Cláudia Pereira
Cláudia Pereira
10 Jul, 2026 - 12:00

Sistema Volta: 12 perguntas e respostas sobre o depósito de garrafas e latas

Cláudia Pereira

Sistema Volta: como funciona o depósito de 10 cêntimos em garrafas e latas, onde devolver e o que muda a partir de agosto. Veja a FAQ completa.

Desde 10 de abril de 2026 que comprar uma bebida em Portugal pode custar mais 10 cêntimos e recuperá-los depende de um gesto simples. É o Sistema Volta, o novo mecanismo de depósito e reembolso de embalagens que já mudou a forma como milhões de portugueses fazem compras. E a partir de 9 de agosto termina o período de transição: todas as embalagens abrangidas passam a estar, sem exceção, sujeitas ao sistema.

Há, no entanto, muitas dúvidas práticas por esclarecer. Onde devolver a embalagem se a comprou noutra loja? O dinheiro é sempre em vale ou pode ser em numerário? E os cafés e restaurantes têm de aceitar devoluções? Esta FAQ reúne as respostas mais procuradas sobre o funcionamento do sistema Volta, com base na informação oficial da entidade gestora.

FAQ’s sobre o sistema Volta

1.

O que é o sistema Volta?

O Volta é a marca do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) de embalagens de bebidas de uso único, gerido pela SDR Portugal, uma associação sem fins lucrativos que reúne indústrias de bebidas e cadeias de retalho. O sistema abrange garrafas de plástico e latas de metal ou alumínio com capacidade até três litros, desde que identificadas com o símbolo Volta. O projeto representa um investimento de 150 milhões de euros, sem recurso a financiamento público, e conta com a colaboração da Agência Portuguesa do Ambiente.

2.

Quanto custa o depósito e como é cobrado?

O valor fixado é de 0,10 euros por embalagem, cobrado no momento da compra e discriminado separadamente no talão. Esse montante não está sujeito a IVA. A devolução da embalagem num ponto Volta permite recuperar integralmente esse valor, ou seja, não é considerada uma taxa adicional, mas uma caução reembolsável.

3.

Onde posso devolver as embalagens?

A infraestrutura nacional prevê cerca de 2.500 máquinas automáticas, mais de 8.000 pontos de recolha manual e 48 quiosques para entregas em maior quantidade, distribuídos por Portugal continental, Açores e Madeira.

Uma particularidade importante: pode devolver embalagens em qualquer Ponto Volta ou Quiosque Volta, mesmo que as tenha comprado noutro estabelecimento. A exceção aplica-se ao setor da restauração e hotelaria, que só é obrigado a aceitar embalagens vendidas no próprio espaço.

4.

Como funciona nos cafés e restaurantes?

No setor HORECA, a regra depende do momento do pagamento. Se paga a bebida no final da refeição, o depósito não é cobrado, porque a embalagem permanece no estabelecimento e é este que fica responsável pela devolução. Se paga antecipadamente (por exemplo, numa máquina de vending ou balcão de take-away), o depósito é cobrado e a devolução torna-se responsabilidade sua.

5.

Que critérios tem de cumprir a embalagem para ser aceite?

A máquina ou o ponto de recolha só aceita embalagens intactas, vazias, completas, com o símbolo Volta visível e o código de barras legível. Se algum destes requisitos falhar, o valor do depósito não é reembolsado e a embalagem é devolvida ao consumidor.

6.

Como recebe o dinheiro de volta?

O reembolso pode assumir várias formas: um talão convertível em numerário nas caixas do supermercado, um desconto direto em compras, um carregamento em cartão de fidelização, uma doação a instituições ou, no futuro, soluções digitais adicionais.

Nos super e hipermercados, tem sempre o direito de pedir o valor em dinheiro e não é obrigado a gastá-lo no local. Note-se que o voucher emitido pelas máquinas Volta tem validade de um ano.

7.

O que muda a partir de 9 de agosto de 2026?

Entre 10 de abril e 9 de agosto de 2026 vigora um período de transição, durante o qual coexistem no mercado embalagens com e sem o símbolo Volta e apenas as identificadas estão sujeitas ao depósito e ao reembolso.

A partir de 10 de agosto, todas as embalagens de bebidas de uso único até três litros colocadas no mercado passam obrigatoriamente a integrar o sistema. Na prática, deixará de haver garrafas ou latas “fora do sistema” nas prateleiras portuguesas.

8.

Qual é a meta do sistema Volta?

O objetivo nacional é atingir uma taxa de recolha de 90% até 2029, alinhado com as metas europeias para embalagens de bebidas de uso único. A trajetória prevista aponta para taxas entre 40% e 70% no primeiro ano de funcionamento e 80% em 2027. O sistema deverá ainda gerar cerca de 1.500 postos de trabalho diretos e indiretos, sobretudo em logística, manutenção de equipamentos e triagem.

9.

O que acontece ao dinheiro dos depósitos não reclamados?

Os valores de depósitos que não chegam a ser reembolsados, por exemplo, embalagens compradas mas nunca devolvidas mantêm-se dentro do próprio sistema. Segundo a entidade gestora, esse montante é reinvestido no financiamento da inovação tecnológica e na manutenção da infraestrutura de recolha.

10.

Existe uma aplicação para consultar os pontos de recolha?

Sim, está disponível a App Volta, que permite confirmar se uma embalagem cumpre os critérios de aceitação, verificar a elegibilidade através da leitura do código de barras e localizar os pontos de recolha mais próximos.

11.

Para onde vão as embalagens depois de recolhidas?

Após a devolução, as embalagens seguem para dois Centros de Contagem e Triagem Volta (um na área de Lisboa, outro no Port), antes de serem encaminhadas para reciclagem. O objetivo declarado da SDR Portugal é fechar o ciclo por completo: uma garrafa devolvida pode voltar a ser garrafa, e uma lata pode voltar a ser lata.

12.

O sistema Volta já está a funcionar em pleno?

Os primeiros meses de funcionamento mostraram uma adesão ainda distante da meta final: a entidade gestora reportou mais de 10 milhões de embalagens devolvidas nos primeiros dois meses, um valor que fica aquém do volume total colocado no mercado nesse período.

Constrangimentos como máquinas avariadas, que o regulamento permite ficar inoperacionais até 72 horas sem obrigar a recolha manual e a localização pouco visível de alguns equipamentos nos supermercados têm sido apontados como entraves à adesão mais rápida por parte dos consumidores.

Vale a pena guardar o hábito: separar as embalagens com o símbolo Volta é, neste momento, a única forma de recuperar os 10 cêntimos pagos em cada compra e, a partir de agosto, deixa de haver alternativa.

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