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Teresa Campos
Teresa Campos
12 Nov, 2018 - 17:31

Antibiótico para animais: para que serve e quando administrar

Teresa Campos

Assim como há para humanos, existe também antibiótico para animais. Aprenda o que é, para que serve e como administrá-lo.

Antibiótico para animais: para que serve e quando administrar

Muito se tem falado sobre os riscos dos antibióticos para humanos. Pois fique a saber que os mesmo riscos são válidos no que diz respeito a antibiótico para animais. Por essa razão, é importante saber para que servem, afinal, estes fármacos e como devem ser administrados, de forma a tratar o seu patudo, sem potenciar o surgimento de bactérias multi-resistentes.

Sabia que num estudo realizado pela DECO — Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor – em 2017, conclui-se que quase 40% das farmácias portuguesas visitadas venderam antibiótico para animais, sem receita médica? Este é um dos problemas que preocupa a Ordem dos Médicos Veterinários e, por isso, o conselho que deixamos é mesmo que nunca administre antibiótico para animais sem orientação do veterinário.

Antibiótico para animais: saiba quando administrá-lo

O que são e para que servem?

Os antibióticos, quer para animais, quer para humanos, são medicamentos que matam ou previnem a multiplicação de bactérias. São utilizados para tratar infeções bacterianas em praticamente todas as regiões do corpo.

As penicilinas e as sulfonamidas foram os primeiros antibióticos a serem comercializados, ainda durante a Segunda Guerra Mundial. Desde então, têm sido descobertos centenas de novos antibióticos e, se inicialmente eles eram para uso exclusivos dos humanos, agora também os há para animais.

O uso consciente, ponderado e informado de antibióticos pode ajudar a controlar infeções que, sem eles, poderiam ser fatais. Os antibióticos não podem combater infeções provocadas por vírus ou fungos, por exemplo, mas podem ser administrados como coadjuvantes no tratamento destas ameaças, prevenindo ou combatendo infeções bacterianas secundárias.

Bactérias

É importante perceber que as bactérias estão um pouco por todo o lado: no ar, na água, na terra, etc. Isto significa que todos, nomeadamente o seu animal, estão constantemente expostos a elas e, por isso, sujeitos a contrair uma doença bacteriana.

Porém, convém saber que nem todas as bactérias são prejudiciais, já que algumas pertencem à flora natural do nosso organismo e, portanto, trazem-nos benefícios. É apenas com as bactérias que causam infeções e doenças que nos devemos preocupar e combater com antibióticos.

Sintomas de uma infeção bacteriana no animal

As infeções bacterianas nos animais podem manifestar-se de diferentes formas, pois além de haver uma enorme variedade de bactérias, a severidade da infeção depende também do estado de saúde e da suscetibilidade do animal.

No geral, quando um animal está com algum tipo de infeção bacteriana, ele apresenta uma certa fraqueza, indisposição e menos apetite do que é habitual. Alguns sinais podem mesmo permitir determinar a zona do corpo afetada pela infeção. Assim:

  • infeção na pele – o mais comum é o animal ter comichão. Esta pode dever-se à infeção bacteriana ou a um problema primário como alergia e que depois de se coçar e fazer ferida fica infetado por bactérias. A pele fica vermelha e o pelo é arrancado pelo ato de se coçar, com feridas e pequenas bolhas com secreções;
  • infeção no sistema urinário – apesar da maioria ser assintomática, pode acontecer que o número de vezes que o animal urina, aumente, apesar de fazer poucas quantidades de cada vez devido à dificuldade e dor que sente. Por vezes, a urina pode apresentar uma cor alterada, sendo por isso importante que observe com atenção o comportamento do seu animal;
  • infeção bacteriana nos ouvidos – nesta circunstância, os ouvidos do animal poderão libertar uma secreção purulenta, causar mais comichão e produzir excesso de cera;
  • infeção no sistema digestivo – neste caso, o animal poderá vomitar com frequência, ter diarreia ou aparecer sangue nas fezes;
  • infeção nas vias respiratórias – nesta circunstância, o animal terá dificuldade em respirar e tossir com frequência;
  • infeção no sistema nervoso – dependendo do local afetado, o animal pode apresentar desde dificuldades na sua locomoção até, em casos mais graves, convulsões e coma.

Em qualquer uma destas situações, é importante levar o animal ao veterinário, de forma a que ele possa fazer um diagnóstico mais completo e prescreva os medicamento e antibióticos mais indicados.

Desvantagens e riscos dos antibióticos

O uso generalizado de antibióticos pode conduzir a alguns problemas. As resistências ganhas em relação ao efeito destes medicamentos é um deles. As bactérias podem desenvolver resistências a alguns antibióticos tornando-se, assim, insensíveis à sua ação, continuando a multiplicar-se e a aumentar a infeção, mesmo enquanto o tratamento é administrado.

Por isso, tal como nos humanos, é aconselhável que todo o tratamento com antibióticos seja levado até ao fim, mesmo que já sejam apresentadas melhorias ou, até, uma total recuperação do doente. A suspensão precoce do tratamento cria o risco das bactérias parcialmente resistentes se multiplicarem e darem origem a uma nova geração de bactérias mais resistentes e cada vez mais difíceis de controlar.

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Efeitos secundários

Como qualquer medicamento, os antibióticos têm reações adversas, tais como um ligeiro mal-estar do trato gastrointestinal que pode conduzir a diarreias ou vómitos, ou provocar lesões renais que levam a insuficiência renal, entre outros. Informe o veterinário se for esse o caso ou se o seu animal demonstrar qualquer outro efeito secundário indesejado, de modo ao especialista poder reavaliar a situação terapêutica do animal.

Qual o antibiótico mais indicado?

A escolha do antibiótico indicado para o animal é um passo importante e que deve ser tomado pelo veterinário. Há uma vasta gama de antibióticos, cada um com um perfil adequado para uma parte do corpo e/ou para um tipo de bactéria específicos. Por este motivo, é importante que a sugestão do antibiótico seja feita após uma análise laboratorial do tipo de bactérias presentes na cultura e uma avaliação de quais os antibióticos mais eficazes contra essas bactérias (antibiograma).

O tratamento pode não ser logo eficaz ou, até, não funcionar de todo. Nesses casos, há que realizar mais exames e avaliar quais as outras soluções possíveis e disponíveis para resolver o problema do seu animal.

Antibiótico para animais: o caso da doxiciclina

doenças dos gatos

Se já teve de administrar antibióticos a animais, nomeadamente a cães, provavelmente já se cruzou com este nome: doxiciclina.

Na verdade, este é um antibiótico de amplo espectro, muito eficaz na eliminação de microorganismos. A doxiciclina é um derivado da oxitetraciclina e ambas pertencem ao grupo das tetraciclinas.

O motivo de ser um dos antibióticos mais receitados prende-se com o facto da doxiciclina ser o fármaco com maior grau de lipossolubilidade, ou seja, a molécula penetra de forma direta, sob a forma ativa, através da camada lipídica dos agentes infeciosos. Isso, diminui as resistências, já que possui eficácia contra microorganismos resistentes a outras tetraciclinas. Além disso, a sua absorção não é influenciada pela presença de alimentos no sistema digestivo, o que facilita bastante a sua administração.

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Indicações da doxiciclina em cães e gatos

Este fármaco é, sobretudo, utilizado no tratamento específico das seguintes patologias:

  • Micoplasmose hemotropica causada pelo Mycoplasma haemofelis e haemocanis;
  • Tratamento de infeções do sistema respiratório como rinite, tonsilite, broncopneumonia e complexo respiratório felino; causados pelos seguintes organismos: Pasteurella spp., Bordetella bronchiseptica, Staphylococcus aureus e Streptococcus spp;
  • Infeções do sistema urinário – nefrite intersticial causada por Leptospira spp;
  • Doença de Lyme causada pela Borrelia burgdorferi;
  • Erliquiose;
  • Dirofilariose.

Contra-indicações

A doxiciclina não deve ser administrada:

  • durante a gravidez;
  • em animais jovens;
  • em animais que estejam a fazer tratamento com beta-lactâmicos, fenitoína ou barbitúricos;
  • em conjunto com leite, antiácidos e suplementos de ferro;
  • a dose deve ser ajustada, no caso de existir insuficiência hepática.

Quando está doente, vai ao médico, certo? E, quando o seu filho adoece, leva-o ao pediatra, correto? Então, por que não ir com o seu patudo ao veterinário quando ele está indisposto?

Compreendemos que este é um custo acrescido, mas pense que é algo essencial para garantir a companhia do seu animal de estimação por muito mais tempo. Como percebeu, administrar antibiótico para animais sem indicação de um especialista pode trazer problemas a longo prazo, que não quer com certeza assumir.

Por essa razão, agora que já ficou a conhecer os usos e efeitos do antibiótico para animais, procure sempre a ajuda de um profissional para tomar a decisão certa e selecionar o antibiótico para animais mais indicado para a situação do seu amigo de 4 patas.

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