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Teresa Campos
Teresa Campos
27 Jan, 2022 - 21:10

Autismo em adultos: sinais a que devemos estar atentos

Teresa Campos

O diagnóstico de autismo em adultos ainda é uma realidade. Saiba quais as formas mais comuns de manifestação desta condição.

autismo em adultos

Estima-se que em todo o mundo existam cerca de 70 milhões de pessoas com autismo, isto é, aproximadamente 1% da população mundial. Nestes números está, naturalmente, incluído o autismo em adultos.

Nos últimos anos, tem-se verificado um aumento no número de diagnósticos de autismo em crianças, pelo facto dos profissionais estarem mais sensibilizados para esta condição do que estavam num passado mais distante.

Isso significa que muitas crianças e jovens cresceram sem qualquer acompanhamento específico, sabendo apenas que tinham autismo em adultos. Consequentemente, esta circunstância pode prejudicar o bem-estar e o dia a dia desta pessoas, sem perceberem exatamente a causa para tal situação.

Autismo em adultos: os diferentes espectros que vale a pena conhecer

Os sintomas de autismo na infância podem não ser exatamente os mesmos que são manifestados na idade adulta e este é, desde logo, um aspeto a ter em conta. Além disso, existem quadros de autismo mais leves e mais profundos, o que também vai interferir na sintomalogia expressa.

Algumas caraterísticas muito gerais do autismo podem ser:

  • não compreender expressões faciais, como um determinado olhar, por exemplo, que pretendam transmitir uma mensagem e servir de sinal;
  • ter dificuldade em compreender metáforas, ironias e sarcasmo;
  • ter pouca empatia perante expressões subtis de tristeza, raiva, tédio ou alegria;
  • assumir uma postura ingénua e ter dificuldade em reconhecer maldade ou “segundas intenções” nos comportamentos dos outros;
  • sentir dificuldade em relacionar-se com os outros, no sentido de socializar;
  • apresentar uma baixa demonstração de afeto e uma certa dificuldade em aceitar o carinho por parte do outro, nomeadamente se envolver contacto físico;
  • não expor os sentimentos, nem ter facilidade em entender os dos outros;
  • mostrar dificuldade em colocar-se na posição dos outros;
  • evidenciar dificuldade em lidar com tudo o que é abstrato: sensações, intuições, ideologias,…;
  • assumir uma visão prática e objetiva da vida;
  • gostar de falar em temas muito específicos, sem conseguirem perceber se os outros têm ou não interesse nesses assuntos;
  • possuir uma linguagem muito direta e sincera, sem filtros ou eufemismos;
  • tender, também, a adotar uma linguagem bastante formal, mesmo que o contexto não o justifique;
  • gostar mais de trabalhar sozinhos;
  • costumar ter um aproveitamento escolar baixo ou, então, serem muito bons em algumas áreas e muito maus noutras;
  • lidar mal com a mudança, de uma forma geral;
  • apreciar ferramentas, instrumentos, mecanismos tecnológicos e materiais;
  • evitar ambientes barulhentos e com muito movimento;
  • ser mais sensíveis a determinados tecidos de roupa e a certos aromas e texturas de alguns alimentos;
  • possuir maior sensibilidade à luz e ao toque.
autismo adultos

Autismo “leve”

O autismo em adultos que conseguiram uma integração social mais ou menos regular, estudando, trabalhando, constituindo família e relações,… pode traduzir-se mais em áreas como a interação e a comunicação social.

Por exemplo, nestes casos, podemos estar atentos a algumas dificuldades, tais como:

  • comunicar normalmente;
  • estabelecer contacto visual;
  • obedecer a regras;
  • alterar aspetos da sua rotina;
  • interessar-se por um só assunto bastante específico;
  • apresentar dificuldade em fazer e manter relacionamentos.

Autismo “severo”

Quando o quadro de autismo é considerado grave, então estes indivíduos podem ter dificuldade em construir uma vida estruturada, precisando de acompanhamento e cuidados especiais e mesmo, em alguns casos, de internamento hospitalar.

Nesta situação, o diagnóstico é ainda mais importante, pois permite detetar se o quadro de autismo inclui outros problemas, como deficiência intelectual, epilepsia, entre outros transtornos mentais.

Autismo de baixo funcionamento

Este é um dos tipos mais graves de autismo, pois os indivíduos que sofrem desta condição:

  • precisam de apoio para atividades básicas diárias, como ir ao WC, vestir-se, alimentar-se, fazer a sua higiene pessoal;
  • apresentam problemas de comunicação verbal, podendo mesmo não falar de todo ou repetir apenas palavras, sem sentido ou intenção;
  • possuem o funcionamento mental ou cognitivo prejudicado, com dificuldade em compreender e em interagir com aquilo que os rodeia;
  • não estabelecem contacto visual;
  • não conseguem ter comportamentos sociais adequados, podendo sem intenção constituir um risco para si e para os outros.
  • adotam uma postura e coordenação motora atípica, com comportamentos como abanar os braços ou as mãos, morder objetos ou salivar, por exemplo;
  • têm dificuldades na mastigação, engasgando-se regularmente.

Autismo e Hiperfoco

Apesar de poderem ter algum nível de dependência, este espectro do autismo permite mais autonomia. Ainda assim os indivíduos com este quadro:

  • possuem alguma dificuldade na comunicação verbal, com linguagem repetitiva e frases sem sentido;
  • apresentam um funcionamento mental normal ou abaixo do normal;
  • evitam o contato visual;
  • adotam alguns comportamentos atípicos, como rodar em torno de si ou dos outros;
  • elegerem um tema como predileto e sobre o qual sabem tudo;
  • possuem dificuldade em socializar e interagir.
mulher a fazer psicoterapia
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Tratamento do autismo em adultos

Apesar de não ter cura, nem ser visto propriamente como uma doença, o adulto com autismo pode beneficiar de algumas terapias, como é o caso das terapias:

  • cognitiva comportamental;
  • ocupacional;
  • fonoaudiologia e impostação de voz.

Já os adultos com autismo moderado ou severo devem fazer:

  • terapia ocupacional
  • fonoaudiologia
  • terapia da Comunicação Facilitada, entre outras terapias que estimulem a interação, o ajuste comportamental e a comunicação por símbolos gráficos, desenhos e sinais;
  • terapia individual em centros específicos de autismo;
  • acompanhamento especializado na realização de tarefas simples e básicas do quotidiano.

Todas estas terapias podem ajudar a que estes indivíduos adquiram maior autonomia, ultrapassando algumas das suas limitações ou dificuldades. Além da melhoria da sua qualidade vida, tal beneficia as pessoas em seu redor, assim como contribui para a inclusão social dos adultos com autismo.

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