Miguel Pinto
Miguel Pinto
06 Mai, 2026 - 11:00

Viagem Medieval de 2026 regressa ao Condado Portucalense

Miguel Pinto

A Terra de Santa Maria volta a receber a viagem medieval, evento que faz 30 anos. Os heróis são Afonso Henriques e o Condado Portucalense.

viagem medieval

Muitas cidades guardam a Idade Média nas pedras dos seus castelos. Santa Maria da Feira vai mais longe e durante doze dias, entre 29 de julho e 9 de agosto, faz reviver esse passado nas ruas com a Viagem Medieval em Terra de Santa Maria.

É o maior evento de recriação histórica da Península Ibérica e uma referência no circuito europeu de festivais medievais. E em 2026 o evento chega à data redonda dos 30 anos de existência.

Para celebrar este marco, os organizadores escolheram um tema com peso simbólico especial, o Condado Portucalense, o berço do estado português.

D. Afonso Henriques e o Condado Portucalense

afonso henriques

Quem acompanha a Viagem Medieval ao longo dos anos sabe que cada edição corresponde a um período diferente da história medieval portuguesa, percorrendo reis e reinados numa sequência cronológica.

Se em 2025, chegámos ao reinado de D. Duarte, para este ano os organizadores decidiram recuar no tempo e regressar ao ponto de partida. O tema escolhido é o Condado Portucalense, a entidade política fundada no final do século XI que viria a tornar-se a semente de Portugal.

É um regresso com significado, já que foi também este o tema que inaugurou a primeira contagem sequencial do tempo, em 2010, na 14.ª edição. Dezasseis anos depois, volta com nova roupagem, novos protagonistas e conteúdos de programação inteiramente renovados.

O contexto histórico que vai ganhar vida

No final do século XI, Afonso VI, imperador da Hispânia, doa ao genro Henrique da Borgonha um vasto território que se estende de Coimbra até ao castelo de Lobreira, incluindo a Terra de Santa Maria, Lamego e Viseu. É assim que nasce o Condado Portucalense.

Em 1112, após a morte de Henrique, o governo passa para D. Teresa, mulher determinada e estratega hábil que se intitulará rainha em 1117. É precisamente na vila da Feira, junto ao seu castelo, que D. Teresa distribui doações pelos senhores locais, em reconhecimento dos serviços prestados na defesa de Coimbra face ao cerco dos almorávidas.

A rainha vive no centro das disputas pelo poder entre a nobreza portucalense e as famílias galegas, conflitos que culminam na Batalha de São Mamede, a 24 de junho de 1128.

Nesse dia, o seu filho Afonso Henriques vence e toma o governo, inaugurando uma nova soberania e a autonomia do Condado face ao reino leonês. O caminho para Portugal estava aberto. É esta história que a Viagem Medieval de 2026 se propõe contar.

Viagem Medieval: uma cidade inteira como palco

O que distingue a Viagem Medieval dos outros festivais medievais europeus não é apenas o tema ou a qualidade da produção, é a escala. O recinto ocupa 33 hectares do centro histórico de Santa Maria da Feira. Dois mil atores e figurantes percorrem ruas, praças e muralhas durante doze dias consecutivos.

O Castelo de Santa Maria da Feira, uma das mais bem preservadas fortalezas medievais de Portugal, serve de cenário central. À volta, mercados medievais, áreas temáticas, zonas de gastronomia e praças de animação transformam a cidade num palco vivo onde o visitante não é apenas espectador: é parte da cena.

Datas, horários e espetáculo de abertura

O evento decorre entre 29 de julho e 9 de agosto de 2026. Mas a magia começa um dia antes, na noite de 28 de julho, com a realização do espetáculo de abertura no centro histórico da cidade, com entrada livre.

As noites, particularmente após as 22h00, têm uma atmosfera diferente. É quando os espetáculos de fogo, as grandes produções teatrais e os videomappings nas muralhas do castelo transformam o cenário medieval num espetáculo de luz e som que dificilmente se esquece.

Bilhetes e preços para 2026

A Viagem Medieval tem um sistema de bilheteira estruturado que compensa quem planeia com antecedência. Para 2026, está previsto um ajustamento médio de cerca de um euro face à edição anterior, refletindo a atualização de custos operacionais:

Bilhete diário – válido para um único dia e não permite reentrada. Recomendado para quem visita pela primeira vez e quer explorar o evento num só dia. De domingo a quinta são 6 euros, às sextas e sábados 8 euros.

Pulseira de acesso – permite entrada ilimitada durante os 12 dias do evento. É a opção mais popular entre a população local e a escolha mais racional para quem fica dois ou mais dias. A venda por fases premeia quem compra cedo. Até 15 de julho custa 10 euros, depois passa para 12.

Pulseira Real – introduzida em 2025 e mantida em 2026, inclui tudo o que a pulseira normal oferece, mais acesso ao Castelo D’El Rei e ao Torneio Medieval, área exclusiva dentro do recinto. O valor é de 15 euros, com venda exclusiva até 15 de julho.

As crianças até aos 5 anos têm entrada gratuita. Pessoas com deficiência e mobilidade reduzida beneficiam de desconto, com acompanhante incluído nos casos em que não há autonomia. Os bilhetes estão disponíveis em www.viagemmedieval.com, na FNAC e noutros pontos de venda habituais.

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