Teresa Campos
Teresa Campos
19 Out, 2018 - 11:14

Consumir menos carne: é preciso e urgente, diz estudo

Teresa Campos

Consumir menos carne é benéfico para o meio-ambiente, mas também para a sustentabilidade do planeta e para o nosso próprio organismo. Saiba mais.

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Perder peso, melhorar a flora intestinal, diminuir o risco de ter cancro ou doenças cardíacas são, apenas, alguns dos aspetos positivos de consumir menos carne. A estas podemos somar a melhoria do nosso eco-sistema e o prolongamento da vida do nosso planeta. É caso para dizer que só há vantagens em substituir o bife de vaca por uma porção de seitan ou, até, por um misto de legumes salteado, bem saboroso.

Consumir menos carne vai fazer senti-lo melhor consigo mesmo e garantir que os seus filhos, netos, bisnetos… Vão poder usufruir de um mundo mais equilibrado e sustentável.

Consumir menos carne: saiba por que é tão importante fazê-lo

comer menos carne

Um estudo publicado na revista científica Nature defende algumas medidas que visam a redução no consumo de carne de forma a não pôr em causa a sustentabilidade de todo o sistema. Para que se tenha uma noção mais concreta da situação, só nos países ocidentais, seria necessário fazer descer o consumo de carne de vaca em 90%, para evitar perigosas mudanças no meio ambiente. Prevenir o “colapso climático”, por exemplo, requer uma grande redução do consumo de carne, assim como de outros produtos de origem animal.

A investigação publicada tem por base um relatório recente sobre o ambiente, da responsabilidade das Nações Unidas, e onde a indústria agropecuária é apontada como uma das principais causas dos maiores estragos ambientais, nomeadamente, devido à emissão de gases de efeito estufa, à desflorestação, às quantidades de água utilizadas e à contaminação de aquíferos subterrâneos.

Segundo esta mesma pesquisa, a previsão é de que a população aumente em 2,3 mil milhões até 2050, isto é, que se alcance os 9,8 mil milhões de habitantes no planeta Terra. Assim, é simples perceber que este mesmo crescimento populacional se irá tornar absolutamente incompatível com a criação de animais em número suficiente para consumo humano, pelo que é fundamental que as dietas, sobretudo dos países ocidentais, se vão adaptando a novas realidades.

Este processo de adaptação passa, à cabeça, por diminuir drasticamente o consumo de carne, substituindo a proteína animal, nomeadamente por legumes e leguminosas. Em números, o estudo propõe que cada cidadão deve, em média, reduzir 75% do seu consumo de carne de vaca, 90% de carne de porco e 50% da quantidade de ovos. Já o consumo de leguminosas deve triplicar, enquanto o consumo de frutos secos e sementes deve quadruplicar.

Para os investigadores, passar das palavras aos atos cabe, também, aos governos que devem tomar medidas como investir em políticas de educação alimentar; criar taxas sobre os produtos de origem animal; conceder subsídios para a produção de alimentos sustentáveis; promover mudanças nas ementas das instituições escolares e hospitalares.

Todavia, os produtos de origem agrícola também merecem atenção por parte desta investigação e devem, igualmente, sofrer alterações, nomeadamente através da diminuição do uso de fertilizantes; do incentivo da agricultura em regiões do mundo mais pobres; e o aumento das reservas de água universais.

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Países como a Holanda ou Israel já estão a colocar algumas destas medidas em prática, mas há, claramente, ainda um longo caminho a fazer. Quem nos diz é o líder deste estudo, Marco Springmann, professor na Universidade de Oxford.

Estamos mesmo a arriscar a sustentabilidade de todo o sistema. […] Acho que conseguimos mudar, mas temos de ter governos mais proativos. […] As pessoas podem contribuir para a mudança se alterarem a sua alimentação,[…].

Como consumir menos carne?

Claro que quem aprecia um bife bem suculento, pode sentir alguma dificuldade em levar a cabo a diminuição do seu consumo. Porém, além de ser uma iniciativa amiga do ambiente, será também um passo benéfico para a sua saúde que vai apresentar melhorias significativas. Para o ajudar a atingir esta meta de redução da ingestão de proteína animal, reunimos algumas dicas.

aprenda consumir menos carne

1. Defina a quantidade de carne a comer por semana

Planeie as suas refeições e, progressivamente, faça com que a proteína animal não seja o elemento de destaque nos seus pratos. Prepare, por exemplo, uma salada bem rica com pedacinhos de frango ou confecione uma sopa de legumes com um pouco de carne e, lentamente, irá associar à proteína animal ingredientes frescos, ricos em vitaminas, minerais e outras substâncias que além de beneficiarem o seu organismo, irão educar o seu paladar.

De resto, os especialistas recomendam a ingestão de um máximo de dois bifes por semana, pelo que nas restantes refeições diárias deve optar por carnes brancas, peixe ou, mesmo, pratos puramente vegan.

2. Seja vegan… Nem que seja por um dia

Estabeleça um dia por semana sem carne e totalmente dedicado a receitas vegetarianas. Esta é a proposta do movimento Meatless Monday e, na verdade, este é um excelente desafio para explorar soluções alternativas à proteína animal e descobrir como é possível comer pratos ricos e saborosos apenas com verduras, legumes e grãos.

oleaginosas.

4. Encontre bons substitutos

O prazer de comer não está só nos aromas e nos sabores, mas também nas consistências dos alimentos. Portanto, é fundamental que encontre bons substitutos para aquele pedaço de carne que tanto aprecia. Por surpreendente que possa parecer, cozinhar abóbora ou batata-doce pode ser igualmente delicioso e saciante, dando origem a belíssimos pratos, cheios de tempero e textura.

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