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Catarina Reis
Catarina Reis
10 Jul, 2020 - 16:19

Subsídio social de desemprego: quanto se recebe e funcionamento

Catarina Reis

Está desempregado? Saiba se tem direito ao subsídio social de desemprego, como se efetua o seu cálculo, ou ainda os valores a receber.

pessoa a preencher formulário do subsídio social de desemprego

Perante uma situação de desemprego, o Estado atribui um apoio social para garantir as condições mínimas de subsistência aos cidadãos. Este apoio é o subsídio de desemprego. Porém, nem todos os desempregados têm acesso a este subsídio que, por si só, também tem uma duração limitada. Para salvaguardar estes casos, o Estado atribui outros apoios, como é o caso do subsídio social de desemprego.

Tendo por base o Guia Prático do Subsídio Social de Desemprego, disponível na página da Segurança Social, eis o que precisa de saber.

SUBSÍDIO SOCIAL DE DESEMPREGO: todas as informações

canela, calculadora e dinheiro numa mesa para saber o salário bruto

Em que consiste?

O subsídio social de desemprego é uma prestação paga mensalmente a cidadãos desempregados que:

  • Tenham perdido o posto de trabalho de forma involuntária;
  • Cujo rendimento mensal, por pessoa, do agregado familiar não ultrapasse 80% do Indexante de Apoios Sociais (IAS) – em 2020 corresponde ao valor de 351,05 euros;
  • Que não se encontrem elegíveis para receber o subsídio de desemprego; 
  • Que já terminaram de receber a totalidade do subsídio de desemprego a que tinham direito.

Existem duas modalidades de subsídio social de desemprego:

  1. Subsídio social de desemprego inicial, para desempregados que não reúnem as condições para receber o subsídio de desemprego;
  2. Subsídio social de desemprego subsequente, para desempregados que já receberam o subsídio de desemprego a que tinham direito.

Importa sublinhar que é necessário solicitar o subsídio social de desemprego no prazo de 90 dias após a data do fim do último vínculo laboral ou após a data em que deixou de receber o subsídio de desemprego.

Após estes 90 dias, os dias correspondentes ao atraso serão descontados no período de concessão das prestações de desemprego.

Quanto se recebe?

Os beneficiários a viver sozinhos receberão 351,05€ euros (80% do IAS), enquanto que os beneficiários inseridos num agregado familiar receberão 438,81€ (100% do IAS) ou o valor da remuneração de referência líquida.

De acordo com a Segurança Social, a “remuneração de referência líquida” obtém-se deduzindo à remuneração de referência ilíquida o valor da taxa contributiva para a Segurança Social, a cargo do trabalhador, e a taxa de retenção de IRS.

A remuneração de referência ilíquida é a média dos salários que a entidade empregadora declarou à Segurança Social e que pagou ao trabalhador nos primeiros 6 meses dos últimos 8 (a contar do mês anterior àquele em que ocorreu o desemprego).

Quem tem direito?

  • Trabalhadores que tenham tido contrato de trabalho e descontado para a Segurança Social (ou tenham o contrato suspenso por salários em atraso);
  • Trabalhadores do serviço doméstico contratados em regime de tempo inteiro e que tenham um acordo escrito;
  • Professores do ensino básico e secundário;
  • Trabalhadores agrícolas, inscritos na Segurança Social a partir de 1 de janeiro de 2011;
  • Trabalhadores agrícolas indiferenciados, inscritos na Segurança Social até 31 de dezembro de 2010;
  • Ex-militares em regime de contrato de voluntariado;
  • Trabalhadores nomeados para cargos de gestão desde que, à data da nomeação, pertencessem ao quadro da própria empresa há pelo menos um ano;
  • Trabalhadores contratados que, cumulativamente, são gerentes numa entidade sem fins lucrativos, desde que não recebam pelo exercício dessas funções qualquer tipo de remuneração;
  • Quem tiver esgotado o subsídio de desemprego e preencha as demais condições exigidas na lei.

O subsídio social de desemprego não pode ser atribuído a:

Subsídio social de desemprego subsequente: condições de acesso

O subsídio social de desemprego subsequente dirige-se a desempregados que já receberam o subsídio de desemprego a que tiveram direito. Para aceder a este apoio, os requisitos são os seguintes:

  • Continuar desempregado e inscrito no Centro de Emprego;
  • Na data em que terminou o subsídio de desemprego cumprir a condição de recursos, ou seja, os rendimentos mensais por pessoa do agregado familiar do requerente não podem ser superiores a 80% do IAS, que atualmente equivale a 351,05€

Durante o corrente ano de 2020, há a ter em conta a existência de uma condição especial de acesso ao subsídio de desemprego subsequente.

Os beneficiários que à data do desemprego inicial tinham 52 ou mais anos e que na data da cessação do subsídio de desemprego tenham condições para acesso à pensão antecipada de velhice por desemprego involuntário de longa duração poderão recorrer ao subsídio, desde que os rendimentos mensais, por pessoa, do agregado familiar não ultrapassem 105% do IAS, ou seja, 460,75€.

E os trabalhadores independentes? Estão abrangidos?

Os trabalhadores independentes também têm direito a proteção no desemprego nos termos de legislação própria – Decreto-Lei nº 2/2018, de 9 de Janeiro. Recorde-se que no novo regime de proteção social dos trabalhadores independentes, o prazo de garantia para aceder ao subsídio de desemprego passa a ser de 360 dias de contribuições, contra os anteriores 720 dias.

Neste novo regime passou a considerar-se trabalhador economicamente dependente aquele que obtenha de uma única entidade contratante mais de 50% do valor total dos seus rendimentos anuais (contra os anteriores 80%).

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