.

Sem a lista mensal como rede de segurança, o risco de cair numa destas faixas por desatenção aumenta e a conta final costuma ser mais alta do que o valor da coima, porque a perda de pontos e o eventual agravamento do seguro automóvel também pesam no orçamento.

Como se proteger agora que não há lista oficial

A informação sobre radares não desapareceu por completo, apenas deixou de ser oficial. Continua a circular em aplicações como o Waze, onde outros condutores reportam radares em tempo real, e em grupos de WhatsApp de comunidades locais. Nenhuma destas fontes é garantida nem substitui o cumprimento dos limites de velocidade.

A estratégia mais segura, e também a mais barata, é tratar toda a estrada como potencialmente fiscalizada, não apenas os troços que antes constavam da lista da PSP. Manter uma velocidade constante e adequada à via, redobrar a atenção em zonas com histórico de acidentes e evitar acelerações bruscas depois de passar um radar continuam a ser as regras que realmente evitam multas, com ou sem aviso prévio.

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