Basta apontar o telemóvel para cima numa noite limpa para saber o nome da estrela mais brilhante do céu, identificar Vénus ou seguir a Estação Espacial Internacional a passar por cima de casa. As aplicações de astronomia gratuitas fazem tudo isto sem custar um cêntimo, e é por isso que atraem milhões de utilizadores todos os anos. Mas quase todas têm uma segunda versão, paga, que promete catálogos maiores, sem anúncios e funcionalidades para quem já leva a observação do céu mais a sério.
A questão financeira é simples de colocar e mais difícil de responder: compensa mesmo pagar por uma app de astronomia, ou a versão grátis já dá para o que a maioria das pessoas precisa? A resposta muda consoante o hábito de cada um. Uma família que sai ao jardim uma vez por mês para mostrar aos filhos a Lua Cheia tem necessidades muito diferentes de quem já tem telescópio e quer controlá-lo pelo telemóvel.
Este artigo compara o que as versões gratuitas garantem, o que fica reservado para quem paga e em que casos a despesa, normalmente entre poucos euros e cerca de vinte euros, consoante a app, se justifica.
Porque é que quase todas as apps de astronomia têm duas versões
O modelo mais comum entre estas aplicações é o freemium: a versão base é descarregada de graça e financia-se com anúncios, enquanto uma compra dentro da app ou uma subscrição remove esses anúncios e desbloqueia conteúdo extra. É o caso de aplicações populares como o Stellarium Mobile, o Star Walk 2 ou o SkySafari, todas com uma camada gratuita funcional e uma paga mais completa.
Esta estrutura existe porque os catálogos de estrelas, planetas e objetos do espaço profundo têm tamanhos muito diferentes consoante a precisão que oferecem, e manter os mais detalhados online tem custos para os programadores. Por isso, a versão gratuita costuma incluir o suficiente para identificar o que se vê a olho nu, e a paga destina-se a quem quer ver mais além, com telescópio ou binóculos.
O que a versão gratuita já garante
Para a maioria das pessoas, a app gratuita chega perfeitamente. O Stellarium Mobile, por exemplo, mostra em tempo real estrelas, planetas, cometas e satélites (incluindo a Estação Espacial Internacional) só apontando o telemóvel ao céu, e já inclui uma coleção alargada de estrelas e objetos do espaço profundo sem qualquer pagamento, permitindo identificar em poucos segundos estrelas, constelações, planetas, cometas e satélites em tempo real.
O SkySafari, uma das apps mais usadas por astrónomos amadores, tem uma versão base gratuita que já permite apontar o telemóvel ao céu e identificar de imediato estrelas, constelações, planetas e satélites, além de incluir um modo de viagem virtual pelo sistema solar e mais de quatro horas de áudio-guias sobre mitologia e ciência do céu, suficiente para quem quer aprender a reconhecer o céu sem gastar dinheiro. O preço a pagar por esta gratuitidade costuma ser a presença de anúncios e a ausência de controlo de telescópio.
O que só se desbloqueia ao pagar
As versões pagas justificam-se principalmente por três razões: catálogos maiores, ausência de anúncios e ferramentas para quem usa telescópio. No caso do SkySafari, atualmente na sua oitava geração, a diferença entre camadas é grande: a versão Pro, a mais completa, acede a um catálogo com mais de 100 milhões de estrelas, três milhões de galáxias e 750 mil objetos do sistema solar, incluindo todos os cometas e asteroides já descobertos, além de controlar telescópios e câmaras compatíveis via Wi-Fi.
Em termos de preço, a compra da SkySafari 8 Plus surge na App Store por 17,99€. Confirme o preço atual diretamente na App Store ou Google Play antes de comprar.
O Stellarium Mobile segue uma lógica semelhante: a compra do Stellarium Plus desbloqueia um catálogo com mais de 1,81 mil milhões de estrelas do catálogo Gaia, todos os planetas, satélites e cometas conhecidos e mais de dois milhões de nebulosas e galáxias, além de permitir usar a app no terreno sem ligação à internet.
Já o Star Walk 2 oferece uma subscrição opcional que remove anúncios e liberta conteúdo adicional, como filtros de observação e dados diários sobre a posição dos planetas.
Vale a pena pagar? critérios práticos para decidir
A resposta depende do uso que se vai dar à app. Quem observa o céu ocasionalmente, em família ou em passeios de fim de semana, raramente precisa de mais do que a versão gratuita já oferece, os anúncios são o único incómodo real. Já quem tem telescópio, planeia sessões de observação com regularidade ou quer acompanhar eventos astronómicos específicos, como chuvas de meteoros ou conjunções planetárias, tende a rentabilizar o investimento com facilidade, sobretudo nas versões de compra única, que não implicam mensalidades.
Vale ainda a pena ter atenção ao modelo de cobrança: uma compra única de poucos euros costuma compensar mais do que uma subscrição mensal recorrente, sobretudo se a app só for usada em algumas noites por ano. Antes de pagar, aproveite os períodos de teste gratuito quando existem e confirme se consegue cancelar a subscrição com facilidade nas definições da conta da App Store ou da Google Play.
Alternativas totalmente gratuitas para quem não quer gastar nada
Para quem prefere não pagar seja o que for, o Stellarium também existe em versão de computador, totalmente gratuita e de código aberto, sem compras dentro da aplicação. É uma opção sólida para preparar uma noite de observação em casa antes de sair, complementando qualquer app gratuita de telemóvel usada depois no terreno.
No final, a diferença entre pagar ou não pagar por uma app de astronomia raramente é sobre o que se consegue ver no céu, é sobre o conforto de usar a aplicação e a profundidade dos dados que cada pessoa realmente precisa.
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