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Saiba como definir a mesada para os filhos

Vai começar a dar uma mesada ao seu filho/a? Então conheça aqui algumas linhas orientadoras para saber como definir a mesada para os filhos.

Saiba como definir a mesada para os filhos
Ensine os seus filhos a gerir dinheiro desde cedo

Já diz o ditado que “é de pequenino que se torce o pepino”. E é também de pequenino que se aprende a gerir dinheiro. A mesada é um instrumento de educação financeira importante para as crianças, mas é normal os pais não saberem exatamente como definir a mesada para os filhos, uma vez que há muitas variáveis a considerar.

Tal como refere, num artigo de opinião publicado no Diário de Notícias, a especialista em educação financeira Susana Albuquerque, “saber gerir bem o dinheiro não é uma capacidade inata, tal como tocar um instrumento musical ou aprender uma nova língua, é preciso treinar e praticar”. E cabe aos pais ensinarem.

Mas como definir a mesada para os filhos? Qual o valor que se deve atribuir? Quando se deve começar a dar mesada? Para que fins devemos dar a mesada? São questões que tentamos responder a seguir.

Como definir a mesada para os filhos?

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Quando?

Antes de mais, é preciso estipular a partir de que idade os pais querem começar a pôr dinheiro nas mãos dos filhos. Susana Albuquerque aconselha que se introduza primeiro a semanada e só depois a mesada. A secretária-geral da ASFAC (Associação das Instituições de Crédito Especializado), e membro da comissão que esteve por trás da criação dos manuais de educação financeira para o ensino português, sugere começar “a semanada a partir da ida para a escola primária e a mesada a partir dos 10/11 anos”.

Quanto?

Não há uma fórmula fixa para estipular um valor. Há teorias que defendem 1 euro por cada ano de idade. Por exemplo uma criança de 10 anos teria 10 euros de mesada. No entanto, para os dias de hoje, o valor final talvez não seja suficiente.

Para determinar um valor e saber como definir a mesada para os filhos tenha em conta estes critérios:

1. Avalie qual é a sua margem no orçamento;

2. Estime os gastos fixos que tem com o seu filho/a;

3. Contabilize os valores associados a despesas como o cartão do bar da escola e carregamento do telemóvel;

4. Considere o preço de coisas que ele gostaria de ter (um jogo, guloseimas, ténis novos);

5. Adeque a mesada à idade da criança e à sua maturidade.

Para que despesas deve servir a mesada?

Como refere a ASFAC, é importante que haja “um acordo entre os pais e a criança no sentido de definir que despesas irá a mesada suportar (transportes, alimentação, vestuário, lazer, etc)”.

Para as crianças mais pequeninas a mesada, ou semanada, deve servir apenas para que comecem a ter noções básicas de como gerir dinheiro. Assim, o valor deverá cobrir a compra de guloseimas, um jogo ou uma carteira de cromos, por exemplo. Mais tarde, a mesada poderá servir para comprar livros, jogos, o almoço na cantina ou até saídas com amigos.

Os extras (roupa ou sapatos) podem ou não estar incluídos na mesada. Tudo depende dos pais e da capacidade de gestão financeira que os seus filhos demostrem. O fundamental é que o valor atribuído permita a poupança, de modo a que a criança perceba o potencial de saber gerir bem dinheiro.

Tipos de mesada

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Outra questão que condiciona como definir a mesada para os filhos é a escolha do tipo de mesada. Existem várias modalidades e, uma vez mais, terá que avaliar a sua situação familiar para perceber o que encaixa melhor no seu caso.

Mesada incondicional

Atribui ao seu filho uma determinada quantia de dinheiro todos os meses sem lhe exigir qualquer contrapartida, como a realização de tarefas ou bons resultados escolares. Ele terá apenas a oportunidade de gerir o seu próprio dinheiro e tirar os ensinamentos que daí advêm.

Mesada a pedido

O seu filho pede-lhe uma determinada quantia quando precisa ou quer alguma coisa. Esta opção abre o tema do dinheiro à discussão e pode ser uma forma eficaz de saber em que é que o seu filho gasta ou quer gastar a “mesada”.

Mesada como recompensa

Atribuir uma mesada ao seu filho como recompensa pela realização de algumas tarefas em casa, tais como lavar a louça, regar o jardim ou organizar as prateleiras. No entanto, os especialistas em educação financeira e áreas dedicadas à formação juvenil, não apoiam que se associe a atribuição de uma mesada ao cumprimento de tarefas.

Defendem que as crianças devem realizar tarefas em casa porque é importante que todos os membros da família contribuam para o bem-estar comum. Fazer a própria cama, manter o quarto arrumado ou até levantar e pôr a mesa devem fazer parte da educação de um filho e não algo que fazem apenas se forem compensados por isso.

Como gerir a mesada dos seus filhos

O objetivo da mesada é que os seus filhos aprendam a gerir dinheiro e o façam de uma forma equilibrada. Como em tudo o resto, tem que lhes dar espaço e tempo para assimilarem esse conceito e, eventualmente, errar. Tente monitorizar em vez de punir.

Desde o início, ensine os seus filhos a fazer e gerir um orçamento. Discipline-os a fazer uma lista mensal do que querem, do que efetivamente compraram e quanto gastaram. Assim, aprenderão a fazer escolhas, a gastar de forma equilibrada, a poupar e doar.

A ASFAC dá um conselho que pode pôr em prática desde que introduz a semanada. Em vez de dar apenas uma moeda ou nota, dividir o montante em moedas de 10 cêntimos de modo a permitir que a criança faça a divisão por vários mealheiros – um para poupar, outro para gastar e um terceiro para doar.

O dinheiro acabou antes do fim do mês? E agora? Evite julgar e criticar. Tente perceber porque é que isso aconteceu e ajude o seu filho a fazer mudanças na forma como gastou o dinheiro para que o erro não se repita. E não, não pode dar mais dinheiro a seguir. Faça-o compreender que terá de esperar até ao início do próximo mês. A ideia é que aprendam as consequências das suas escolhas e o sentido de responsabilidade. Enfatize a importância de não desperdiçar dinheiro com compras fúteis.

Ensinar o conceito de poupança é, de resto, crucial. Desde que começa a dar-lhes dinheiro, mesmo que seja só um euro por semana, incentive-os a poupar uma parte do valor (20 a 30%), para comprar uma coisa que desejam muito ou, simplesmente, para ter algum dinheiro reservado para o futuro.

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Alexandra Nunes Alexandra Nunes

Alexandra Nunes é jornalista com experiência em imprensa e rádio. Depois de quase uma década a trabalhar na Rádio TSF partiu rumo ao Médio Oriente. A sede de conhecer novos mundos levou-a até ao Dubai, onde vive atualmente. Por lá, tem-se dedicado a explorar novas áreas da Comunicação e escreveu a biografia “Uma Mulher no Topo do Mundo” sobre a primeira portuguesa a chegar ao topo do Monte Evereste. É apaixonada por viagens, pessoas e as suas estórias.