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Olga Teixeira
Olga Teixeira
09 Jan, 2020 - 10:01

O Brexit e eu: o que vai mudar após o adeus dos britânicos?

Olga Teixeira

O Brexit vai ter consequências para Portugal e para a nossa vida quotidiana. Saiba o que muda com a saída do Reino Unido da UE.

brexit

Brexit, ou a junção das palavras British (Britânico) e exit (saída) representa, na prática, a saída do Reino Unido da União Europeia, com tudo o que isso significa em termos económicos, sociais e até culturais.

A 23 de junho de 2016, os britânicos votaram, em referendo, a permanência na União Europeia e o resultado deixou muitos europeus aturdidos. Após uma campanha intensa e até com posições algo extremadas, 52% dos votantes (cerca de 17.4 milhões de pessoas) optaram pelo “leave”, ou seja, sair.

Iniciava-se então um longo processo de negociações que deveria ter culminado com o “goodbye” a 29 de março de 2019. Não aconteceu. David Cameron, Theresa May e agora Boris Johnson têm sido os protagonistas de uma “novela” com fim anunciado, e cujos últimos capítulos estão agora a ser escritos.

Depois de ganhar as eleições antecipadas a 12 de dezembro de 2019, o líder do partido conservador garantiu que a saída do Reino Unido da União Europeia vai mesmo acontecer no próximo dia 31 de janeiro.

Com a negociação entre os dois blocos a encaminhar-se para a sua fase final, o comboio do Brexit está em marcha. Agora pouco mais haverá a fazer do que tentar minimizar as consequências de uma decisão que acabará por ter implicações na nossa vida quotidiana.

É que, mesmo que não nos apercebamos, pertencer à União Europeia faz-se sentir mesmo nas pequenas coisas. E quando um membro desta família decide ir embora, todos são afetados.

Consequências do Brexit Para Portugal

consequências do brexit

O adeus do Reino Unido à União Europeia – onde estava desde 1973, mas tendo recusado, por exemplo, aderir à moeda única – tem várias implicações para Portugal, sobretudo a nível económico.    

O velho aliado dos portugueses é, também, o 4º principal destino das exportações portuguesas de bens e o principal destino das exportações nacionais de serviços.

Dados revelados em janeiro de 2019 pelo INE mostram que há 200 empresas em Portugal que têm mais de metade da sua faturação dependente do Reino Unido.

Isto para não falar dos portugueses que estão emigrados no país ou, até, dos muitos britânicos que residem em Portugal.

Os impactos podem ser intensos e vão sentir-se em muitos momentos da nossa vida.

Viagens

Já não bastava ter de cambiar dinheiro, preocupar-se com adaptadores de tomadas elétricas e em olhar para o lado certo da estrada ao atravessar a rua. Com o Brexit, as deslocações para o Reino Unido vão obrigar a utilizar o passaporte.

O Brexit traz o fim da livre circulação e, embora possa existir um período de transição, o melhor mesmo é estar prevenido e ver a data de validade do seu passaporte antes de marcar a viagem. Passará a existir uma fronteira, com toda a burocracia e gasto de tempo que isso implica.

E quem fala em pessoas, fala em mercadorias. As encomendas de e para o Reino Unido também vão demorar mais tempo e ficar mais caras. O país passa a ser um país extracomunitário, com tudo o que isso implica em termos fiscais e aduaneiros.

A boa notícia é que, se a libra desvalorizar, viajar e comprar em terras de Sua Majestade pode ser mais barato.

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Roaming

Em 2017 os países da União Europeia acabaram com o roaming mas, no caso do chuvoso Reino Unido, vai ser mesmo sol de pouca dura.

Aproveite enquanto pode, porque, findo o período de transição do Brexit (no final de 2020), as suas comunicações com e no Reino Unido podem ficar bastante mais caras.

Empresas & Emprego

A saída do Reino Unido da União Europeia é também motivo de grande preocupação para quem trabalha, por exemplo, na área do turismo em zonas como o Algarve, ou numa empresa têxtil exportadora no norte do país.

A verdade é que, sendo o Reino Unido um destino importante das exportações de produtos e serviços, o Brexit pode afetar negativamente as empresas cuja faturação estava muito dependente das vendas para esta região.

A quebra das exportações já tem vindo a registar-se no último ano, mas muitas empresas jogaram na antecipação e procuraram outros mercados.

O Brexit pode ter impacto no emprego e, consequentemente, na economia das regiões mais dependentes dos negócios com o Reino Unido.

Erasmus+

Para quem está a estudar (ou a pensar estudar) no Reino Unido ao abrigo do programa Erasmus, as coisas também podem vir a ser mais complicadas, mas não para já.

Em março de 2019 a Comissão Europeia criou um regulamento de contingência para evitar que os estudantes que já iniciaram as suas atividades letivas sejam obrigados a interromper os estudos.

Este regulamento abrange medidas temporárias que “serão aplicadas até à conclusão de todas as atividades de mobilidade para fins de aprendizagem do Erasmus+ que tenham tido início antes da data da saída do Reino Unido da União Europeia”.

Como o programa tem a duração máxima de um ano, os alunos que já estejam integrados e os que iniciarem o Erasmus até ao dia do Brexti vão poder prosseguir a sua formação sem problemas.  

O regulamento abrange estudantes “de todos os ciclos do ensino superior e estudantes, aprendizes e alunos do ensino e formação profissionais, jovens participantes em atividades de aprendizagem não formal e informal e em atividades de voluntariado, membros do pessoal nos domínios da educação e da formação e animadores de juventude e dos membros de organizações de jovens, bem como dos dirigentes juvenis”.

Emigrar

A emigração portuguesa para o Reino Unido aumentou, mas poderá ser cada vez mais difícil nos próximos anos, devido não só às dificuldades de circulação, mas também à obtenção de autorizações de residência ou vistos de trabalho.

Nos últimos anos foram muitos os profissionais, sobretudo na área da saúde, que tentaram a sua sorte do outro lado do Canal da Mancha, mas este mercado de emprego pode fechar a porta aos portugueses.

O Brexit pode provocar também alguma recessão na economia britânica, com menos criação de emprego, o que pode dificultar a vida a quem quiser emigrar, mesmo para áreas menos especializadas.

Das transferências de dinheiro às compras online, das visitas a familiares ou amigos até ao facto de ser mais difícil aceder a contas bancárias sedeadas no Reino Unido, os efeitos do Brexit vão sentir-se no dia-a-dia.

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