Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
22 Mar, 2019 - 13:19
Páscoa. Não perca a Semana Santa de Braga

Páscoa. Não perca a Semana Santa de Braga

Mónica Carvalho

A Semana Santa de Braga é um acontecimento único no calendário religioso nacional. Saiba tudo o que acontece e o que fazer na cidade dos arcebispos.

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Não há indicação de quando se começou a assinalar a Semana Santa de Braga. O que é certo é que esta é uma das épocas do ano mais especiais, ou não fosse Braga uma cidade devota e cheia de fé.

Sabe-se que esta tradição multissecular tenta, ao máximo, conservar o sentido original de comemoração dos mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, ao mesmo tempo que se tentam incorporar elementos inovadores e exclusivos que enriqueçam as celebrações da Semana Santa de Braga.

Assim, esta é uma boa altura para visitar a terceira maior cidade de Portugal, considerada um destino elegante, repleto de antigas ruas estreitas pedonais e praças charmosas. Tudo isto marcado pelo constante toque de sinos das inúmeras igrejas barrocas da cidade, que funcionam ainda como uma lembrança da devoção de Braga ao mundo espiritual. Como tal, as festas religiosas são famosas em todo o país, particularmente a Semana Santa. Saiba tudo sobre esta época: os principais eventos, o que pode visitar, onde comer e onde ficar hospedado.

Semana Santa de Braga: farricocos, procissões e tradição

Procissão Religiosa

A Semana Santa de Braga é recebida com entusiasmo e expetativa junto da população. Há manifestações que arrastam milhares de pessoas e que já ultrapassaram o domínio estritamente religioso, para se tornarem em verdadeiras atrações turística. Uma das mais celebradas é, sem dúvida, a Procissão Ecce Hommo, onde é evocado o julgamento de Cristo.

Organizada desde tempos antigos pela Irmandade da Misericórdia, a Procissão do Senhor «Ecce Homo» arranca com o cortejo do exótico grupo dos farricocos com grosseiras vestes de penitência, descalços e encapuçados, de cordas à cinta, como outrora os penitentes públicos, uns empunhando matracas e outros alçando fogaréus (taças com pinhas a arder). Daí chamar-se também «Procissão dos Fogaréus». Integrados na procissão, os fogaréus evocam os guardas que, munidos de archotes, foram, de noite, prender Jesus.

A imagem do Senhor «Ecce Homo» (ou «Senhor da cana verde») representa o Cristo que se declarara rei e que o governador romano pôs a ridículo pondo-lhe na mão um simulacro de ceptro (uma cana verde). Foi assim que Pilatos o apresentou à multidão, dizendo: ― «Eis aí o Homem!» («Ecce Homo»).

Fique a conhecer o percurso exato desta e de outras procissões para melhor se posicionar e registar imagens deslumbrantes. Todavia, as celebrações da Semana Santa de Braga não se ficam por aqui. Anote algumas sugestões de um vasto programa que não o vai deixar indiferente.

  • 28 de março a 28 de abril | Tesouro-Museu da Sé de Braga: Exposição “Redemptor Hominis”;
  • 30 março a 21 abril | Largo do Paço: Exposição Itinerante “Salvação”;
  • 31 de março 2019, 15h00 | Figueiredo e Real: 4º Domingo da Quaresma – Procissão dos Passos;
  • 5 de abril, 21h30 | Sé Catedral: Concerto: “Missa Brevis”, de Mozart e “Te Deum”, de Dvorak;
  • 7 de abril, 15h00 | Celeirós, Braga: 5º Domingo da Quaresma – Procissão dos Passos em Celeirós;
  • 11 de abril, 21h00 | Espaço Vita: Espetáculo/encenação da Via Sacra “Despertar Esperança”;
  • 12 de abril, 21h30 | Igreja do Hospital de São Marcos: Concerto pelo Coro da Santa Casa da Misericórdia de Braga e Ensemble Célio Peixoto;
  • 14 de abril, domingo de Ramos, 11h00 | Igreja do Seminário (Largo de S. Paulo): Benção e Procissão dos Ramos;
  • 17 de abril, quarta-feira Santa, 21h30 | Sai da Igreja de S. Vitor: Cortejo bíblico “Vós sereis o meu povo” – Procissão de Nossa Senhora da “burrinha”;
  • 18 de abril, quinta-feira Santa, 21h30 | Sai da Igreja da Misericórdia: Procissão do Senhor “Ecce Homo”
  • 19 de abril, sexta-feira Santa, 15h00 | Sé Catedral: Celebração da Morte do Senhor;
  • 19 de abril, sexta-feira Santa, 21h30 | Sai da Sé Catedral: Procissão do Enterro do Senhor;
  • 21 de abril, domingo de Páscoa, 11h30 | Sé Catedral: Missa Solene do Domingo de Páscoa;

Semana Santa de Braga: o que visitar?

Braga é uma cidade jovem e tradicional, ao mesmo tempo repleta de tradições e locais o que fazem desta uma urbe incrível para descobrir. Saiba quais são alguns dos locais mais bonitos e emblemáticos da cidade.

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catedral de braga

Bom Jesus de Braga

Em 1373 já havia sinais de uma Ermida no Bom Jesus, ainda que com influência e importância pouco significativas. Com o evoluir dos tempos e inevitáveis alterações, o Bom Jesus tal como o conhecemos hoje, surge em 1722, com a construção das Capelas da Via Sacra, do Pórtico e dos Escadórios dos Cinco Sentidos. Por sua vez, a nova basílica foi concluída mais tarde, em 1811.

Um dos pontos de destaque é a gigantesca escadaria, para muitos, local de promessa e romaria. Porém, se não pretende subir as centenas de degraus do escadório do Bom Jesus, há outra forma bem mais fácil de o fazer: através do famoso funicular, o Elevador do Bom Jesus, o mais antigo do mundo em atividade.

Além da componente religiosa, no Parque do Bom Jesus de Braga poderá apreciar os extensos jardins, lagos, grutas, trilhos e coretos.

Sé de Braga

A mais antiga catedral de Portugal foi concluída no século XII e é um complexo desordenado composto de estilos diferentes. Um local de grande devoção para uns e de admiração para os os aficionados por arquitetura.

Mosteiro de São Martinho de Tibães

O Mosteiro de São Martinho de Tibães foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 1944. Na origem da sua criação, em finais do século XI, esteve a observância beneditina, no qual os monges seguiam as regras do silêncio, obediência, pobreza, oração e trabalho.

Após passar por diversas mãos, o Mosteiro atingiu o seu máximo esplendor nos séculos XVII e XVIII, altura em que foi transformado num dos maiores conjuntos monásticos do Portugal barroco.

Atualmente, após o Estado Português ter assumido a sua tutela, foram implementadas duas novas valências: a cultural, diretamente associada ao Museu Monumento e Jardim Histórico, e a de acolhimento, onde se encontra a comunidade religiosa da Família Missionária Donum Dei, com as valências de hospedaria e do restaurante L’Eau Vive.

Fonte do Ídolo

Escondida abaixo do nível da rua, esta evocativa fonte antiga é um dos tesouros inesperados de Braga.

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Foi edificado no início do século I, com o objetivo de se tornar num santuário rupestre associado ao culto da água. Mas por que motivo é especial? Por ser feita em granito, o que lhe conferiu, em 1910, a classificação de Monumento Nacional.

Termas Romanas do Alto da Cividade

As Termas Romanas simbolizam um local e oportunidade de convívio, descontração e relaxamento, como prova da importância de que os romanos davam ao culto do corpo.

A sua descoberta foi quase um acaso, mais propriamente, entre 1977 e 1999, quando a Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho realizou uma intervenção arqueológica no local. Nessa altura, foram igualmente encontrados vestígios de um teatro romano da mesma época.

Termas Braga

Semana Santa de Braga: onde ficar?

Dado que é uma época bastante procurada por bastantes forasteiros, nacionais e estrangeiros, é conveniente que providencie alojamento com a maior brevidade possível na cidade de Braga. A oferta é abundante e os preços não são desproporcionados. Atente apenas que a Semana Santa é considerada, na hotelaria da região, como época alta. Temos 4 sugestões para si.

Casa dos Lagos

Trata-se de uma casa senhorial construída nos finais do século XVIII e que permite desfrutar da paisagem deslumbrante e ambiente calmo e acolhedor da região do Bom Jesus do Monte.

Está rodeada de espaços verdes, como o centenário jardim de camélias e vários lagos relaxantes.

Casa Fundevila

É uma unidade hoteleira de charme que se destaca pela localização ímpar na junção dos rios Homem e Cávado e que disponibiliza programas específicos para os amantes de história, cultura, tradições, paisagens e gastronomia.

Tem ainda a probabilidade de praticar várias atividades outdoor, como karting, canoagem, equitação e golf, por exemplo.

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Hotel Bracara Augusta

Este hotel foi reconstruído sobre uma casa que data da idade média e ainda hoje é possível ver pequenas lembranças dessa época, como muros e lareias.

A sua localização central indica que, em tempos, foi também umas das principais zonas comerciais no passado, até que, em finais de 1890, a casa foi reconstruída pelo Antigo dono do Mosteiro de Tibães. Em 1940 este local albergou a “Casa da Sopa”, onde as pessoas mais necessitadas procuravam uma refeição quente. Foi também a Casa da Legião no tempo de Salazar, nome pelo qual ainda hoje é reconhecida.

Hoje é um hotel charmoso, em pleno centro da cidade que lhe permite usufruir dos encantos de outros tempos com as comodidades da atualidade.

Hotel do Elevador

Original e diferente, o Hotel do Elevador localiza-se bem perto do Bom Jesus do Monte e deve o nome ao elevador movido a água junto que existe ali bem perto. Todo o cenário reflete-se num verdadeiro recanto de paz onde pode descansar e relaxar.

Além de hotel, este espaço alberga um dos restaurantes mais emblemáticos de Braga, perfeito para poderá saborear a melhor cozinha tradicional portuguesa com uma vista panorâmica sobre a cidade.

Semana Santa de Braga: os melhores restaurantes

Em Portugal dificilmente encontrará um local onde se come mal. Afinal, damos muita importância à gastronomia de qualidade e orgulhamo-nos de ser excelentes anfitriões. Braga não é exceção. Veja as nossas sugestões de restaurantes para usufruir de refeições de qualidade.

Churrasqueira da Sé

A Churrasqueira da Sé situa-se em pleno centro histórico da cidade de Braga, bem perto da Sé Catedral, que lhe deu o nome. Entre as suas especialidades contam-se os grelhados na brasa, que tão bem sabem, principalmente agora que chegou a primavera.

Cozinha da Sé

Abertos ao público desde 1983, a Cozinha da Sé é uma das referências gastronómicas de Braga.

Trata-se de um espaço intimista, localizado na zona histórica da cidade e onde não faltam recantos que propiciam momentos mais intimistas e tranquilos.

A cozinha é bem portuguesa, com um toque exclusivo e inovador de autor. Depois de provar, vai querer regressar.

Restaurante Dona Júlia

A Dona Júlia não é um simples nome. É a neta de uma das mais famosas e valorizadas cozinheiras da Póvoa de Lanhoso, que guarda nas mãos, na memória e coração os mesmos segredos da avó no que à preparação de pratos tradicionais minhotos diz respeito.

Após algumas alterações, o Dona Júlia está hoje situado num cenário idílico rodeado de natureza, no Monte da Falperra, em Braga.

Vale a pena uma visita para experimentar este conceito de restaurante onde a boa gastronomia minhota se conjuga de forma harmoniosa com um design moderno e rústico e onde pode experimentar verdadeiras delícias mais típicas. Bacalhau à Dona Júlia, Cabrito Assado no Forno, Papas de Sarrabulho, Arroz de Feijão com Filetes de Pescada ou Polvo Grelhado na Brasa com Batata a Murro e Grelos são apenas algumas das delícias que esperam por si.

O Jacó

O restaurante O Jacó está aberto ao público há 23, sendo, desde há muito tempo, um local que pauta pela discrição, elegância e qualidade, ao que se alia uma variedade de ementas, cuja base é a saborosa cozinha tradicional portuguesa.

Localizado na Praceta Padre Diamantino Martins em Maximinos, o restaurante concluiu recentemente a remodelação do espaço, onde o conforto do cliente e o sem bem-estar foram pensados ao máximo.

Como vê, não faltam excelentes motivos para rumar a Norte e participar nas celebrações da Semana Santa de Braga, preparadas por uma comissão organizadora, constituída por sete entidades promotoras e das quais fazem parte o Cabido da Sé de Braga, a Santa Casa da Misericórdia de Braga, a Irmandade de Santa Cruz, a Câmara Municipal de Braga, a Entidade de Turismo do Porto e Norte de Portugal, a Associação Comercial de Braga e a Associação Industrial do Minho.

Enquanto programa cultural e religioso da Semana Santa de Braga quase não tem rival, pensado para que as tradições não se percam e o presente continue a valorizar tudo o que merece.

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