Miguel Pinto
Miguel Pinto
27 Abr, 2026 - 11:00

Certificados de Aforro: máximo de subscrição sobe para 250 mil euros

Miguel Pinto

O Governo aumentou o tecto máximo de subscrição dos Certificados de Aforro da Série F de 100 mil para 250 mil euros. Medida já está em vigor

certificados de aforro

O Diário da República publicou o despacho n.º 5392/2026 que alterou dois limites fundamentais para quem investe em Certificados de Aforro (CA).

Assim, a Série F (a única em comercialização) passa a ter um novo teto máximo por subscritor, passando de 100 000 para 250 000 euros. No acumulado Série E + Série F, o limite conjunto subiu de 350 000 para 500 000 euros.

Desta forma, qualquer aforrador pode subscrever ou reforçar a sua posição nos novos montantes, sem necessitar de aguardar qualquer prazo adicional.

Não é de hoje que muitos portugueses se queixavam do limite de 100 mil euros. Para quem tinha certificados de séries anteriores (como a C, D ou E) a chegar à maturidade, era impossível reinvestir o montante total na Série F. O dinheiro ficava, por assim dizer, sem casa.

O próprio Governo reconhece isso no despacho. Os limites da Série F estavam “inferiores aos que têm sido tradicionalmente os limites de subscrição das séries anteriores de certificados de aforro”.

Quanto rendem os Certificados de Aforro da Série F?

A taxa base para novas subscrições em abril de 2026 está fixada em 2,138% brutos, calculada com base na Euribor a 3 meses. A este valor acresce o prémio de permanência, que vai crescendo ao longo dos 15 anos de maturidade do produto.

Período de subscriçãoPrémio de permanência
2.º ao 5.º ano+ 0,25%
6.º ao 9.º ano+ 0,50%
10.º e 11.º ano+ 1,00%
12.º e 13.º ano+ 1,50%
14.º e 15.º ano+ 1,75%

Para comparação, a taxa média dos depósitos bancários em Portugal estava em apenas 1,32% em janeiro de 2026.

Ou seja, quem aplica em Certificados de Aforro está, neste momento, a obter uma remuneração claramente superior à oferecida pela generalidade dos bancos.

Portugueses apostam forte nos certificados de aforro

Os números são reveladores. Em março de 2026, as novas subscrições de Certificados de Aforro atingiram 491 milhões de euros, com apenas 213 milhões de euros resgatados no mesmo período. O saldo total já ultrapassa os 41 mil milhões de euros, um valor recorde.

Nos primeiros três meses de 2026, o produto captou perto de mil milhões de euros em poupanças das famílias. São 18 meses consecutivos de crescimento líquido, segundo dados do Banco de Portugal.

O que significa isto para o Estado?

A equação tem dois lados. Por um lado, o Estado consegue financiar a dívida pública junto dos próprios cidadãos, em condições potencialmente mais vantajosas do que nos mercados internacionais, onde o custo do financiamento tem vindo a aumentar, em linha com a subida generalizada das taxas na zona euro.

Por outro lado, o aumento dos limites de subscrição coincide com um período de maior pressão sobre as finanças públicas.

Atrair mais poupança nacional é, portanto, uma estratégia que serve os dois lados, já que beneficia o aforrador com uma rentabilidade competitiva e ajuda o Estado a diversificar as fontes de financiamento da dívida.

O que é que isto significa para si?

Se tem apenas Série F pode agora aplicar até 250 000 euros nesta série, em vez dos anteriores 100 000 euros.

Se tem Série E e Série F o limite conjunto subiu para 500 000 euros. Ou seja, se tiver, por exemplo, 200 000 euros em certificados da Série E, pode reforçar a Série F até atingir os 300 000 euros adicionais, desde que o total não ultrapasse o meio milhão de euros.

Se as suas séries anteriores estão a chegar à maturidade, agora tem mais espaço para reinvestir os montantes que liberta, sem ser obrigado a procurar alternativas nos depósitos ou noutros produtos.

É importante notar que cada conta de aforro só pode ter um titular, pelo que os limites são individuais.

certificados de aforro passa a ser digitais
Veja também Possui Certificados de Aforro em papel? Tem que os trocar

Onde pode subscrever Certificados de Aforro?

Uma novidade adicional, e pouco divulgada, é que os Certificados de Aforro passaram também a poder ser subscritos nos balcões de qualquer banco comercial, para além dos CTT e dos canais online do Estado. Isso facilita o acesso a quem preferir uma solução de proximidade.

Vale a pena subscrever agora?

Os Certificados de Aforro têm características difíceis de ignorar. Sem risco de perda de capital, com rentabilidade crescente ao longo do tempo (graças ao prémio de permanência) e com a possibilidade de resgate antecipado, caso necessário.

Num cenário em que as taxas Euribor continuam a sustentar uma remuneração acima de 2% e em que os depósitos bancários ficam claramente abaixo desse valor, a relação risco/retorno continua a ser muito favorável para este tipo de produto.

Dito isto, como em qualquer decisão de poupança, o mais sensato é alinhar a escolha com os seus objectivos, o horizonte temporal e a sua situação financeira global.

Veja também