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Pedro Andersson
Pedro Andersson
09 Nov, 2021 - 10:01

Como pode poupar nos combustíveis?

Pedro Andersson

Não é a fazer “greve” às grande marcas. Isso é um absurdo. Isso é partir do princípio de que trabalhamos para eles. Era o que faltava!

Homem a abastecer automóvel num posto de combustível

Pela primeira vez na minha vida vi num posto de combustível o litro de um combustível automóvel ultrapassar os 2 euros (2,009 €, num posto da BP em Beja). De facto, os preços dos combustíveis estão a preços altíssimos e isso está a provocar mossa no orçamento de muitas famílias portuguesas.

Se juntarmos o aumento nos preços da eletricidade, da alimentação e das compras em geral, está a formar-se a “tempestade perfeita” para quem tem menores rendimentos ou quem não sabe gerir bem o seu dinheiro.

Há várias formas de poupar nos combustíveis, mas vou concentrar-me naquela que considero a principal: o preço em si.

Poupar, mas no preço em si

Vem esta crónica a propósito de uma mensagem que recebi no Facebook depois de ter publicado a minha previsão do preço dos combustíveis para a semana seguinte (coisa que faço todas as sextas-feiras há quase 5 anos). Perante a possibilidade de mais um aumento, o leitor dizia com alguma ironia que se era assim então deviam “começar todos a abastecer no Jumbo, etc. Assim eles iam perceber que tinham de ter cuidado. Um cidadão esfola-se a trabalhar para no fim serem as empresas a ter grandes lucros”. Confesso que suavizei a mensagem, porque as expressões dele não foram tão educadas como estas…

Seja como for, fiquei a pensar nisto. Então só agora é que algumas pessoas estão a pensar, sim, a ponderar, passar a abastecer em postos com preços mais baixos?! E caso o viessem a fazer seria quase como forma de “castigar” as grandes empresas e não para o consumidor se beneficiar a ele próprio? Não compreendo esta atitude de muitos portugueses. Parece que somos ricos e que podemos dar-nos ao luxo de abastecer mais caro quando ao lado podemos abastecer exatamente o mesmo tipo de combustível 10, 12 ou 15 cêntimos mais barato. Será que é “pobre” abastecer no posto de um hipermercado?

Abastecer no posto mais barato da minha região, independentemente do preço dos outros, é o que eu faço há mais de 10 anos. Aliás, foi com esta atitude em relação a tudo, que consegui pôr as minhas finanças pessoais em ordem. E não é para castigar ninguém. Cada empresa faz o que quer e pratica os preços que quer, mas eu reservo-me o direito de consumir o que eu quero, ao preço que eu estou disposto a pagar. É tão simples que me faz muita confusão que ainda haja pessoas que não pensem da mesma maneira. Será que sou eu que estou a pensar mal?

Não se trata de entrar na discussão do combustível low cost versus combustível de marca. Mesmo entre marcas a diferença pode ser substancial. Vejo tanta inércia em algumas pessoas que por vezes acredito que a famosa frase “Não me preocupa o aumento dos preços porque abasteço sempre 10 euros” será dita com sinceridade por alguns, embora tenha por base um absurdo.

Eu abasteço no Jumbo e postos low cost semelhantes há mais de 10 anos. Nem me passa pela cabeça abastecer mais caro 12 cêntimos só porque é de marca. E se vir que é mais barato num posto de marca (com acumulação de promoções) é lá que abastecerei. Ou seja, a principal dica de poupança – por muito óbvio que isto lhe pareça – é a procura ativa do preço mais barato no momento em que abastecer. Como faço isso?

Tem aplicações para o telemóvel que o podem ajudar como, por exemplo, a “VivaGas” e outras. No instante em que estou a escrever esta crónica, a diferença entre o mais barato e o mais caro no raio do local onde me encontro é de 15 cêntimos (sem descontos adicionais). E o posto mais barato da região por mero acaso é justamente onde vou abastecer sempre.

Em resumo, como não tenho o poder de mudar a política de preços das marcas, nem a percentagem enorme dos impostos que pagamos, a única coisa que posso fazer é de facto abastecer no que estiver a fazer mais barato no momento. É o poder que eu tenho enquanto consumidor. Não tenho outro. Isto para mim é tão óbvio que até me custa estar a escrever isto. Não é fazer “greve” às grande marcas. Isso é um absurdo. Isso é partir do princípio de que trabalhamos para eles. Era o que faltava! Eles é que têm de ir à minha procura enquanto cliente e não eu a ameaçar fugir para que eles baixem os preços.

Se para si 15 cêntimos por litro não é relevante, obviamente irá abastecer onde “gostar” mais, mas aí é uma questão de opção. O que não me parece coerente é abastecer onde quer, sem procurar alternativas, e depois queixar-se de que os preços estão caríssimos e que são todos ums “gatunos” e que é uma “vergonha” os combustíveis estarem a estes valores. Aceito (quem sou eu para aceitar o que quer que seja) críticas de quem já abastece o mais barato que consegue pelo produto que precisa ou que prefere.

Aproveite o AutoVoucher

A outra dica que lhe quero dar para poupar nos combustíveis é aproveitar o AutoVoucher que estará em vigor entre 10 de novembro de 2021 e 31 de março de 2022. O Governo decidiu dar um apoio de 5 euros por mês a todos os contribuintes que se inscreverem no IVAucher.

Este reembolso equivale a um desconto de 10 cêntimos por litro, até ao máximo de 50 litros por mês. Embora 5 euros por mês pareça um valor ridículo, é o que é e vejo-o como um complemento de poupança e não como a solução para o problema.

Feitas as contas, se eu abastecer já no posto mais barato – poupando 15 cêntimos por litro – e usar o AutoVoucher, esse desconto mensal passa para 25 cêntimos por litro o que, para mim, já é um desconto relevante.

Se eu poupar 7,50 € por depósito, mais os 5 dados pelo Estado, já são 12,50 €. Se forem dois carros, estamos a falar de uma poupança de 25 euros por mês, ou seja, 125 euros ao longo dos 5 meses que vai durar o programa AutoVoucher. Já estamos a falar de 3 faturas de eletricidade “grátis” sem mudarmos nada de substancial e sem perdermos qualidade de vida.

Como vê, o pouco pode tornar-se relevante quando pensamos nas coisas e tomamos a iniciativa de cuidar da nossa carteira face às circunstâncias que temos, e não aceitamos simplesmente os preços que nos põem à frente como se fossem uma inevitabilidade. Nos combustíveis e em todos os outros produtos e serviços.

As escolhas que fazemos – com inteligência – fazem muita diferença no dinheiro que nos sobra (ou não) ao fim de cada mês. Não facilite.

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