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As crianças protegidas sabem lidar com a frustração?

Um estudo de investigadores norte-americanos, ingleses e suíços demonstrou que as crianças protegidas têm mais dificuldade em gerir a frustração.

As crianças protegidas sabem lidar com a frustração?
Saiba como proteger demasiado as crianças pode ser prejudicial

Os americanos chamam de “helicopter parents” a todos os pais que passam a vida a controlar os passos dos filhos, seja quando brincam, quando se vestem, quando comem, quando socializam, entre outras situações do quotidiano. São pais que temem tanto que os filhos se magoem ou sofram, que acabam por, inadvertidamente, prejudicá-los a longo prazo. Fica a questão: crianças protegidas sabem lidar com a frustração?

Um estudo levado a cabo por investigadores norte-americanos, ingleses e suíços juntou, de acordo com o jornal britânico “The Guardian”, 422 crianças e as suas mães, durante oito anos, demonstrando que as crianças protegidas têm mais dificuldade em lidar com a frustração.

Se é verdade que estes pais apenas desejam o melhor para os seus filhos e pensam estar a fazer aquilo que é certo para a felicidade dos mesmos, o certo é que as crianças protegidas revelam mais dificuldade em controlar as suas emoções e impulsos, e podem mesmo a ter mais dificuldades na aprendizagem escolar, não sabendo como agir quando falham.

O que revela este estudo sobre as crianças protegidas?


crianças protegidas

Como devem agir os pais?

Com o objetivo de promover o desenvolvimento das competências comportamentais e emocionais dos seus filhos, os pais devem permitir que estes vivam diversas emoções e tenham espaço para conseguirem lidar com as mesmas autonomamente. Isto até que isso se torne demasiado para os mais novos. Então, nessa altura, os pais devem entrar em cena e ajudar os seus filhos, orientando-os.

Desta forma, desde a mais tenra idade, os pais devem deixar os seus filhos cometer erros e caírem, para que possam aprender com esses erros a levantarem-se sozinhos. O objetivo é que pela vida fora, possam também estar preparados para todos os desafios complicados e dificuldades com que se irão deparar.

As crianças devem aprender a vencer obstáculos adaptados à sua faixa etária, para que desenvolvam a coragem e nelas seja estimulado o sentimento de segurança e confiança nas suas próprias capacidades de superação dos problemas.

O que concluiu o estudo?

Após análise detalhada ao longo de anos, o estudo concluiu que as crianças protegidas, com mães mais controladoras mostraram, aos cinco anos, possuir um controlo mais reduzido sobre os seus impulsos e as suas emoções. Paralelamente, as crianças que nessa idade refletiam problemas de autocontrolo das emoções mostraram, cinco anos passados, ter menor capacidade de socializar, além de resultados escolares menos positivos.

Este estudo demonstra que quando não existe autocontrolo na infância, mais problemas existirão, à medida que essas crianças crescem. Claro que isso não determina que as crianças menos protegidas tenham, por si só, ótimos resultados escolares, mas sem dúvida que, pelo menos, terão mais segurança na sua vida académica.

Um outro estudo que corrobora estas ideias

Um outro estudo da Universidade da Califórnia demonstra que os filhos das famílias de classe média de Los Angeles passam 90% do seu tempo em casa. Espaço que os pais consideram seguro, mas também sem grandes desafios e que limitam a criança, que passa o dia confinada a um espaço fechado entre brincadeiras previsíveis, computador, jogos e televisão, e com pouco contacto com a natureza, o que é obviamente prejudicial ao seu desenvolvimento.

São, na verdade, crianças protegidas de forma exagerada, o que não é, de facto e como prevê a ciência, benéfico para os mais pequenos, de acordo com o estudo.

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Catarina Mesquita Catarina Mesquita

Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses e Ingleses, Pós-Graduada em Linguística Portuguesa e Mestre em Estudos Portugueses Multidisciplinares, possui experiência de mais de quinze anos ao serviço da educação, da tradução e da escrita.