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Mónica Carvalho
Mónica Carvalho
28 Abr, 2021 - 11:59

Torneiros: a banheira de água quente no Gerês galego

Mónica Carvalho

Na vila galega de Torneiros, já dentro do Gerês da Galiza, existe uma banheira gigante de água quente e de acesso gratuito. Quer saber mais?

Vista das termas em Torneiros

Dotadas de uma beleza rara, as termas ar ao livre de Torneiros permitem tomar banhos de água bem quentinha, enquanto – reza a lenda – trata da sua saúde. Parece uma banheira de grandes dimensões onde só apetece mesmo ficar a relaxar durante algumas horas.

Este local que parece ter saído da nossa imaginação, situa-se na vila de Torneiros, na Galiza, junto à Serra do Xúrez ou Gerês, como é, para nós, conhecida. É mesmo caso para dizer: de Espanha podem não vir bons ventos, mas, pelo menos, chega-nos água quentinha, com propriedades medicinais.  

Neste lugar tranquilo, a céu aberto, existe ainda um rio de águas limpas onde é possível mergulhar ao lado de pequenos peixes. No local, pode contar ainda com um parque de merendas e vários hotéis por perto, à beira da estrada, para quem aproveitar o dia pra ir a banhos e a noite para o descanso merecido.

Mas afinal, como é que a água se mantém quente a céu aberto?

Termas em Torneiros

Parece mesmo um fenómeno de outro mundo, mas a verdade é que não há uma razão concreta para que tal aconteça. Há quem diga que se deve à fusão entre uma nascente de água com o curso do rio que existe mesmo ali ao lado. Como se juntos proporcionassem uma bonita história de amor, neste caso de temperaturas elevadas.

Quem visita, só tem mesmo a agradecer, porque faça frio ou calor, chuva ou sol, a água naquele ponto está sempre quentinha. Mas não só. O próprio leito do rio tem zonas quentes, frias e mornas. Não é, então, de estranhar que todos queiram conhecer o local e testemunhar em primeira mão.

Além disso, e como águas termais que são, desfrutam das propriedades pelas quais as mesmas são conhecidas, que é, como quem diz, são excelentes para algumas maleitas, nomeadamente, para combater o reumatismo e as doenças da pele e até são boas para curar as assaduras dos bebés.

E se acha que tem de pagar para usufruir deste pedacinho de céu na terra, engane-se, porque, na verdade, todos podem usufruir sem pagar nada. O acesso é totalmente gratuito.

Como chegar a Torneros

O seu ponto de referência deve ser Caldas do Gerês, com direção à fronteira de Portela do Homem. Depois de cerca de três quilómetros, irá encontrar a famosa cascata Portela do Homem, onde poderá atravessar a fronteira – recomendamos que tenha sempre em consideração as medidas de contenção da pandemia que se encontram vigentes.

Após alguns quilómetros, encontrará alguns marcos milenares e uma antiga estrada romana, que lhe permitem seguir o caminho até Torneiros, com as devidas indicações.

E já que está por ali, o que mais pode visitar?

No Norte do país, bem perto da fronteira com Espanha, há pequenas e encantadoras vilas que pode – e deve – aproveitar para explorar. Conheça alguns na nossa companhia.

Portela do Homem

portela do homem

As cascatas da Portela do Homem que já aqui referimos são um ponto de paragem obrigatória para quem visita Torneiros. Chamam-lhe obra de arte da Natureza e é uma das grandes atrações do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

É uma zona especialmente procurada no verão devido às águas limpas e cristalinas, ainda que frias, ao contrário do que acontece com o nosso destino de eleição para este artigo.

Ainda assim vale mesmo pela beleza: as cascatas estão situadas a 822 metros de altitude e cercadas por rochas graníticas polidas pela erosão milenar. Parecem formar uma pintura, com as cores tão marcantes e vivas.

Aldeia de Vilarinho das Furnas

Ruínas de Vilarinho da Furna

Vilarinho da Furna era uma aldeia do Gerês, em Terras de Bouro. E dizemos era, porque se entendeu que este seria o local ideal para a construção de uma barragem, há cerca de 50 anos. Agora, a aldeia, cuja vida comunitária se fazia há mais anos do que a História permite contar, apenas jaz ali submersa no rio Homem.

Nos meses mais quentes, quando a seca é frequente na zona, ainda é possível ver alguns vestígios da vida por lá houve.

Um local que tem tanto de bonito quanto de melancólico por lhe sabermos a história. Famílias, casas, campos, zonas de pastoreio e os caminhos da Natureza foram devorados pela água que se apoderou do local.

Vila de Soajo

Espigueiros na aldeia de Soajo

Ao falar no Soajo é impossível não falar no granito, que marca presença em cada canto, em cada caminho, em cada edifício. É principalmente isto que nos faz sentir como se tivéssemos entrado num qualquer livro de História e recuássemos no tempo.

Esta pequena aldeia em Arcos de Valdevez começa, assim, a ser cada vez mais conhecida e digna de visita, não só pelas antas e mamoas espalhadas pela zona, como pelo Santuário Rupestre do Gião, mas também por ser ali que o Parque Natural da Peneda-Gerês começa a ser preenchido pelo verde mais bonito que já viu.

Pitões das Junias

Panorâmica de Pitões das Júnias

Esta é mais uma aldeia no Gerês que parece ter parado no tempo. É assim Pitões das Júnias, no concelho de Montalegre, que se impõe a uma altitude de 1100 metros.

É, por isso, a mais alta povoação do Barroso e encontra-se inserida numa paisagem de cortar a respiração. Vive por entre lameiros e escarpas graníticas e, ao contrário do que tem acontecido com outras aldeias próximas, tem-se conseguido impor, mantendo as suas rotinas e até formas de labor.

Como tal, é uma das mais pitorescas e tradicionais aldeias transmontanas, que vale a pena conhecer com calma.

(As fotos de Torneiros foram gentilmente cedidas por Cristina Marques/My Travel Stories)

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