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Paula Landeiro
Paula Landeiro
09 Jul, 2021 - 09:30

Como escolher um seguro automóvel: guia essencial

Paula Landeiro

Se procura saber como escolher um seguro automóvel que não seja nem mais nem menos do que aquilo de que precisa, siga estas dicas e organize-se.

Como escolher um seguro automóvel

Apesar de ser legalmente obrigatório segurar todos os automóveis que circulam nas estradas portuguesas, são ainda poucos os condutores que sabem realmente como escolher um seguro automóvel à medida do que precisam, evitando pagar desnecessariamente ou ficar à mercê de surpresas desagradáveis nos piores momentos.

A verdade é que escolher bem um seguro automóvel é uma tarefa que requer dedicação e, sobretudo, atenção. Não faltam no mercado seguradoras cheias de vontade de lhe vender serviços, mas nem todas correspondem às suas expectativas – e é a si que cabe a responsabilidade de perceber isso e fazer uma escolha acertada e ponderada.

Reunimos, por isso, algumas dicas que o ajudam a perceber como escolher um seguro automóvel que é exatamente aquilo que precisa, por um preço justo.

Como escolher um seguro automóvel: conselhos úteis

Escolher o melhor seguro auto implica conhecer os tipos de seguros que são comercializados em Portugal, ter em conta a idade e as características do seu automóvel, as coberturas que gostaria de contratar, o tipo de uso que faz do seu carro bem como os percursos que faz regularmente.

Tudo isto são questões que deverá ter presente no momento de escolher um seguro automóvel.

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Saber que tipo de seguros existem

Só existem dois tipos de seguro automóvel: o seguro de Responsabilidade Civil e o seguro de danos próprios (muitas vezes, e erradamente, designado de “seguro contra todos os riscos”).

O seguro de Responsabilidade Civil

O seguro de Responsabilidade Civil é obrigatório para todos os veículos mesmo que não circulem e estejam parados na garagem.

Este seguro, também denominado de seguro contra terceiros,  cobre os danos provocados involuntariamente a pessoas transportadas e a terceiros (com excepção do condutor).  

De acordo com a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) este seguro terá de cobrir no mínimo 1.220.000 euros em dados materiais e 6.070.000 euros em danos materiais. Estes valores são revistos pela ASF de cinco em cinco anos.

Este seguro não cobre assim as seguintes situações:

  • Lesões que o condutor responsável pelo acidente possa sofrer;
  • Danos no veículo considerado culpado pelo sinistro;
  • Indemnização por danos resultantes de acidentes provocados deliberadamente ou se o condutor não estiver em condições de conduzir ( estar alcoolizado ou não ter carta de condução, por exemplo);
  • Danos corporais em familiares do condutor responsável, até terceiro grau ou que estejam a cargo dele.

A este seguro pode adicionar algumas coberturas facultativas, como por exemplo quebra de vidros ou carro de substituição. O incremento no prémio pela sua contratação pode não ser relevante quando comparado com os gastos que pode vir a ter.

O seguro de danos próprios

Enquanto que o seguro de Responsabilidade Civil é obrigatório para todos os veículos, o seguro de danos próprios é um seguro facultativo, mas que aumenta a cobertura do seu seguro, aumentando por isso a sua proteção. No entanto, por ser mais abrangente que o seguro contra terceiros, este seguro tem um prémio muito mais avultado.

Este seguro abrange assim, para além das coberturas obrigatórias, a proteção ao condutor e ao  veículo, quando a responsabilidade do acidente é sua.

Para além destas coberturas, podem ainda estar incluídas neste tipo de seguro outras coberturas variando conforme a seguradora, mas todas elas no sentido de aumentar a proteção com o inerente aumento do prémio.

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O seu carro é novo ou antigo? A idade do veículo é importante

Se vai comprar um carro novo, talvez valha a pena contratar um seguro com mais coberturas ou até um seguro de danos próprios, já que, se tiver um acidente, a fatura pode ser pesada.

Agora, se tem um carro com 10 anos, talvez seja melhor escolher apenas um seguro de Responsabilidade Civil, ainda que lhe possa juntar, por exemplo, uma cobertura contra quebra de vidros.

O importante é que ajuste sempre a apólice ao valor real do veículo.

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A sua experiência de condução

A experiência do condutor também pode ser relevante na altura de decidir que seguro automóvel escolher.

Imagine que tem um carro já com alguma idade, mas o condutor habitual é o seu filho, com apenas alguns anos de carta. Nessa altura fazer um seguro de danos próprios pode ser um fator tranquilizador…

Tenha em atenção que se for o tomador do seguro, ou seja fizer o seguro em seu nome, mas o condutor habitual for o seu filho tem de comunicar esse dado ao seguro, para que não haja surpresas desagradáveis em caso de acidente. Ou seja, que a seguradora recuse o pagamento dos danos.

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Faz muito uso do carro? Conduz na cidade?

Usar o carro diariamente ou de forma esporádica outra questão a ter em conta.

Se andar de carro todos os dias na cidade, irá apanhar mais trânsito, do que apenas o utilizar ao fim de semana. O mesmo acontece se fizer diariamente grandes distâncias.

Isto para dizer que, quanto maior for o risco de ocorrência de acidentes, maior deve ser a cobertura que deve escolher.

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A que coberturas devo estar atento? Saiba bem do que precisa

Em termos gerais, podemos dizer que o seguro obrigatório de Responsabilidade Civil cobre os danos provocados a terceiros e o seguro de danos próprios cobre também os seus danos e o do seu veículo em caso de ser o causador do acidente.

Mas nem tudo o que acontece ao seu veículo resulta de um acidente de viação. Vejamos alguns exemplos:

  • Se for na autoestrada e saltar uma pedra que lhe parte o vidro, o seguro cobre o gasto?
  • Se ficar imobilizado na estrada e ligar para a Assistência em viagem, o reboque leva o seu carro, mas como vai para casa? A seguradora paga o táxi? E enquanto o carro estiver na oficina, a seguradora faculta-lhe um carro de substituição?
  • Se tiver um acidente e o valor a pagar de responsabilidade civil for superior ao mínimo obrigatório, a seguradora paga?
  • E se roubarem o carro?
  • Em caso de vandalismo, o seguro cobre os danos?

Todas as questões que forem problemas para si pode ser importante traduzi-las em coberturas facultativas que pode querer adicionar ao seguro automóvel que escolher. Mais uma vez tenha em conta que quanto maior a cobertura, maior a proteção, mas também maior será o prémio a pagar.

Como é definido o prémio do seguro?

O prémio, ou seja, o que vamos pagar pelo seguro, é em suma o que em última instância nos importa, já que vai ter impacto no nosso orçamento financeiro.

O prémio é calculado pela seguradora em função de diversos fatores nomeadamente:

  • Tipo de carro a segurar: quanto melhor o carro, maior o prémio. Com as restantes condições idênticas o prémio de um Porsche será seguramente maior que o prémio de um Morris Mini, por exemplo;
  • Coberturas a contratar: quanto mais coberturas contratar, maior será o prémio, mas maior será a proteção que terá;
  • Idade do condutor habitual (que pode ser ou não o tomador do seguro): normalmente, condutores mais jovens, por serem considerados menos experientes, têm um prémio mais elevado;
  • Histórico de condução: um histórico sem acidentes leva a que as seguradoras lhe concedam bónus que lhe reduzirão o prémio a pagar;
  • Franquia: a franquia é a parte da cobertura dos danos que terá de suportar do seu bolso. Quanto maior a franquia menor o prémio, já que maior será a despesas que terá de pagar em caso de acidente.
Sistema bónus/malus
Veja também Seguros: o que é o sistema bónus/malus e como funciona

Nota: optar pelas modalidades de pagamento mais diretas e simples reduz sempre o preço dos seguros, porque quase todas as seguradoras cobram taxas de fracionamento do prémio e comissões de processamento das mensalidades.

Assim, se pagar tudo uma vez por ano vai pagar menos do que se optar pelo pagamento em mensalidades. Não é uma lição sobre como escolher um seguro automóvel, mas é uma boa dica sobre como manter o seguro que escolheu no preço mínimo possível.

Então, qual o seguro automóvel que devo escolher?

Identificadas todas as questões que precisa de ter presente, importa agora saber como escolher o melhor seguro.

Para isso tem de:

1. Definir a proteção que quer ter. Ou seja, se quer apenas ter um seguro contra terceiros ou um seguro de danos próprios.

2. Identificar o uso que vai dar ao carro (diário ou esporádico) e quais os riscos associados ao percurso que vai fazer, nomeadamente no caso de ficar sem carro, se precisa de veículo de substituição ou poderá usar em alternativa os transportes públicos.

3. Ter em conta o modelo de carro e a idade do mesmo.

4. Simular em várias seguradoras com as coberturas que definiu como essenciais. Procure saber quais as coberturas facultativas que têm e propõe. Pode existir alguma que desconheça e lhe interesse. Se existir inclua-a nas simulações das outras seguradoras.

5. Comparar. Com as simulações em seu poder compare-as em termos de prémio. Atenção que só são comparáveis prémios que reflitam coberturas idênticas. Tenha em especial atenção as exclusões e as franquias.

6. Escolher o seguro com o prémio mais baixo, desde que seja de uma seguradora de confiança. No site da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) poderá consultar a lista de empresas e mediadores de seguros que estão legalizados. Se não estiver nesta lista, não contrate.

7. Antes de contratar leia atentamente as condições gerais e particulares do seguro. Se tiver dúvidas esclareça-as.

8. Optar, se tiver disponibilidade financeira, pelo pagamento anual já que quase todas as seguradoras cobram taxas de fracionamento do prémio. Opte também pelo pagamento por débito direto que muitas vezes significa ter um ligeiro desconto no valor total a pagar.

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