Miguel Pinto
Miguel Pinto
18 Nov, 2022 - 10:44

Torneiros: a banheira de água quente no Gerês galego

Miguel Pinto

Na vila de Torneiros, já dentro do Gerês da Galiza, existe uma banheira gigante de água quente e de acesso gratuito. Quer saber mais?

Vista das termas em Torneiros

Dotadas de uma beleza rara, as termas ar ao livre de Torneiros permitem tomar banhos de água bem quentinha, enquanto – reza a lenda – trata da sua saúde. Parece uma banheira de grandes dimensões onde só apetece mesmo ficar a relaxar durante algumas horas.

Este local que parece ter saído da nossa imaginação, situa-se na vila de Torneiros, na Galiza, junto à Serra do Xúrez ou Gerês, como é, para nós, conhecida. É mesmo caso para dizer: de Espanha podem não vir bons ventos, mas, pelo menos, chega-nos água quentinha, com propriedades medicinais.  

Neste lugar tranquilo, a céu aberto, existe ainda um rio de águas limpas onde é possível mergulhar ao lado de pequenos peixes. No local, pode contar ainda com um parque de merendas e vários hotéis por perto, à beira da estrada, para quem aproveitar o dia pra ir a banhos e a noite para o descanso merecido.

Mas afinal, como é que a água se mantém quente a céu aberto?

banheiras de água quente em Torneiros
Dizem que as águas sulfurosas têm ainda propriedades medicinais

Parece mesmo um fenómeno de outro mundo, mas a verdade é que não há uma razão concreta para que tal aconteça. Há quem diga que se deve à fusão entre uma nascente de água com o curso do rio que existe mesmo ali ao lado. Como se juntos proporcionassem uma bonita história de amor, neste caso de temperaturas elevadas.

Quem visita, só tem mesmo a agradecer, porque faça frio ou calor, chuva ou sol, a água naquele ponto está sempre quentinha. Mas não só. O próprio leito do rio tem zonas quentes, frias e mornas. Não é, então, de estranhar que todos queiram conhecer o local e testemunhar em primeira mão.

Além disso, e como águas termais que são, desfrutam das propriedades pelas quais as mesmas são conhecidas, que é, como quem diz, são excelentes para algumas maleitas, nomeadamente, para combater o reumatismo e as doenças da pele e até são boas para curar as assaduras dos bebés.

E se acha que tem de pagar para usufruir deste pedacinho de céu na terra, engane-se, porque, na verdade, todos podem usufruir sem pagar nada. O acesso é totalmente gratuito.

Como chegar a Torneros

O seu ponto de referência deve ser Caldas do Gerês, com direção à fronteira de Portela do Homem. Depois de cerca de três quilómetros, irá encontrar a famosa cascata Portela do Homem, onde poderá atravessar a fronteira.

Após meia dúzia de quilómetros, encontrará alguns marcos milenares e uma antiga estrada romana, que lhe permitem seguir o caminho até Torneiros, com as devidas indicações.

E já que está por ali, o que mais pode visitar?

No Norte do país, bem perto da fronteira com Espanha, há pequenas e encantadoras vilas que pode – e deve – aproveitar para explorar. Conheça alguns na nossa companhia.

Portela do Homem

portela do homem
A espetacular cascata da Portela do Homem

As cascatas da Portela do Homem que já aqui referimos são um ponto de paragem obrigatória para quem visita Torneiros. Chamam-lhe obra de arte da Natureza e é uma das grandes atrações do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

É uma zona especialmente procurada no verão devido às águas limpas e cristalinas, ainda que frias, ao contrário do que acontece com o nosso destino de eleição para este artigo.

Ainda assim vale mesmo pela beleza: as cascatas estão situadas a 822 metros de altitude e cercadas por rochas graníticas polidas pela erosão milenar. Parecem formar uma pintura, com as cores tão marcantes e vivas.

Aldeia de Vilarinho das Furnas

Ruínas de Vilarinho da Furna
A aldeia foi submersa pelas águas da albufeira da barragem

Vilarinho da Furna era uma aldeia do Gerês, em Terras de Bouro. E dizemos era, porque se entendeu que este seria o local ideal para a construção de uma barragem, há cerca de 50 anos. Agora, a aldeia, cuja vida comunitária se fazia há mais anos do que a História permite contar, apenas jaz ali submersa no rio Homem.

Nos meses mais quentes, quando a seca é frequente na zona, ainda é possível ver alguns vestígios da vida por lá houve.

Um local que tem tanto de bonito quanto de melancólico por lhe sabermos a história. Famílias, casas, campos, zonas de pastoreio e os caminhos da Natureza foram devorados pela água que se apoderou do local.

Vila de Soajo

Espigueiros na aldeia de Soajo
Os espigueiros são a grande atração do Soajo

Ao falar no Soajo é impossível não falar no granito, que marca presença em cada canto, em cada caminho, em cada edifício. É principalmente isto que nos faz sentir como se tivéssemos entrado num qualquer livro de História e recuássemos no tempo.

Esta pequena aldeia em Arcos de Valdevez começa, assim, a ser cada vez mais conhecida e digna de visita, não só pelas antas e mamoas espalhadas pela zona, como pelo Santuário Rupestre do Gião, mas também por ser ali que o Parque Natural da Peneda-Gerês começa a ser preenchido pelo verde mais bonito que já viu.

Pitões das Junias

Panorâmica de Pitões das Júnias
Pitões das Júnias é uma das mais características aldeias do Gerês

Esta é mais uma aldeia no Gerês que parece ter parado no tempo. É assim Pitões das Júnias, no concelho de Montalegre, que se impõe a uma altitude de 1100 metros.

É, por isso, a mais alta povoação do Barroso e encontra-se inserida numa paisagem de cortar a respiração. Vive por entre lameiros e escarpas graníticas e, ao contrário do que tem acontecido com outras aldeias próximas, tem-se conseguido impor, mantendo as suas rotinas e até formas de labor.

Como tal, é uma das mais pitorescas e tradicionais aldeias transmontanas, que vale a pena conhecer com calma.

(As fotos de Torneiros foram gentilmente cedidas por Cristina Marques/My Travel Stories)

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