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Luana Freire
Luana Freire
19 Mai, 2022 - 14:17

Varíola-dos-macacos: o que se sabe até ao momento

Luana Freire

Uma doença rara, a varíola-dos-macacos está na origem de mais um surto em países da Europa. Portugal tem casos confirmados.

Tem um nome, no mínimo, curioso e está na origem de um novo surto que causa estranheza, até na comunidade científica. A varíola-dos-macacos é uma doença nada comum na generalidade dos países, mas novos casos estão a espalhar-se e colocam o mundo em alarme.

Entenda o que é esta doença, como se transmite, quais os riscos e o porquê de Portugal estar já em alerta.

Varíola-dos-Macacos: o novo surto

O primeiro caso confirmado no Reino Unido foi de um cidadão de regresso ao país, após uma viagem a Nigéria.

As notícias já correm e é sabido que a varíola-dos-macacos, uma doença viral, rompeu as fronteiras geográficas tradicionais e está a ser motivo de um novo surto. Agora, países europeus, como Espanha e Reino Unido, começam a contabilizar casos da doença e Portugal não fica de fora – é, aliás, a primeira vez que a infeção é detetada no país, desde sempre.

Este quadro endémico é raro mesmo nas localidades onde ocorre com mais frequência – as regiões selvagens de África. É por este motivo que a comunidade científica está atenta.

Mas, afinal, que vírus é este que está a causar um novo surto na Europa?

O que é a varíola-dos-macacos?

A varíola-dos-macacos é uma doença já descoberta nos animais há mais de 60 anos, mais precisamente no Congo em 1958, país onde mais tarde, em 1970, foi registado o primeiro caso num humano. É, portanto, um quadro infecioso de característica zoonótica, ou seja, transmite-se de animais infetados para humanos, que depois são capazes de estabelecer contágios entre si.

O vírus responsável pela doença faz parte de uma família grande, a dos Ortopoxvírus, que é uma velha conhecida da comunidade científica. De entre todos os agentes virais deste grupo, aquele sobre o qual mais ouvimos falar é o que provoca a varíola humana – que, atualmente, é detetada de forma esporádica, uma vez que esta doença foi considerada erradicada em 1976.

Como ocorre o contágio

Os vírus zoonóticos são transmissíveis a partir do contacto direto com um animal que esteja infetado. Em geral, esses animais são macacos ou roedores. No entanto, é possível que haja contágio entre humanos.

O contágio ocorre, sobretudo, através do contacto direto de pele, por meio das lesões apresentadas pelas pessoas infetadas, por secreções respiratórias ou por outros fluidos corporais. A via de transmissão sexual não está especificamente descrita como passível de provocar a infeção, mas está orientada a prática de relações protegidas.

Diante do novo surto, a agência de Saúde Pública do Reino Unido, a Public Health England, tem esclarecido que a varíola-dos-macacos não é facilmente transmitida entre humanos e que é necessário haver um contacto bastante próximo com um doente.

Sintomas

Inicialmente, os sintomas da varíola-dos-macacos incluem:

  • febre;
  • dor de cabeça;
  • dores musculares;
  • dores nas costas;
  • linfonodos inchados;
  • calafrios;
  • exaustão.

A erupção cutânea pode acontecer e, geralmente, tem início na face, antes de se espalhar pelas restantes partes do corpo. Após o seu aparecimento, as erupções secam e formam uma crosta, como uma ferida. De seguida, as crostas cicatrizam e caem.

A infeção pode ser fatal?

É importante relembrarmos que a varíola-dos-macacos é uma doença infeciosa rara, da qual a maior parte dos afetados recupera sem maiores complicações, num período compreendido entre duas a quatro semanas. No entanto, apesar de geralmente ser uma doença ligeira, a verdade é que pode causar doença grave em algumas pessoas.

Segundo dados anteriormente divulgados pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças norte-americano (CDC), baseados em informações que chegaram de África, a infeção levaria a um óbito em cada 10 pessoas. O número parece elevado, mas está bastante abaixo daquele que já foi observado no caso da varíola comum (3 mortes em cada 10 pessoas).

Como prevenir a doença

O principal conselho é evitar o contacto com animais que possam ser hospedeiros do vírus em causa, bem como com objetos que tenham contacto com esses animais.

Outra forma de prevenir o contágio é adotar as medidas de isolamento do doente, quando há um diagnóstico confirmado.

Para a generalidade da população, tal como é orientado para a prevenção de quase todas as doenças contagiosas, está indicado o reforço das normas de higiene corporal, como a lavagem das mãos com sabão e a utilização de um desinfetante à base de álcool.

Tratamento e vacinação

Para já, não existe um tratamento ou uma vacina com efeitos específicos sobre a infeção causada pela varíola-dos-macacos.

Varíola-dos-macacos em Portugal

A Direção Geral da Saúde confirmou, para já, 14 casos da doença.

A origem do surto no nosso país é, ainda, desconhecida, mas sabe-se que nenhum dos cinco primeiros doentes identificados viajou para o continente africano ou teve contacto com algum caso reportado no Reino Unido e na Espanha.

Esses cinco primeiros casos diagnosticados no país, de acordo com as informações divulgadas pela DGS, são homens jovens da região de Lisboa e Vale do Tejo. O estado de saúde dos doentes é considerado estável e um dos sintomas principais tem sido a presença de lesões ulcerativas na pele. Em investigação estão, ainda, algumas dezenas de situações suspeitas.

Sabe-se que, inicialmente, os casos foram identificados durante o decorrer do atendimento dos pacientes numa clínica para tratar doenças sexualmente transmissíveis – isto porque estavam presentes lesões genitais. No entanto, esta pode ter sido, apenas, a forma inicial como foi dado o alerta da doença em Portugal.

De recordar que, apesar de se ter conhecimento de casos confirmados da doença entre homens que estabelecem relações sexuais homoafetivas, os especialistas chamam a atenção para o facto de que, efetivamente, a doença não está relacionada com orientação de sexualidade.

As sugestões de prevenção do contágio são dadas a toda a população, que deve adotar medidas regulares de higienização e estar atenta aos sinais que possam indicar a infeção pela varíola-dos-macacos.

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