Covid-19
Especial Covid-19
Descomplicamos a informação sobre o novo Coronavírus
Marta Maia
Marta Maia
17 Fev, 2019 - 09:28

4 coisas que lhe saem mais caras quanto menos dinheiro tiver

Marta Maia

Sabia que há coisas que lhe saem mais caras se tiver menos dinheiro para pagar por elas? Saiba quais são e o que faz com que este fenómeno aconteça.

Parece um trocadilho, uma ironia, e até uma injustiça, mas é a mais pura verdade: existem coisas que, quanto menos dinheiro tiver, mais caras lhe ficam.

A realidade consterna um pouco, mas não significa que seja criada de propósito: na maior parte das vezes, são só as leis do mercado, noutras são, curiosamente, os mecanismos criados para proteger os mais desfavorecidos que acabam a ter um efeito invertido sem que se perceba bem porquê.

Trazemos-lhe, por isso, exemplo de 4 coisas que lhe ficam mais caras quanto menos dinheiro tiver no bolso para gastar.

Coisas que saem mais caras a quem tem menos dinheiro

1. Os serviços bancários

Começamos pelo mais óbvio: os bancos. A forma como as instituições bancárias definem as tabelas de preços é completamente alheia à capacidade financeira dos clientes e muito focada no lucro do banco – e, por isso, acaba por se tornar profundamente injusta e irónica.

Senão, vejamos: em qualquer banco presente no mercado português que cobre comissões de manutenção das contas à ordem existe um conjunto de condições que aliviam essas taxas. Ora, essas comissões são quase sempre relacionadas com ter mais dinheiro: se superar determinado valor na sua conta; se subscrever determinado produto financeiro; se realizar movimentos bancários frequentes e elevados; as suas taxas baixam.

Ora, quem tem pouco dinheiro não anda propriamente a brincar aos magnatas nem a investir na bolsa, pelo que tem sempre movimentos pequenos nos registos e um saldo médio na conta à ordem que não é nada de especial. Conclusão: fica no fundo das tabelas de descontos e paga as comissões mais altas.

2. O ensino

Apesar de, em Portugal, o ensino ser tendencialmente gratuito até ao 12º ano, quando chega a hora de entrar na universidade, os estudantes começam a ter de abrir os cordões à bolsa. Ora, aqui há uma ligeira subversão do sistema que tem o efeito completamente contrário àquele que se pretendia quando o mecanismo foi criado: falamos das bolsas de estudo.

As bolsas de estudo foram criadas para ajudar os estudantes com dificuldades económicas a prosseguirem com o percurso académico sem sofrerem as consequências de terem pouco dinheiro. No entanto, e porque há muitos candidatos às mesmas bolsas, é necessário um critério de seriação – e esse critério é, na maioria das vezes, o desempenho académico.

Acontece que, dizem muitos estudos há muitos anos, é muito mais difícil para um aluno com um contexto financeiro de carência ter boas notas e bom desempenho académico do que para um aluno que venha de um contexto sócio-económico mais elevado. Isto quer dizer que, de forma genérica, o aluno que mais precisa da bolsa para continuar a estudar dificilmente será o que terá melhores notas no currículo.

Resultado: as bolsas acabam por ser atribuídas aos melhores alunos e por, inadvertidamente, deixar de fora os estudantes mais carenciados, que assim se tornam, novamente, vítimas da sua própria condição económica.

Em palavras mais simples: nem sempre a carência económica torna o ensino mais barato, e às vezes quem tem pouco dinheiro no bolso acaba por ter de arranjar forma de pagar propinas que a bolsa de estudo não conseguiu cobrir.

3. As compras do mês

Talvez nunca tenha pensado nisto, mas é uma questão de matemática (e os mais poupadinhos sabem muito bem como ela funciona): em praticamente todos os produtos que encontra nas prateleiras do supermercado, compensa comprar as embalagens maiores do que as mais pequenas.

Pode fazer o exercício com qualquer produto: comprar em grandes quantidades faz reduzir o preço unitário. No entanto, e mesmo com um preço unitário mais baixo, as embalagens familiares são sempre mais caras – ou seja, se comprar uma dose grande paga muito mais do que se comprar uma dose pequena (mesmo sabendo que, à unidade, o preço é maior).

Isto significa que comprar em grandes quantidades exige um investimento que os orçamentos mais apertados não aguentam. Resultado: quem não pode dispensar dinheiro para investir antecipadamente acaba por comprar aos poucos, em unidades, e por pagar muito mais por cada uma – que é como quem diz, o produto sai mais caro a quem tem menos dinheiro no bolso.

4. A habitação

Tudo começa com a decisão de comprar ou arrendar uma casa para viver. Claro que, sem dinheiro no bolso, comprar fica difícil: uma família não vai querer comprometer-se com um banco sem ter a certeza de que consegue cumprir com os pagamentos (nem nenhum banco lhe permite que o faça), por isso arrendar é a única opção possível.

Começa a família a pagar uma renda – que, nos dias que correm, têm valores surpreendentes -, e assim fica por muitos e longos anos. Se, décadas depois, a mesma família quiser mudar de casa, o cenário é bem diferente daquele que teria se tivesse comprado a casa em vez de arrendar: a casa em que vive não lhe vai render nada, está na estaca zero, ao contrário das famílias que compraram os imóveis, que sempre podem vendê-los e aproveitar o dinheiro que eles renderem (que, correndo bem, há de ser mais do que o que ainda devem ao banco).

Conclusão: a família que arrendou casa fê-lo por ter pouco dinheiro, e acabou a pagar muito mais do que a família que tinha dinheiro para comprar um imóvel, porque tudo o que pagou foi dado como perdido.

Viver com pouco dinheiro não é uma tarefa fácil, e estas pequenas armadilhas do dia a dia não facilitam nada o trabalho de quem conta tostões. Assim, o ideal é que, desde cedo, procure construir uma almofada financeira para si, que com o tempo lhe vai permitir ter espaço para fazer melhores negócios e pagar um pouco menos nas compras mais importantes.

Veja também