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Teresa Campos
Teresa Campos
09 Out, 2019 - 12:49

Trombose: saiba mais sobre esta doença silenciosa

Teresa Campos

A trombose uma doença silenciosa responsável por uma em cada quatro mortes no mundo. Saiba mais sobre esta patologia

Trombose doença silenciosa

A trombose é uma doença assintomática, de difícil diagnóstico e a principal causa de morte cardiovascular evitável.

Este ano, no Dia Mundial de Combate à Trombose, a atenção concentrou-se na trombose associada ao cancro e à sua incidência em mulheres, sobretudo devido aos fatores de risco adicionais, como a pílula anticoncecional e a gravidez. Perceba do que se trata e esteja vigilante.

O que é a Trombose?

Tratamento de trombose
A trombose pode ser fatal, mas há formas de a evitar

A trombose tem lugar quando um coágulo sanguíneo se forma numa artéria ou numa veia, podendo causar ou uma trombose venosa profunda (TVP), ou uma embolia pulmonar (EP), potenciando a morte por um tromboembolismo venoso (TEV).

O trombo pode formar-se numa perna, braço ou noutras partes do corpo, até porque o coágulo pode deslocar-se até várias regiões do organismo, através da corrente sanguínea.

Em qualquer um dos casos, o coágulo dificulta ou impede o fluxo normal de sangue.

Elevada mortalidade

Segundo a International Society on Thrombosis and Haemostasis, as TEV causam mais mortes por ano na Europa e nos Estados Unidos da América do que a SIDA, o cancro da mama, o cancro da próstata e os acidentes de viação.

Além disso, as estatísticas adiantam que até 60% dos casos de TEV ocorrem durante a hospitalização ou nos 90 dias após a alta.

Assim, a hospitalização constitui um fator de risco significativo para o surgimento de problemas trombóticos comuns após procedimentos cirúrgicos (sobretudo ortopédicos, oncológicos e ginecológicos), corte ou falta de movimento por muito tempo.

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Sintomas e prevenção

Geralmente, a Trombose Venosa Profunda manifesta-se através de:

  • dor na barriga da perna;
  • calor;
  • inchaço;
  • sensação de pele esticada;
  • vermelhidão na zona afetada.

Já os sinais de Embolia Pulmonar são:

  • falta de ar inexplicável;
  • dor no peito;
  • vertigens/tonturas e/ou desmaios;
  • tosse com sangue.

Para evitar estes problemas pode tomar algumas medidas.

  • não ficar muito tempo sentado sem se movimentar;
  • manter uma alimentação equilibrada;
  • praticar exercício físico regularmente;
  • ter um peso equilibrado;
  • não consumir excessivamente bebidas alcoólicas;
  • não fumar;
  • evitar a toma de anticoncecionais orais;
  • usar meias elásticas.

Grupos de risco e tratamento

Além das mulheres (pelas razões já avançadas anteriormente), também os homens podem sofrer deste problema.

Há ainda indivíduos mais suscetíveis se estiverem abrangidos pelos seguintes fatores de risco, a saber: a obesidade, o tabagismo, o consumo excessivo de álcool, a quimioterapia, a radioterapia, a hospitalização e a imobilidade.

O tratamento da Trombose Venosa Profunda consiste em impedir que o coágulo sanguíneo cresça e avance para outras regiões do corpo. Para tal, podem receitar-se anticoagulantes e meias de compressão.

Trombose Associada ao Cancro

análises para despistar trombose
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A Trombose Associada ao Cancro (CAT) é mesmo uma das principais causas de morte por cancro. Segundo os estudos, até 20% dos doentes oncológicos são afetados por um tromboembolismo venoso.

O risco é maior durante os primeiros 3 a 6 meses após o diagnóstico de neoplasia. Como já se referiu, a quimioterapia, a radioterapia, a hospitalização e a imobilidade aumentam ainda mais o risco do surgimento da trombose associada ao cancro.

Por tudo isto, é importante consciencializar e tomar medidas para evitar este problema, reduzindo a morbilidade e mortalidade dos doentes, aumentando a sobrevida, a qualidade de vida e reduzindo os custos para o sistema de saúde e para a sociedade.

GESCAT (Grupo de Estudos de Cancro e Trombose)

Este grupo foi criado em julho de 2014 visando chamar a atenção para a importância da Trombose Associada ao Cancro, junto dos profissionais de saúde, dos doentes, dos familiares e cuidadores, decisores institucionais e políticos e da sociedade, em geral.

A sua intervenção guia-se por uma série de objectivos que buscam essencialmente a multidisciplinaridade e o reforço da investigação. Daí que o GESCAT vise acima de tudo estes propósitos:

  • integrar profissionais de diferentes especialidades;
  • ser uma referência na formação científica, na elaboração de recomendações clínicas, na investigação, no registo epidemiológico e na informação para a saúde junto da comunidade;
  • incentivar as diferentes instituições de saúde, públicas e privadas, a melhorarem o acesso dos doentes oncológicos sob risco à prevenção e ao tratamento.
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