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Catarina Gonçalves
Catarina Gonçalves
03 Fev, 2014 - 11:17

Seguro de proteção ao crédito: o que é e para que serve?

Catarina Gonçalves

Será que compensa ter um seguro de proteção ao crédito? Neste artigo dizemos-lhe de que se trata e quais são as respetivas vantagens deste seguro.

seguro de proteção ao crédito

Vai fazer um crédito e quer assegurar mais proteção para o caso de não o conseguir pagar? É para isso que serve o seguro de proteção ao crédito. Em muitos casos quando faz um empréstimo o banco requer a subscrição de um seguro de crédito. Como funciona? Posso cancelá-lo? Vale a pena? Esclareça estas e outras dúvidas neste artigo.

O QUE É UM SEGURO DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO?

O seguro de proteção ao crédito tem como objetivo salvaguardar uma situação inesperada em que não possa continuar a pagar as prestações do crédito ao banco.

Por exemplo, em situações em que não tenha rendimentos suficientes provocados por baixas médicas ou desemprego. Por estes motivos, os bancos aconselham os seus clientes a fazer um seguro sempre que solicitam um crédito.

fazer um seguro

Tipos de seguros

Há diferentes tipos de seguros de proteção ao crédito: seguro de vidaseguro de desemprego e seguro de doença. O mais usual é o seguro de vida. O que faz este seguro? Permite que as prestações de crédito que ainda não foram pagas até ao final do contrato o sejam em caso de morte ou de invalidez dos respetivos titulares.

Seguro de vida

Em regra pode ser acionado em caso de morte e em caso de invalidez total e permanente a partir de um nível de incapacidade de 60%. Mas é importante ter muita atenção às cláusulas contratuais por causa das exclusões que apresentam.

Outro fator que deve ter em conta neste tipo de seguros é que no caso de situações de invalidez absoluta e definitiva, esta cobertura é muito restritiva pois obriga a que a invalidez resulte num grau de incapacidade muito elevado e que necessite do apoio de terceiros para suprir as suas necessidades essenciais.

No entanto deve ter em consideração que cada seguro é um seguro e que as coberturas variam de companhia para companhia.

Seguro de doença

Este tipo de seguro costuma ser considerado uma cobertura complementar do seguro de vida.

Seguro de desemprego

O seguro de desemprego é apenas para trabalhadores dependentes e destina-se a prevenir situações como despedimento coletivo, extinção do posto de trabalho e despedimento por decisão unilateral da entidade empregadora. Por isso, não é possível contratar este seguro para cobrir situações de desemprego resultante de atividade sazonal ou caducidade de contratos a termo. O despedimento promovido pelo trabalhador com invocação de justa causa está excluído de algumas apólices de seguros de desemprego.

Quando acionar?

Como já vimos os seguros de vida e de doença são acionados sempre que se verifique uma situação estipulada nas cláusulas que permita que isso aconteça. Relativamente ao seguro de desemprego, segundo a Deco, há dois critérios a respeitar:

  • Situação de desemprego involuntário superior a 30 dias;
  • Inscrição no Centro de Emprego e Segurança Social.

Além disso, a seguradora também lhe vai exigir uma cópia da declaração de situação de desemprego preenchida pela entidade patronal, cópia da carta de despedimento e cópia do contrato de trabalho.

Em regra, durante seis meses, no máximo. Em caso de doença ou acidente, a indemnização será paga até que o segurado volte ao trabalho ou seja atingido o limite de 12 meses por sinistro.

VANTAGENS E DESVANTAGENS do seguro de proteção ao crédito

Vantagens

Para começar, se quiser fazer um crédito e estar mais seguro num futuro cada vez mais incerto, um seguro de proteção ao crédito poderá fazê-lo dormir um pouco mais descansado.

No caso de incapacidade ou invalidez, se estiverem dentro das respetivas coberturas, o seguro garante a continuação do pagamento das prestações do crédito.

Já numa situação de desemprego o seguro de proteção ao crédito garante o pagamento das prestações do crédito até 6 meses.

Desvantagens

Apesar das vantagens descritas o seguro de proteção ao crédito apresenta várias desvantagens.

1. Preços muito elevados

Os seguros de protecção ao crédito praticados atualmente no mercado têm custos elevados. Como o prémio do seguro de crédito é único, tem de ser pago no início do contrato pode vir a pagar juros sobre o próprio seguro. Fazer um seguro destes implica que o mesmo vá representar uma boa parte dos custos com o crédito.

2. Períodos de carência de 60 dias

A maioria dos seguros só pode ser activada 60 dias depois de fechado o contrato. Outra das desvantagens é o facto de, após ativar uma cobertura, só poderá fazê-lo novamente seis meses depois. Este período é intitulado de período de requalificação. O que acontece é que se tiver uma recaída dentro deste período, o seguro não irá cobrir.

3. Pagamento só ao fim de 30 dias

O seguro de protecção ao crédito protege, na sua génese, a incapacidade temporária para o trabalho. Ou seja, se o cliente deixar de trabalhar por acidente ou doença, o seguro deveria ficar logo activo. No entanto, a cobertura de um seguro deste género só pode ficar activa caso a incapacidade dure mais de 30 dias. Se durar menos, o seguro não garante as mensalidades.

4. Muitas exclusões e restrições

Os seguros de proteção ao crédito costumam tem muitas exclusões e restrições que podem torná-los inviáveis. Afinal, alguns deles acabam por ter coberturas em situações restritas. Além disso, existem ainda vários requisitos e exigências para ativar as coberturas.

5. Dificuldade em cancelar

Existe a possibilidade de cancelar um seguro de proteção ao crédito. No entanto, se esse seguro tiver sido exigido pelo seu banco como contrapartida das condições em que conseguiu o crédito, não será tarefa fácil cancelá-lo. A consequência provável será um agravamento das condições contratuais do empréstimo.

VALE A PENA FAZER UM SEGURO DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO?

Esta é uma decisão que deve ser devidamente ponderada. Estes seguros apresentam um custo geralmente elevado e que varia de banco para banco. Por exemplo, para um empréstimo de 10 mil euros por um período de 5 anos um seguro deste género pode ir desde 400 mil euros até aos mil euros.

Além disso, a quantidade de restrições e exceções que apresentam pode fazê-lo acreditar numa falsa segurança e estar a pagar por um seguro que poderá não cobrir situações que pensava estar seguro.

Se decidir fazer um seguro de proteção ao crédito siga, pelo menos, estas dicas. Vão ajudá-lo a clarificar o que afinal está coberto e a encontrar o seguro mais económico.

Analise mais que uma seguradora

Nem sempre a seguradora que o banco propõe é a melhor opção. Pode e deve mesmo procurar outras alternativas. Ao comparar diferentes ofertas percebe se vale mesmo a pena contratar um seguro.

Esteja atento às exclusões

Exclusões, limites de indemnização, períodos de carência, franquias e requisitos para acionar o seguro são os aspetos a que deve estar muito atento para não “comprar gato por lebre”.

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