Miguel Pinto
Miguel Pinto
23 Jun, 2026 - 13:00

Ao volante do Volvo EX90: conforto escandinavo e 680 cv de pura eficiência

Miguel Pinto

O Volvo EX90 é um SUV 100% elétrico e que pode levar até sete pessoas. Mesmo assim, tem um desempenho que não deixa de impressionar.

Volvo EX90

Nem todos os automóveis conseguem impor respeito antes sequer de se carregar no botão de arranque. O Volvo EX90 é um desses casos. Surge à distância como um bloco de design escandinavo cuidadosamente esculpido, quase minimalista, mas à medida que nos aproximamos percebe-se que há aqui muito mais do que um simples SUV elétrico de grandes dimensões. Muito mais.

Num mercado onde alguns fabricantes parecem competir para ver quem consegue colocar mais ecrãs, mais luzes LED e mais efeitos especiais dentro de um automóvel, a Volvo seguiu outro caminho. Mais discreto. Mais elegante. Talvez até mais inteligente. E, francamente, isso sabe bem.

Volvo EX90: um SUV elétrico que não precisa de gritar

Com mais de cinco metros de comprimento e quase dois metros de largura, o Volvo EX90 não passa despercebido.

Ainda assim, evita a ostentação gratuita que se tornou quase obrigatória no segmento premium. As linhas são limpas, os volumes bem proporcionados e a frente fechada transmite imediatamente a identidade elétrica do modelo.

A unidade ensaiada apresentava-se na tonalidade Sand Dune, combinada com jantes de 22 polegadas de acabamento preto brilhante e corte diamantado.

O resultado é curioso. O EX90 parece simultaneamente sofisticado e robusto, como se estivesse preparado tanto para uma reunião de administração como para uma escapadinha de inverno na serra.

Depois existe o teto eletrocromático.

É daqueles detalhes que parecem um capricho tecnológico até ao momento em que se utiliza. Depois torna-se difícil imaginar voltar atrás.

O luxo moderno não vive do couro

interior do volvo ex90

Abrir a porta do Volvo EX90 é entrar numa interpretação muito sueca do conceito de luxo. Não há excesso. Não há decoração espalhafatosa. Não há aquela necessidade quase desesperada de impressionar que alguns rivais alemães ainda exibem. O ambiente transmite serenidade.

Os estofos Nordico ventilados, os elementos decorativos Brown Ash e a iluminação ambiente criam uma atmosfera mais próxima de uma sala contemporânea de arquitetura nórdica do que de um automóvel tradicional.

E depois existem os bancos. Ventilados. Aquecidos. Com função de massagem. Ajustáveis eletricamente. Ao fim de algumas centenas de quilómetros percebe-se que a Volvo continua a fabricar alguns dos melhores bancos da indústria automóvel. E não é de agora.

A segunda fila oferece espaço abundante e a terceira fila, algo raro neste segmento, é realmente utilizável por adultos em trajetos curtos.

O EX90 acomoda até sete ocupantes sem transformar os passageiros das últimas posições em vítimas de uma experiência antropológica.

680 cavalos. Porque a física gosta de ser contrariada

Há algo de absurdo num SUV familiar com 2.765 kg que acelera dos 0 aos 100 km/h em apenas 4,2 segundos. E, no entanto, é exatamente isso que acontece.

Os dois motores elétricos debitem uns impressionantes 680 cv e 870 Nm de binário. Os números são dignos de um superdesportivo de há poucos anos, mas aqui estão instalados num veículo capaz de transportar sete pessoas, malas para férias e ainda rebocar até 2.200 kg.

A aceleração é brutal, mas não dramática. Não existe o rugido de um V8 nem a teatralidade de um motor de combustão levado ao limite. Existe apenas uma força contínua e aparentemente inesgotável que empurra o EX90 para a frente com uma facilidade desconcertante.

É quase estranho e o cérebro demora alguns segundos a aceitar que um automóvel desta dimensão se mova com tamanha ligeireza.

Conforto primeiro, sempre.

lateral do Volvo EX90

Mesmo com toda esta potência disponível, o EX90 não tenta ser um SUV desportivo. Ainda bem. A suspensão pneumática ativa foi claramente afinada para privilegiar o conforto e a estabilidade em viagem. O resultado é uma qualidade de rolamento notável, especialmente em autoestrada, onde o modelo sueco parece deslizar sobre o asfalto.

Em estradas secundárias sinuosas sente-se o peso. Seria impossível não sentir. Mas nunca se torna desajeitado.

Pelo contrário. Existe uma serenidade permanente na forma como o chassis gere as massas e como a eletrónica trabalha discretamente em segundo plano. Nada parece artificial. Nada parece forçado.

Tecnologia que ajuda em vez de distrair

Nos últimos anos criou-se uma estranha tendência na indústria automóvel de complicar tarefas simples. A Volvo decidiu remar contra a corrente.

O sistema multimédia, centrado num ecrã vertical de 14,5 polegadas, integra os serviços Google, incluindo Google Maps, Google Assistant e Play Store. A navegação é intuitiva, rápida e, sobretudo, lógica.

Também não faltam atualizações remotas OTA, conectividade 5G, Apple CarPlay sem fios e Android Auto. Tudo funciona com a naturalidade que deveria ser obrigatória em qualquer automóvel desta faixa de preço.

O sistema de som Bowers & Wilkins merece igualmente destaque. Não é apenas potente. É refinado. Num momento reproduz um quarteto de cordas com precisão cirúrgica; no seguinte transforma uma playlist de rock numa experiência quase física.

Volvo XC90
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Segurança continua a ser a religião da Volvo

Nenhuma análise a um Volvo estaria completa sem abordar a segurança. O EX90 representa provavelmente a expressão mais avançada dessa filosofia até à data.

O conjunto inclui tecnologia de deteção avançada, monitorização do condutor, assistência à travagem em cruzamentos, sistema BLIS, Pilot Assist, câmara 360 graus e múltiplos sistemas destinados a evitar colisões antes mesmo de o condutor perceber que existe perigo.

A sensação que fica é curiosa. Não é a de estar a ser constantemente vigiado. É antes a perceção de que existe uma rede invisível de proteção pronta a intervir quando necessário. E isso, num automóvel familiar, vale mais do que muitos cavalos de potência.

Autonomia para esquecer a ansiedade

EX90 a carregar

A bateria de 106 kWh permite anunciar até 606 quilómetros de autonomia em ciclo combinado WLTP e até 752 quilómetros em ambiente urbano. Em condições reais, estamos a falar de 430 quilóemtros, oq eu para um carro destas dimensões é assinalável.

Mais importante do que os números oficiais é a confiança que o conjunto transmite.

A arquitetura elétrica de 800 volts permite carregamentos rápidos particularmente eficazes, sendo possível recuperar a bateria dos 10 aos 80% em cerca de 22 minutos num posto DC de 350 kW.

Traduzido para português corrente, o tempo necessário para um café, uma ida à casa de banho e aquela inevitável caminhada na estação de serviço à procura de um snack que não custe o equivalente a uma prestação do carro.

Veredicto

O Volvo EX90 não procura ser o SUV elétrico mais exuberante do mercado. Nem o mais desportivo. Nem o mais provocador. Procura algo mais difícil. Procura ser o automóvel que faz tudo bem.

E consegue aproximar-se perigosamente desse objetivo.

É confortável, extremamente rápido, tecnologicamente avançado, espaçoso e construído com uma coerência rara numa indústria que tantas vezes parece correr atrás de modas passageiras.

Talvez não seja o SUV elétrico que faz bater o coração mais depressa. Mas é, muito provavelmente, um dos que faz mais sentido. E, nos tempos que correm, isso pode ser o maior elogio que se pode fazer a um automóvel.

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