Miguel Pinto
Miguel Pinto
23 Fev, 2026 - 15:00

Uso de telemóvel ao volante aumenta 4 vezes o risco de acidente

Miguel Pinto

É um hábito muito visto, mas a utilização de telemóvel ao volante aumenta drasticamente as probabilidades de acidente. Confira os números.

usar telemóvel ao volante

Utilizar o telemóvel ao volante continua a ser um dos comportamentos mais perigosos nas estradas portuguesas.

Estudos indicam que conduzir ao telemóvel aumenta até quatro vezes o risco de acidente, colocando em perigo não só o condutor, mas também passageiros, peões e outros automobilistas.

Perante esta realidade, foi lançada a campanha “Ligue-se à Vida”, que pretende alertar para as consequências reais desta prática e promover uma mudança de comportamentos.

Porque é tão perigoso usar o telemóvel ao volante?

A condução exige atenção total. Sempre que o telemóvel é utilizado, essa atenção é comprometida em três níveis: visual, manual e cognitivo.

A distração visual acontece quando o condutor desvia os olhos da estrada para o ecrã. Bastam alguns segundos para deixar de ver um semáforo que mudou de cor, um peão que inicia a travessia ou um veículo que trava subitamente.

A distração manual ocorre quando uma ou ambas as mãos deixam o volante para segurar ou manipular o aparelho. A capacidade de reação diminui drasticamente.

Já a distração cognitiva está relacionada com a perda de foco mental na condução. Mesmo quando se utiliza um sistema de mãos-livres, a conversa pode reduzir a capacidade de antecipação e resposta a imprevistos.

A título de exemplo, a 50 km/h, cinco segundos de distração equivalem a percorrer cerca de 70 metros sem plena perceção do que acontece na via.

Em ambiente urbano, essa distância pode ser suficiente para provocar um atropelamento ou colisão grave.

Enviar SMS é particularmente perigoso

Ler ou escrever mensagens durante a condução é uma das formas mais arriscadas de utilização do telemóvel. Este comportamento exige desvio prolongado do olhar, coordenação manual e concentração mental, acumulando os três tipos de distração.

A sensação de que “é só um instante” cria uma falsa perceção de controlo. No entanto, estatisticamente, esse instante pode ser suficiente para desencadear um acidente.

Coimas por utilizar o telemóvel ao volante

mulher a utilizar telemóvel ao volante

O Código da Estrada é claro. É proibida a utilização de telemóvel durante a condução, exceto quando o equipamento é utilizado com sistema mãos-livres que não implique manuseamento contínuo.

Quem for apanhado a utilizar o telemóvel ao volante arrisca a sanções pesadas.

  • Coima entre 250 e 1250 euros
  • Perda de 3 pontos na carta de condução
  • Possível inibição de conduzir, em caso de reincidência ou infração grave

Além das sanções administrativas, se a utilização do telemóvel resultar num acidente com vítimas, podem existir consequências criminais, incluindo acusações por ofensa à integridade física negligente ou homicídio por negligência.

A infração é classificada como contraordenação grave.

Campanha “Ligue-se à Vida” quer travar prática

A campanha “Ligue-se à Vida”, que vai decorrer em alguns distritos do país, foi lançada com o objetivo de sensibilizar os condutores para o impacto real do uso do telemóvel ao volante.

A mensagem é direta, ou seja, ao atender uma chamada ou responder a uma notificação durante a condução, o condutor pode estar a desligar-se da própria vida ou da vida de terceiros.

A iniciativa reforça que a distração é uma das principais causas de acidentes rodoviários e que a prevenção depende de decisões individuais conscientes.

Para além das estatísticas, existem histórias pessoais marcadas por perdas irreparáveis. Um momento de distração pode traduzir-se em ferimentos graves, incapacidades permanentes ou morte.

A utilização do telemóvel ao volante não afeta apenas quem o usa. Passageiros, ciclistas, motociclistas e peões ficam igualmente expostos ao risco.

Veja também