Cláudia Pereira
Cláudia Pereira
08 Jul, 2026 - 16:00

A economia por trás dos anéis de divórcio: vale a pena transformar a joia do casamento?

Cláudia Pereira

Os anéis de divórcio estão a crescer lá fora. Analisamos os números: quanto custa transformar, vender ou guardar a joia e qual o que compensa mais.

Depois de um divórcio, há decisões financeiras óbvias, como dividir contas, rever o orçamento, tratar da partilha da casa. Há uma, porém, que raramente entra nessa lista: o que fazer ao anel de noivado.

Nos Estados Unidos, um número crescente de mulheres está a resolver essa dúvida transformando a peça original numa joia nova, batizada de “anel de divórcio”. O caso mais visível é o da modelo Emily Ratajkowski, que remodelou o anel de noivado em dois anéis separados depois de se divorciar, mas o fenómeno já ultrapassou as celebridades e chegou a joalharias de bairro.

O que falta nessa conversa é a parte financeira: transformar uma joia tem custo, vendê-la tem perda, e guardá-la também não é neutro. Vale a pena olhar para os três caminhos como uma decisão de gestão de um ativo, não apenas como um gesto simbólico.

A tendência em números

A joalheira norte-americana Lauren Boc, da Hera Fine Jewelry, refere um aumento de 300% nos pedidos de joalharia pós-separação desde que começou a publicar sobre o seu próprio anel de divórcio nas redes sociais. É um número da sua clientela, mas mostra a velocidade da procura.

Para enquadrar a escala do setor onde este fenómeno nasce: a indústria global associada a casamentos foi avaliada em 925 mil milhões de dólares em 2024, segundo a Deep Market Insights. Os anéis de divórcio são, para já, uma fração residual desse mercado, mas residual não significa irrelevante para quem está a decidir gastar ou não. Não há dados equivalentes divulgados para Portugal. O fenómeno, por agora, é sobretudo anglo-saxónico.

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Três caminhos, três custos diferentes

Depois de um divórcio, há três decisões possíveis para o anel de noivado e cada uma tem uma lógica financeira distinta.

Redesenhar é a opção mais cara à cabeça: segundo dados recolhidos junto de joalheiras dos EUA, o processo começa nos 2.000 dólares (cerca de 1.850 euros) quando a pedra é apenas recolocada numa armação nova, e sobe entre 100 e 300 dólares por cada elemento adicional como pedras coloridas, diamantes de laboratório extra.

Vender a peça tal como está costuma parecer o caminho mais simples, mas raramente é o mais rentável. O motivo está na estrutura do próprio mercado, explicada a seguir.

Guardar sem decidir tem custo zero imediato, mas não é uma escolha neutra: um diamante parado não gera retorno e continua exposto ao risco de perda, dano ou disputa na partilha, se esta ainda não estiver fechada.

O cálculo importante: quanto vale mesmo um diamante em segunda mão

Aqui está o ponto que separa uma decisão emocional de uma decisão financeira informada: um diamante lapidado vale, tipicamente, muito menos em revenda do que o preço pago originalmente, muitas vezes 30% a 50% menos, consoante o mercado e o certificado.

A razão é estrutural, não é sobre a pedra em si: o preço de retalho de um anel de noivado inclui a margem do joalheiro, o design, a certificação e, muitas vezes, uma marca. Quando se vende a peça a um comprador de segunda mão ou a uma casa de penhores, esse valor acrescentado desaparece, pois, só resta o valor da pedra e do metal.

É por isso que redesenhar pode compensar mais do que vender, mesmo custando 1.850 euros ou mais: aproveita-se o valor total da pedra original, sem sofrer o desconto da revenda. Um diamante com certificado GIA (o mais reconhecido internacionalmente) mantém melhor o valor do que uma pedra sem certificação, um detalhe que vale a pena confirmar antes de decidir seja qual for o caminho.

Três cenários, três leituras financeiras

Para quem está a decidir, ajuda pensar em três perfis diferentes.

Se o objetivo é recuperar liquidez, por exemplo, para reforçar um fundo de emergência depois do divórcio, vender pode ainda ser a melhor opção, apesar do desconto, porque converte um ativo parado em dinheiro disponível de imediato.

Se o objetivo é manter o valor da pedra sem gastar mais, guardar é a opção mais barata a curto prazo, mas adia a decisão e o anel continua sem gerar qualquer retorno.

Se o objetivo é usar a joia no dia a dia sem o peso simbólico do desenho original, redesenhar é a única das três opções que devolve utilidade à peça, ao custo de um investimento inicial que ronda os 1.850 euros.

Não há resposta certa universal. Há, isso sim, uma pergunta a fazer antes de decidir: o anel vai ficar guardado, vai ser usado, ou vai ser convertido em dinheiro? A resposta a essa pergunta, mais do que a tendência em si, é que determina o caminho mais racional.

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