Miguel Pinto
Miguel Pinto
23 Jul, 2026 - 12:00

Aeroporto Luís de Camões: veja as primeiras imagens

Miguel Pinto

Parece ser desta que o projeto do novo aeroporto de Lisboa vai finalmente avançar. E já há algumas imagens de como será a estrutura.

novo aeroporto lisboa

Depois de mais de cinco décadas de estudos, adiamentos e mudanças de rumo, o novo aeroporto de Lisboa começa finalmente a ganhar forma concreta.

O Aeroporto Luís de Camões, a construir no Campo de Tiro de Alcochete, na margem sul do Tejo, é já o maior projeto de infra-estruturas alguma vez planeado em Portugal, com um investimento que pode ultrapassar os 8 mil milhões de euros.

A localização foi escolhida com base nas conclusões de uma Comissão Técnica Independente que analisou várias alternativas para a expansão da capacidade aeroportuária de Lisboa, encerrando uma discussão que envolveu, ao longo dos anos, hipóteses como a Ota, o Montijo e Rio Frio.

A nova infraestrutura destina-se a substituir progressivamente o Aeroporto Humberto Delgado, na Portela, que enfrenta há vários anos problemas de saturação de capacidade, sobretudo devido ao crescimento sustentado do turismo e do tráfego aéreo em Portugal.

Números que definem o Aeroporto Luís de Camões

Segundo o relatório técnico apresentado publicamente no Centro Cultural de Belém, o futuro aeroporto deverá abrir com duas pistas e um terminal de passageiros com cerca de 500 mil metros quadrados, equipado com 64 portas de embarque e 72 pontes de embarque em contacto.

A capacidade inicial prevista é de 56 milhões de passageiros por ano, com possibilidade de expansão futura até 85 milhões, um salto considerável face aos cerca de 35 milhões de passageiros que a Portela já regista atualmente em condições de saturação.

Quanto ao investimento, as estimativas mais recentes apontam para um valor entre 7,9 mil milhões e 8,9 mil milhões de euros, a preços de 2024, superior à estimativa inicial de cerca de 8,5 mil milhões de euros avançada em 2025.

O plano prevê ainda que a construção arranque em 2029 e fique concluída até 2033, seguindo-se um período de testes e certificação até à entrada em funcionamento.

interior do novo aeroporto

Como vai ser feita a ligação ao centro de Lisboa

Um dos aspetos mais aguardados do projeto é a forma como o aeroporto vai ligar-se ao resto do país.

De acordo com o plano apresentado, o Aeroporto Luís de Camões ficará a cerca de 20 minutos do centro de Lisboa por comboio.

A futura estação ferroviária será servida por quatro linhas e três plataformas, com ligações diretas de longo curso a diversas regiões de Portugal, incluindo a futura linha de alta velocidade.

A estimativa oficial aponta para cerca de 20 milhões de passageiros por ano a utilizar os serviços ferroviários para chegar ou sair do aeroporto.

A abertura da linha de alta velocidade e da ligação ferroviária dedicada está prevista para 2034, um marco essencial para garantir que a nova infra-estrutura não fica isolada da restante rede de transportes do país.

Está ainda em discussão a integração com as futuras linhas de alta velocidade Lisboa-Porto e Lisboa-Madrid, bem como uma eventual nova travessia do Tejo, considerada por vários especialistas como decisiva para o sucesso da localização escolhida.

Calendário: quando abre o novo aeroporto

O calendário oficial tem sofrido pequenos ajustes ao longo dos últimos meses, mas o cenário mais provável aponta para uma abertura entre 2035 e 2037.

A ANA-Aeroportos de Portugal admite conseguir antecipar a inauguração para o final de 2036, caso sejam aprovadas otimizações ao cronograma atual, embora o Governo mantenha como objetivo formal concluir a obra até 2035.

Até essa data, o Aeroporto Humberto Delgado continuará a ser a principal porta de entrada aérea do país.

O Governo já garantiu que vai reforçar a capacidade da Portela durante este período de transição, com obras de modernização de terminais e áreas de embarque, para evitar constrangimentos enquanto Alcochete não estiver concluído.

aeroporto luís de camões

Novo aeroporto: quem vai pagar a obra

Segundo a proposta apresentada pela ANA, todo o investimento deverá ser suportado sem recurso direto a financiamento público. Cerca de sete mil milhões de euros seriam obtidos através da emissão de dívida pela concessionária.

Para garantir o retorno deste investimento, foi ainda proposto prolongar por mais 30 anos o atual contrato de concessão aeroportuária, que termina em 2062, estendendo-o até 2092.

Está também prevista uma atualização gradual das taxas aeroportuárias cobradas na Portela entre 2026 e 2030, como forma de apoiar o equilíbrio financeiro do projeto.

Antes do início das obras, é ainda necessário desmilitarizar o Campo de Tiro de Alcochete, atualmente sob gestão da Força Aérea Portuguesa.

O Governo já aprovou uma verba até 4,5 milhões de euros para os trabalhos preparatórios, com o objetivo de libertar a área destinada ao novo aeroporto até 2029.

um bilhete para todos os comboios
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Aeroporto: desafios e críticas ao projeto

Apesar dos avanços recentes, o Aeroporto Luís de Camões continua a gerar debate.

Para vários críticos, esperar até 2036 ou 2037 representa um prazo demasiado longo, tendo em conta a pressão crescente sobre a Portela e o crescimento contínuo do turismo em Portugal.

O impacto ambiental é também motivo de atenção. A zona de Alcochete é vulnerável a cheias e o Estudo de Impacte Ambiental (que a ANA prevê submeter ao Governo ainda este mês) terá de responder a estas preocupações antes de o projeto poder avançar para a fase seguinte.

Outro ponto de discussão prende-se com o próprio dimensionamento da infraestrutura.

O Governo já solicitou à ANA uma revisão das estimativas de tráfego, de forma a garantir que o novo aeroporto não fica subdimensionado face à procura futura, nem sobredimensionado face às necessidades reais.

No fundo, discute-se que tipo de aeroporto Portugal precisa construir para as próximas décadas: uma infraestrutura ajustada às necessidades atuais ou uma grande plataforma pensada para transformar Lisboa num dos principais centros aéreos da Europa.

sala do novo aeroporto

Projeto com mais de meio século de história

A procura de uma localização alternativa para o aeroporto de Lisboa não é recente. O primeiro estudo remonta a 1969, ano em que foi criado o “Gabinete do Novo Aeroporto de Lisboa”, ainda durante o Estado Novo.

Ao longo de décadas, o processo avançou e recuou várias vezes, sem que nenhuma solução chegasse a ser concretizada.

A decisão final só foi tomada a 14 de maio de 2024, quando o primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou oficialmente que o novo aeroporto seria construído em Alcochete e que passaria a chamar-se Aeroporto Luís de Camões, em homenagem ao poeta autor de “Os Lusíadas”.

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