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Teresa Campos
Teresa Campos
12 Jun, 2022 - 20:29

Anti-inflamatórios e dor nas costas: efeito reverso?

Teresa Campos

Uma investigação científica concluiu que, afinal, anti-inflamatórios e dor nas costas podem ter uma relação inesperada. Saiba qual.

Costuma sentir dores lombares? Então, certamente, já tomou medicação para aliviar esse desconforto. Porém, aquilo que talvez não imagine é que anti-inflamatórios e dor nas costas podem ter uma relação bastante inesperada.

Algumas pesquisas e estudos têm evidenciado que, ao contrário do que se pensava e seria expectável, os anti-inflamatórios podem não só não atenuar as dores lombares, como inclusive agravá-las. Perceba melhor.

Anti-inflamatórios e dor nas costas: saiba o que um estudo revelou

As conclusões de uma investigação publicadas na revista Science Translational Medicine adiantam que determinados anti-inflamatórios, como a dexametasona e o diclofenaco, podem aumentar as dores nas costas, em vez de as atenuarem.

A amostra usada na pesquisa evidenciou que uma parte significativa dos participantes que tomou medicações anti-inflamatórias não esteroides sofreu mais de dores lombares persistentes e crónicas.

Dor aguda vs dor crónica

Segundo os cientistas envolvidos nesta pesquisa, a explicação para estes resultados pode estar no facto do organismo precisar da inflamação da dor aguda nas costas (isto é, com duração inferior a 3 meses) para prevenir a instalação da dor crónica nas costas (ou seja, com duração superior a 3 meses).

A sustentar esta interpretação dos dados está o facto de mais de 15% dos pacientes com uma crie aguda de dor nas costas acabar por evoluir para um quadro crónico de dor lombar. Assim, a questão que se colocou foi por que é que alguns doentes evoluíam para dores crónicas nas costas e outros não.

Para dar resposta a esta pergunta, os investigadores colocaram algumas hipóteses e compararam os dados genéticos dos pacientes cuja dor de costas evoluiu para crónica e aqueles em que a dor cessou.

As conclusões foram claras. No caso dos doentes em que a dor lombar evoluiu para crónica e o sistema imunológico permaneceu estático, enquanto nos demais pacientes houve um pico de atividade dos seus genes inflamatórios, durante o período agudo da dor.

A experiência

Para aprofundar as conclusões do estudo, os investigadores administraram a animais com dores leves analgésicos, anti-inflamatórios ou anticorpos.

Posteriormente, foi possível perceber que os animais que receberam analgésicos, como a lidocaína, sentiram uma atenuação da dor, bem como aqueles que foram injetados com células imunes, os neutrófilos.

Já a toma de anti-inflamatórios, como a dexametasona ou o diclofenaco, fez os animais sentirem um alívio inicial da dor, sendo que ela não deixou de persistir, à posteriori.

Cruzando estas evidências com os dados que tinham sido recolhidos acerca dos pacientes, foi possível perceber que a toma de anti-inflamatórios não esteroides eleva em 1,76 vezes o risco de dor crónica, em comparação com a toma de outros fármacos, como os analgésicos.

Conclusão

De acordo com um dos investigadores, Massimo Allegri, este estudo deve levar a comunidade médica a repensar as estratégias de prevenção e de tratamento das dores nas costas. Assim, numa fase inicial da dor, é importante dar espaço à resposta do sistema imunitário, não  avançando logo para a toma de anti-inflamatórios quer não esteroides, quer esteroides.

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