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Catarina Milheiro
Catarina Milheiro
16 Set, 2020 - 15:48

Bullying e a influência das tecnologias na vida dos mais novos

Catarina Milheiro

Há quem diga que existe desde sempre. No entanto, as novas tecnologias criaram novos tipos de bullying, inclusive o cyberbullying. Saiba identificá-los.

criança a chorar na escola por sofrer de bullying

Genericamente, o bullying é um tipo de violência que se caracteriza por um comportamento agressivo intencional e repetido de um agressor sobre uma vítima. Evoca sempre um desequilíbrio de poder entre a vítima e o agressor, desequilíbrio este que se vai agravando com o passar do tempo e mediante a repetição dos atos. 

Para muitas crianças e jovens, o distanciamento social durante a pandemia de COVID-19, significa que o pouco contacto que terão com os seus amigos será feito, maioritariamente, pela via virtual. Como bem sabemos, alguns dos maiores riscos online para as crianças são o cyberbullying, a exploração e a vergonha.

O cyberbullying, ainda que uma preocupação atual e ao qual devemos prestar especial atenção nos dias de hoje, é apenas um tipo de bullying, mas existem mais. Saiba quais.

diferentes tipos de Bullying

É importante que conheça cada um dos tipos de bullying, para se proteger e àqueles que estudam ou trabalham consigo. O bullying não acontece apenas na escola, mas pode também ocorrer em ambiente profissional, pelo que é igualmente importante saber que uma adulto pode ser vítima.

Bullying Físico

Envolve qualquer tipo de agressão ou maltrato físico, ou qualquer tipo de interação que provoque, intencionalmente, desconforto ou dor física a outra pessoa.

Inclui ainda a destruição de propriedade ou objetos da vítima.

Bullying Verbal

Inclui insultos, provocações, atribuição de apelidos depreciativos, intimidação, comentários discriminatórios relativamente à raça, orientação sexual, religião, aspeto físico ou outras características da vítima.

Bullying Relacional

Este tipo de bullying é mais difícil de identificar, uma vez que não existem sinais físicos ou verbais que evidenciem violência do agressor em relação à vítima. Traduz-se em ações que têm como objetivo arruinar a reputação de uma pessoa ou humilhá-la socialmente ou profissionalmente.

Por exemplo:

  • Espalhar rumores;
  • Gestos e/ou expressões faciais ameaçadores, mas apenas vistos pela pessoa visada (a vítima);
  • Brincadeiras ou partidas que humilhem a vítima;
  • Mimetizar os gestos e comportamentos da vítima de forma exagerada e grotesca;
  • Encorajar outras pessoas a excluir socialmente a vítima;
  • Impedir a progressão profissional da pessoa excluindo-a de tarefas importantes no trabalho, como reuniões.

Cyberbullying

É um tipo de bullying realizado através das tecnologias digitais. Pode ocorrer nas redes sociais, plataformas de mensagens e/ou jogos e telemóveis. Trata-se de um comportamento repetido, com o intuito de assustar, enfurecer ou envergonhar aqueles que são vítimas.

As novas tecnologias facilitam a camuflagem de comportamentos violentos. Em público ou em privado, a pessoa pode estar a ser vítima de violência via sms, através dos chats ou dos feeds de notícias nas suas redes sociais ou mesmo ver a sua imagem denegrida num website ou blog criado especificamente para esse efeito.

Este tipo de bullying pode incluir:

  • Mensagens e publicações de textos, imagens ou vídeos da ou sobre a pessoa, com conteúdo depreciativo;
  • Exclusão deliberada da pessoa de grupos sociais online;
  • Ridicularização da pessoa online fazendo-se passar por ela nas redes sociais, utilizando os seus dados de login.

mais sobre o CYBERBULLYING: UMA AMEAÇA VIRTUAL em tempos de pandemia

jovem na cama com telemóvel a sofrer de cyberbullying

Vivemos numa era onde as tecnologias imperam, seja no nosso dia-a-dia, como na vida dos mais novos. E o cyberbullying é um tipo de bullying que não fica de fora.

Com a pandemia do novo coronavírus, as pessoas viram-se obrigadas a mudar totalmente as suas rotinas, dando uma utilização massiva às tecnologias e ao digital, como nunca vista.

De facto, são inúmeras as crianças e jovens que utilizam redes sociais e aplicações como o TikTok, FaceTime e Zoom, com muito mais frequência do que no passado. E embora existam algumas vantagens nessas interações online, como dar aos jovens conexões importantes com o mundo exterior, elas apresentam riscos.

De acordo com um estudo da L1ght, organização que monitoriza o assédio e o discurso de ódio online, houve um aumento de 70% no Cyberbullying em apenas alguns meses.

Para além disto, a organização também identificou um aumento de 40% na toxicidade em plataformas de jogos online, um aumento de 900% no discurso de ódio no Twitter direcionado à China e um aumento de 200% no tráfego para sites de ódio.

A que se deve o aumento do Cyberbullying?

Com o distanciamento social seguramente estabelecido e com a adoção do ensino remoto ou parcialmente remoto, as crianças passam mais tempo online. Afinal, a educação depende cada vez mais da internet, seja através de trabalhos, aulas ou estudo.

Como sabemos, os professores estão a utilizar programas como o Google Classroom, Moodle, Zoom, Canva e Blackboard. Alguns chegam até a usar o Youtube para melhorarem a qualidade do seu ensino.

Consequentemente, os alunos passam horas em frente a um computador e claro, são forçados a utilizar as mais diversas plataformas para aprender. Ora, uma vez que aumenta o tempo que as crianças passam em frente ao ecrã e a interagir na Internet, pode também aumentar o risco do cyberbullying.

Sinais de alerta e consequências

Se é pai ou educador de uma criança em idade escolar e suspeita de que possa estar a ser vítima de algum dos vários tipos de bullying, tenha estes sinais em atenção:

  • Ira intensa;
  • Ataques de fúria;
  • Irritabilidade extrema;
  • Muito baixa tolerância à frustração;
  • Impulsividade;
  • Auto-agressão;
  • Reduzido número de amigos;
  • Dificuldade em prestar atenção;
  • Inquietude física.

Para além disso, estas são também algumas possíveis consequências:

  • Isolamento;
  • Redução do rendimento e da produtividade;
  • Sintomatologia psicossomática;
  • Fobia em relação à escola;
  • Depressão.

Prepare-se para enfrentar uma grande resistência por parte do seu filho ou educando em contar-lhe o que se passa. Assegure-o de que irá protegê-lo de uma eventual tentativa de retaliação por parte dos agressores e providencie apoio psicológico, se necessário.

Como pode defender-se?

Os bullies atuam e ganham poder com a premissa de que as suas vítimas vão ficando cada vez mais frágeis e isoladas socialmente. Por isso, a melhor forma de se defender é contar a alguém de confiança o que se está a passar.

Dar este passo é extremamente difícil porque a vítima de bullying teme que, ao contar a alguém que está a sofrer violência por parte de outros, estes retaliem e as consequências sejam ainda mais destrutivas para si.

Mas a verdade é que há sempre uma solução para o problema. Na pior das hipóteses, a mudança de escola ou de emprego, no caso de adultos Para além disso, em muitos casos é possível agir legalmente sobre os agressores.

A cada ano, aproximadamente um terço dos adolescentes a nível mundial sofre de bullying

Ao não atuarmos, estamos a contribuir para a formação de uma sociedade adulta insegura, ansiosa, e com tendência para reproduzir os mesmos comportamentos agressivos. Por isso, não hesite: denuncie!

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