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Um guia para tempos complicados
Inês Silva
Inês Silva
21 Jan, 2021 - 13:14

Requalificação profissional: o futuro do mercado de trabalho

Inês Silva

A requalificação profissional, mais do que uma opção pessoal, é cada vez mais uma necessidade exigida pelo mercado de trabalho.

requalificação profissional

Já todos ouvimos falar de como o desenvolvimento tecnológico e o surgimento de novas formas de automação vão acabar, ou já acabaram, com um determinado número de profissões e vão alterar significativamente o contexto de outras. Assim, a requalificação profissional torna-se, assim, uma necessidade.

Também é igualmente verdadeiro que muitas outras profissões vão ser criadas para responder às novas necessidades da vida empresarial, pessoal e social. E é neste último ponto que a importância da requalificação dos profissionais é revelada.

Requalificação profissional em tempos de pandemia

A pandemia pela COVID-19 causou, obviamente, alterações no mercado de trabalho. Surgiu a regra do teletrabalho, as empresas a adaptaram os seus modelos de trabalho e surgiu o recrutamento de novos perfis profissionais.

Em Portugal, segundo um estudo da ManpowerGroup, aumentou a procura de profissionais nas áreas da Saúde, Tecnologia e Transformação Digital ou do E-commerce. No entanto, no mercado de trabalho, não há profissionais suficientes para estas áreas.

Conseguir o equilíbrio entre a oferta e a procura passa necessariamente pela formação e requalificação dos profissionais para que possam evoluir para áreas de maior procura e, assim, aumentar os níveis de empregabilidade.

Automação e desaparecimento de postos de trabalho

Um estudo sobre o futuro do trabalho desenvolvido pela Confederação Empresarial de Portugal (CIP), em parceria com a McKinsey Global Institute e a Nova School of Business and Economics (Nova SBE), conclui que metade das profissões dos portugueses tem potencial de automação, apontando como previsão, até 2030, o desaparecimento de 1,1 milhões de postos de trabalho, ou seja, uma população de 4,35 milhões de trabalhadores.

A história já nos mostrou, nas revoluções industriais anteriores, que a evolução tecnológica altera os modelos de competências profissionais, desaparecendo a necessidade de algumas dessas competências e surgindo novas. Empregos vão desaparecer, novas profissões vão aparecer e outros empregos vão continuar, ainda que reestruturados pela inovação tecnológica.

Por todas estas razões, quem já está no mercado de trabalho ou para quem ainda está a estudar, é importante apostar na formação para a requalificação e renovação de competências profissionais.

Requalificação Profissional: por onde começar

IEFP

Na página do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), na área da formação, poderá inscrever-se num Centro Qualifica que tem por objetivo principal desenvolver processos de informação e orientação com vista ao encaminhamento para as ofertas de educação e formação mais adequadas; processos de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências Profissionais (RVCC) Profissional e processos de RVCC Escolar.

Os serviços destes centros destinam-se a adultos, com idade igual ou superior a 18 anos, que pretendam dar continuidade ao seu percurso de qualificação ou que procurem melhorar a sua situação face ao mercado de emprego; e jovens que não se encontrem a frequentar modalidades de educação ou de formação e que não estejam inseridos no mercado de trabalho.

ATIVAR.PT

O ATIVAR.PT, inserido no Programa de Estabilização Económica e Social que foi Lançado em agosto do ano passado pelo Governo para responder aos efeitos da pandemia COVID-19 no mercado de trabalho, trata-se de um programa reforçado de apoios ao emprego e à formação profissional.

Em relação à requalificação, este programa prevê várias medidas e programas, adaptados a diferentes situações:

  • Apoios ao emprego, em especial para novos desempregados;
  • Formação Profissional;
  • Requalificação profissional no ensino superior.

Acertar o Rumo

Acertar o Rumo é um programa de reconversão profissional para a área das Tecnologias da Informação (TI), desenhado para responder às necessidades empresariais. Pretende por um lado colmatar a falta de pessoas com competências na área da informática, e por outro integrar no mercado de trabalho profissionais motivados de áreas com pouco empregabilidade.

Realiza-se anualmente e destina-se a pessoas com formação superior, independentemente das suas áreas de formação original, com apetência e gosto pelas Tecnologias de Informação e com forte motivação para redirecionar a carreira profissional.

Este programa é uma iniciativa da Universidade de Coimbra que tem como parceiros diferentes empresas, nomeadamente Critical Software, BPI, Novabase, Accenture, AIRC, Everis e Present Technologies.

Recodeme

O Recodme é um programa de requalificação para o setor da inovação e tecnologia dirigido a jovens desempregados com idade até 29 anos, 12.º ano completo e inscritos no IEFP.

Resulta de uma parceria das empresas agap2IT, Bee Engineering, KCS iT, Adentis e Decode. É gratuita para os formandos e é suportada pelo Serviço de Formação Profissional de Lisboa do IEFP, nomeadamente pelo programa Medida Vida Ativa.

O Recodme iniciou a sua formação modular em regime presencial, passou, depois, a realizar-se à distância, respondendo às condicionantes da pandemia COVID-19.

Requalificação profissional: funções do futuro

A Adecco publicou, em novembro de 2020, uma análise que dava conta de 12 futuras novas funções para a próxima década:

  • Guia de Loja Online: terá como foco a satisfação do cliente através de aconselhamento virtual, utilizando o conhecimento do produto online;
  • Agente de Dados Pessoais: vai assegurar que os consumidores recebam receitas a partir dos seus dados. O corretor estabelecerá os preços e executará as transações;
  • Assistente pessoal de memória: com base em contatos com pacientes e partes interessadas para gerar especificações para experiências de realidade virtual;
  • Construtor de viagens de realidade aumentada: colaboração com engenheiros e artistas técnicos para desenvolver elementos vitais para os clientes;
  • Highway Controller: monitorizar sistemas automatizados de gestão rodoviária e do espaço aéreo para garantir que não ocorrem erros;
  • Criador de partes do corpo: criação de partes vivas do corpo para atletas e soldados.
  • Nano-médicos: transformação dos cuidados médicos;
  • Agricultor recombinante: alterações na agricultura e a criação de animais;
  • Conselheiro de bem-estar para os mais velhos: compreender e atender às necessidades físicas e mentais das pessoas idosas;
  • Neurocirurgião: aumentar a memória dos pacientes quando atingirem a sua capacidade;
  • Éticos da ‘nova ciência’;
  • Pilotos espaciais, guias turísticos e arquitetos: proporcionar a vida em postos avançados lunares.
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