Ekonomista
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09 Jul, 2026 - 10:00

Rentabilidade do Arrendamento cai para 6,2%: Castelo Branco e Vila Real lideram o ranking

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A rentabilidade do arrendamento em Portugal caiu para 6,2% no 2.º trimestre de 2026. Sabe que cidades ainda compensam e porque é que o negócio rende menos.

Comprar casa para colocar no mercado de arrendamento está a render menos. No segundo trimestre de 2026, a rentabilidade bruta deste tipo de investimento fixou-se em 6,2%, uma queda de 0,7 pontos percentuais face ao mesmo período de 2025, quando o retorno chegava aos 6,9%. Os dados são do idealista.

A queda acentua-se quando o termo de comparação recua mais um ano: face ao segundo trimestre de 2024, a diferença já vai em 1 ponto percentual (7,2% para 6,2%). A explicação não tem mistério, pois, os preços de venda das casas continuam a subir a um ritmo superior ao das rendas pedidas pelos senhorios. E como a rentabilidade bruta resulta precisamente da divisão entre os dois valores, o resultado final encolhe.

Para quem já pondera investir, isto significa um negócio menos rentável, mas também menos arriscado: regra geral, quanto menor o retorno, menor o risco associado.

Uma descida que se repete trimestre após trimestre

O valor atual é a continuação de uma trajetória que já vem do final de 2025, quando a rentabilidade estava nos 6,5%, e do primeiro trimestre de 2026, com 6,3%.

Para chegar a este número, divide-se o preço de venda de um imóvel pelo valor da renda pedida pelo proprietário, no mesmo mercado e no mesmo trimestre. É, por isso, uma rentabilidade bruta, calculada antes de impostos, IMI, condomínio, obras ou períodos sem inquilino. A rentabilidade líquida fica sempre abaixo deste valor, depois de descontadas essas despesas.

Castelo Branco e Vila Real à frente do investimento em arrendamento

Nem todo o país perde rentabilidade ao mesmo ritmo. Castelo Branco e Vila Real lideram o ranking das capitais de distrito, ambas com um retorno de 8,1%, quase o dobro do valor registado em Lisboa.

Segue-se Bragança, com 7,6%, e depois um grupo de cidades entre os 6% e os 6,6%: Santarém (6,6%), Coimbra (6,4%) e Leiria (6%). Évora (5,7%), Ponta Delgada (5,6%), Setúbal (5,4%) e Braga (5,3%) completam a lista das que superam a média nacional.

Mas um retorno mais alto costuma andar de mãos dadas com maior risco. Nestas cidades do interior, o mercado de arrendamento é mais pequeno, o que pode significar mais tempo à espera de um inquilino, ou menor procura no dia de vender o imóvel.

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Rentabilidade do Arrendamento por Cidade (2.º Trimestre de 2026)

Capital de distrito / Região AutónomaVenda (€/m²)Arrendamento (€/m²)Rentabilidade 2T 2026
Castelo Branco1.0947,48,1%
Vila Real1.50310,28,1%
Bragança1.1847,57,6%
Santarém1.7969,86,6%
Coimbra2.44913,06,4%
Leiria1.8629,36%
Évora2.66312,75,7%
Ponta Delgada2.39311,15,6%
Setúbal3.14314,15,4%
Braga2.27610,15,3%
Funchal3.92116,85,2%
Aveiro2.79211,65%
Viseu1.8557,75%
Faro3.76615,24,8%
Porto4.05316,44,8%
Lisboa6.10721,84,3%
Fonte: idealista, dados do 2.º trimestre de 2026. Rentabilidade bruta, calculada antes de impostos e despesas.

Esta tabela ajuda a perceber porque é que Lisboa rende tão pouco: o preço de venda por metro quadrado (6.107 €) é mais do que o quíntuplo do de Castelo Branco (1.094 €), mas a renda mensal por metro quadrado não acompanha essa proporção — fica-se pelos 21,8 €, menos de três vezes o valor de Castelo Branco (7,4 €).

Lisboa continua a ser a cidade menos rentável

No extremo oposto está Lisboa, com uma rentabilidade de apenas 4,3%, a mais baixa do país. Faro e Porto seguem-se com 4,8%, e Funchal, Aveiro e Viseu ficam-se pelos 5% ou 5,2%.

A razão está na disparidade entre preços e rendas: quem compra na capital paga muito mais por metro quadrado do que aquilo que consegue recuperar todos os meses em renda. É um mercado onde o retorno é mais baixo, mas onde também é mais fácil encontrar inquilino e vender o imóvel, se for preciso.

Escritórios e lojas rendem mais do que a habitação

Fora do segmento residencial, o panorama muda. Os escritórios oferecem uma rentabilidade de 7,8%, as lojas chegam aos 8% e as garagens ficam-se pelos 5,1%.

Para quem procura rendimento e está disposto a sair da habitação tradicional, o imobiliário comercial continua a compensar mais, ainda que exija outro conhecimento de mercado e, normalmente, um capital inicial mais elevado.

A tendência de descida da rentabilidade não parece travar-se tão cedo. Enquanto os preços das casas subirem mais depressa do que as rendas, o retorno bruto do arrendamento vai continuar a apertar e quem pondera comprar para investir tem de fazer as contas com atenção redobrada, cidade a cidade.

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