Catarina Reis
Catarina Reis
18 Mar, 2019 - 12:35
Sente-se uma fraude? Talvez padeça do síndrome do impostor

Sente-se uma fraude? Talvez padeça do síndrome do impostor

Catarina Reis

Muitas pessoas, por muito competentes que sejam nas suas áreas de atuação, sentem que são “uma fraude”. Há um nome para isto: síndrome do impostor.

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Alguma vez sentiu que os seus colegas de trabalho o consideram uma fraude? Já receou que, após um momento de reconhecimento ou de um elogio, todos venham a descobrir que de facto “não é tão bom como parece”? Estes sentimentos, embora possam ser considerados sintomas normais, de insegurança momentânea, podem, quando persistentes, indicar que sofre do síndrome do impostor.

O que é e como ultrapassar o síndrome do impostor?

Identificado pela primeira vez em 1978, o síndrome do impostor resume-se a uma sensação generalizada e persistente de que tudo de bom e positivo que conseguimos atingir foi graças à pura sorte, ao mero acaso, e não ao nosso mérito.

Este sentimento é acompanhado da sensação de que não se é merecedor do reconhecimento que eventualmente se tenha atingido e revela, assim, uma forte tendência para a desvalorização pessoal e para o descrédito nas suas competências, no seu trabalho e nos seus talentos.

O síndrome do impostor não é considerado uma “doença”

Muitas pessoas sentirão, ou já sentiram, ao longo da sua vida académica ou profissional, que não estão verdadeiramente à altura do reconhecimento que lhes é prestado.

Embora não seja considerado uma doença, o síndrome do impostor reflete, sem dúvida, falta de autoconfiança e aquilo a que os psicólogos chamam de “locus de controlo externo” – ou seja, a tendência para acreditar que os sucessos aconteceram devido a fatores externos a si (como a sorte, o acaso ou a ajuda alheia) e que os fracassos aconteceram por “culpa própria” (incompetência, falta de esforço, incapacidade de networking).

Por refletir esta forma “negativa” de pensar em si próprio e nos seus resultados, o síndrome do impostor pode condicionar bastante a performance em contexto de trabalho e estudo. Assim, apesar de não ser uma doença, se sente que tende a desvalorizar os seus sucessos está mesmo na hora de repensar a fundo o seu autoconceito.

Atinge todos os tipos de pessoas

Ninguém está imune ao síndrome do impostor: mesmo as pessoas famosas, muito bem sucedidas e habituadas a níveis elevados de reconhecimento sentem em algum momento que não o merecem e que não foram verdadeiramente elas que o conquistaram. É sabido também que afeta sobretudo muitas pessoas jovens, e é muito frequente entre as mulheres, como refere um estudo levado a cabo por duas psicólogas clínicas norte-americanas.

Outro facto que se pode concluir a partir deste mesmo estudo é que certo tipo de dinâmicas familiares precoces e algumas injeções de estereótipos de papéis sexuais da sociedade contribuem significativamente para o desenvolvimento do síndrome do impostor.

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sindrome impostor

Estudos recentes referem que o síndrome do impostor tanto afeta mulheres como homens, apesar de durante muito tempo se ter pensado que seriam sobretudo as mulheres as mais visadas. A única diferença é que elas parecem estar mais dispostas a abordar o tema, enquanto eles o escondem mais.

Quais os sintomas?

O que as pessoas que sofrem do síndrome do impostor parecem ter em comum é o facto de oscilarem rapidamente entre o sentimento de extrema egomania e o de total insegurança, durante o qual ficam mesmo convencidas de que são uma fraude completa, e em breve vão ser descobertas por toda a gente. Não existe meio termo, mas sim uma constante montanha russa entre esses dois sentimentos extremos.

A origem do síndrome do impostor

Não há uma resposta para explicar porque é que as pessoas sofrem deste síndrome. Alguns especialistas afirmam que está associado a certos traços de personalidade como o perfeccionismo. Outros consideram que é na infância que está a origem do problema. Por exemplo, se alguém cresceu ao lado de um irmão muito talentoso, pode desenvolver este tipo de sintomas.

Por outro lado, se alguém foi sempre considerado como “o inteligente”, pode sentir-se como sendo uma fraude sempre que precisa de se esforçar para conseguir alguma coisa. Certas situações, como um novo desafio ou uma promoção, também podem desencadear o síndrome do impostor.

Dicas para como ultrapassar o síndrome do impostor

1. Elimine o excesso de auto importância

Quebre esse ciclo. Normalmente uma pessoa sente-se uma fraude quando pensa que é mais importante do que realmente é. Funciona um pouco por comparação – a perseguição de uma perfeição que nunca existiu causa esse sentimento de fraude.

2. Encontre um sistema de apoio, em fontes de incentivo que se encontram à sua volta

Volte-se para a família, amigos, colegas e mentores e envolva-se com um grupo de pessoas que acreditam em si. Não dê demasiada importância aos elogios fervorosos que recebeu do seu chefe, mas guarde-os antes para quando se livrar do síndrome do impostor, e possa realmente desfrutar disso sem elevar o seu ego em demasia.

3. Aceite que tem um papel decisivo e central no seu sucesso.

Uma das razões que nos levam a sentirmo-nos uma fraude é porque não somos capaz de interiorizar o que de bom nos acontece, e que por essas oportunidades não terem sido dadas a outras pessoas, não as merecemos. Mas isso não corresponde à verdade.

4. Não se compare com os outros

Hoje em dia graças a sites como o Facebook e o Instagram, é muito fácil cedermos à tentação de nos compararmos aos outros. Resista a esse desejo e, em vez disso, reconheça que ninguém é perfeito. Confie no seu desempenho próprio e comemore os seus ganhos sem olhar para o que os outros fizeram ou estão a fazer.

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5. Sinta-se especial, mas não demasiado

O que cria muitas vezes a sensação de arrogância distorcida que por sua vez causa o síndrome do impostor é acreditar-se inconscientemente que se tem poderes com os quais o mundo não consegue lidar.

Ou então pensarmos que não somos mais do que uma aberração. Nem tanto ao mar nem tanto à terra, ninguém é assim tão especial, seja no aspeto positivo ou no negativo. Não se convença de que está acima de tudo e todos, nem o contrário, que é o pior ser à face da terra.

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