Valdemar Jorge
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03 Jan, 2024 - 15:01

Yamaha DT 50: a cinquentinha que marcou toda uma geração

Valdemar Jorge

A Yamaha DT 50 é uma motorizada icónica e que ficou marcada no imaginário de toda uma geração. Ainda se lembra dela?

Yamaha DT 50 vermelha

Já aqui abordamos a história da Yamaha 50 RZ que deixou saudades a muitos fãs das duas rodas, em Portugal. Mas, impunha-se fazer uma pequena “viagem” à história de outra motocicleta da marca nipónica, a Yamaha DT 50.

A Yamaha contribuiu nas décadas de 70, 80 e 90, para o que se chamava na altura “as cinquentinhas”. Lote de motos de pequena cilindrada, leves, ágeis e com design arrojado que chegaram à Europa para conquistar a juventude daquela época.

A Yamaha DT (Dual Terrain) 50 era, à época, muito popular. Encontrava-se às dezenas nas cidades. O pequeno zumbido do motor de 50 cc era infernal. Ouvia-se a toda a hora e muitos eram os jovens que se deslocavam para a escola secundária no pequeno motociclo.

Fintavam as filas de trânsito com arrojo e alguma elegância, devido ao bailado que condutor e motociclo faziam. Existiam em quatro cores e contagiaram dezenas e dezenas de jovens.

Um sucesso chamado Yamaha DT 50

Mas o que tornava a Yamaha DT 50 objeto de desejo por parte de tantos jovens?

Primeiro simbolizava afirmação perante os outros. Representava o status dentro da sociedade a que se associava o sentido de liberdade e independência.

Os jovens, para conduzirem os motociclos, tinham de obter a Licença de Condução de Velocípedes. E esse passo, aos 16 anos, era um sinal de independência e liberdade perante os pares. Tal como obter a licença de condução automóvel aos 18 anos.

Depois, a Yamaha DT 50 apresentava-se no mercado perante forte concorrência, como por exemplo, a Casal K270, Zundapp GTS50, Macal M70 ou a Honda CT70. Por isso, esgrimia argumentos como qualidade de construção, robustez e fiabilidade.

A estes somava uma ciclística que permitia condução fora de estrada, mas que estava bem adaptada ao uso quotidiano em cidade, devido ao baixo peso e, com suspensões dianteira e traseira macias, jantes de raios, banco longo e razoável altura ao solo que permitia passar por todo o tipo de piso. Além disso era económica, ao gastar apenas 4,7 litros de combustível por cada 100 km.

Em suma, a Yamaha DT 50 apresentava argumentos que a tornavam uma boa escolha para quem estava a aprender a conduzir veículos de duas rodas. Devido ao preço baixo, no ato de compra, e à manutenção económica, tornou-se tão popular que o modelo vendia-se “a ele próprio” como se diz na gíria.

Yamaha DT 50 branca
A Yamaha DT 50 rapidamente se tornou na favorita entre os mais jovens

Yamaha produziu diversas variantes da DT 50

A Yamaha DT 50 brilhou de 1978 a 2012. Durante 34 anos o pequeno motociclo cumpriu percurso comercial muito interessante e o sucesso levou a que a marca nipónica fosse reinventando e aperfeiçoando a “receita” para que o modelo continuasse na berra.

A Yamaha equipava a DT 50 com motor a dois tempos de 50 cc, que produzia cerca de 6 cv de potência e atingia velocidade máxima de 70 km/h. Embora com caraterísticas off-road estava igualmente adaptada ao uso em áreas urbanas.

Com o correr dos anos a Yamaha aperfeiçoou a DT 50 modernizando-a e dotando-a de novas tecnologias. Foi o que aconteceu em 1983 com a pequena “cinquentinha” a receber mono amortecedor traseiro; em 1985 com a chave de ignição a dar lugar à eletrónica ou em 1988, com a estética a evoluir com o farol dianteiro redondo a dar lugar a um farol retangular.

Com os anos também foi dada atenção à evolução não só das suspensões do trem dianteiro, bem como aos travões, que ao princípio eram só suficientes para parar a DT 50.

Assim, nos anos 90 uma das grandes atualizações realizadas prendeu-se com o upgrade do sistema de travagem dianteiro. A Yamaha DT LC recebia travão de disco que permitiu superior capacidade de travagem e, por consequência, maior segurança na condução.

Outro modelo como a DT 50X, com aspeto mais robusto e equipada com travões de disco à frente e atrás continuou a senda de sucesso da DT 50, que durante anos foi igualmente utilizada, devido à sua fiabilidade, por dezenas de agentes da Polícia de Segurança Pública, que efetuavam patrulhas, nomeadamente, nas cidades.

Países onde foi vendida

A Yamaha DT 50 foi comercializada em vários continentes e países, nomeadamente:

  • Europa: França, Espanha, Alemanha, Reino Unido, Portugal, Itália;
  • América Latina: Brasil, México, Argentina, Chile;
  • Ásia: Japão, Índia, Indonésia, Filipinas;
  • África: África do Sul, Marrocos;
  • Oceânia: Austrália, Nova Zelândia.

Yamaha DT 50 em Portugal

A Yamaha DT 50 chegou a Portugal em 1978. Rapidamente se tornou um sucesso de vendas, devido ao desempenho e robustez.

A pequena motocicleta estava equipada com um motor de dois tempos e 50 cc, o que a tornava ideal para a prática de motocross e enduro, além da utilização em meio urbano.

Nos anos 80 a DT 50 foi uma das “cinquenta” mais populares no nosso país, juntamente com a Yamaha RD 350 LC e a Yamaha DT 125. O modelo era visto como um veículo que tinha boa performance.

Na década de 90, continuava a desfrutar de grande popularidade, graças às características técnicas e design atraente, mas também por ser alvo de diversas modernizações, com novas tecnologias e atualizações no motor e suspensão.

Atualmente continua a ser objeto de desejo de colecionadores e entusiastas do off-road em Portugal. E claro, por todos aqueles que gostam de desfrutar de um passeio numa das “cinquentinhas” mais populares de sempre.

As imagens constantes neste artigo foram gentilmente cedidas pelo Oldtimer Studio Lisboa.

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