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Inês Silva
Inês Silva
29 Mar, 2019 - 16:37

Já pensou em ser Controlador de Tráfego Aéreo?

Inês Silva

Controlador de Tráfego Aéreo é uma das profissões mais exigentes e desafiantes. Continue a ler para conhecer as condições de acesso.

controlador trafego aereo

Ser Controlador de Tráfego Aéreo (CTA) é uma profissão exigente, num mundo cada vez mais dominado pelos aviões. O salário é bom, mas a pressão é constante: um CTA tem de tomar as decisões certas, no momento exato, a cada fração de segundo, afastando os  aviões entre si e desviando-os de todo o tipo de obstáculos.

O controlo de tráfego aéreo funciona 24 horas por dia, 365 dias por ano. Qualquer que seja a hora, há sempre um CTA a trabalhar nas suas posições de controlo. Por essa razão, o profissional desta área tem um horário de trabalho distribuído por turnos rotativos, que incluem noites, fins-de-semana e feriados.

Esses turnos são definidos tendo em conta períodos de trabalho e descanso, podendo exercer a posição de controlo por um período de tempo de 90 a 120 minutos consecutivos, intercalados por uma pausa de 30 minutos.

Controlador de Tráfego Aéreo: o que é, condições de acesso e salário

radar de aviao

O que é?

O Controlador de Tráfego Aéreo (CTA) é a pessoa responsável por separar o tráfego de aeronaves no espaço aéreo e nos aeroportos de modo seguro, ordenado e rápido.

Estes profissionais trabalham emitindo autorizações aos pilotos, ou seja, dando instruções e informações necessárias dentro do espaço aéreo da sua jurisdição, com o objetivo de prevenir colisões entre aeronaves e entre aeronaves e obstáculos nas imediações dos aeroportos.

O desafio da gestão eficiente de tráfego aéreo e a responsabilidade pela segurança de milhares de vidas ultrapassam largamente o stress inerente à profissão. É, precisamente, a constante tomada de decisões e o sentido de responsabilidade que tornam esta profissão exigente e desafiante.

A NAV Portugal é a empresa responsável pela prestação do serviço de Controlo de Tráfego Aéreo nas Regiões de Informação de Voo (RIV) sob a responsabilidade portuguesa – Portugal Continental, mas também por uma parte do Oceano Atlântico.

Um CTA pode trabalhar numa Torre de Controlo de um dos aeroportos nacionais ou num dos Centros de Controlo de Aproximação, de Rota ou Oceânico, sendo que, em cada um destes órgãos, o tipo de serviço prestado apresenta um conjunto de características específicas.

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Controlo de Torre: o CTA faz a gestão do fluxo de tráfego aéreo no aeroporto e imediações, com um raio de 9,3 quilómetros em torno do aeroporto, incluindo todo o tipo de movimentações, desde aterragens, descolagens, helicópteros em circulação, aeronaves em manobra, etc.

Em Portugal existem dez Torres de Controlo em aeroportos nacionais: Lisboa, Cascais, Porto, Faro, Funchal, Porto Santo, São Miguel, Santa Maria, Faial e Flores.

Controlo de aproximação: o CTA faz a gestão das aeronaves em aproximação (aterragens) a um ou a vários aeroportos, bem como uma série de outras situações, nomeadamente aeronaves que, após a descolagem, pretendem subir para os seus níveis de voo finais, voos-escola que operaram na zona, áreas militares que afetam a operação, entre outras.

Em Portugal existem seis locais onde se pratica o Controlo de Aproximação: Lisboa, Porto, Faro, Funchal, Ponta Delgada e Santa Maria.

Controlo de Rota: o CTA faz a gestão de todo o fluxo de tráfego aéreo que já está a nível de cruzeiro, bem como planeia o início das aterragens e descolagens, de forma a que todas as aeronaves possam voar no seu nível de voo ótimo.

Em Portugal existe um Centro de Controlo de Rota em Lisboa que controla todo o espaço aéreo de Portugal Continental e o arquipélago da Madeira. Este espaço aéreo, por sua vez, divide-se em vários sectores.

Controlo Oceânico: o CTA faz a gestão do fluxo de tráfego aéreo dos voos transatlânticos que diariamente atravessam o espaço aéreo entre continentes. O Controlo Oceânico apresenta a dificuldade acrescida de não ter recurso a uma imagem radar ou comunicações-rádio diretas, sendo que todas as decisões são tomadas com base nos reportes de posição e estimas das aeronaves.

Hoje em dia este tipo de controlo é apoiado por um Sistema de Controlo Oceânico dos mais avançados do mundo. Em Portugal, existe um Centro de Controlo Oceânico no arquipélago dos Açores, na Ilha de Santa Maria, que controla o espaço aéreo correspondente a cerca de 1/4 do Oceano Atlântico Norte.

Quais as condições de acesso?

Para ser um Controlador de Tráfego Aéreo é necessária uma formação específica ministrada em exclusivo pela empresa responsável pela Navegação Aérea em Portugal – NAV Portugal, EPE – que divulga publicamente a abertura de cada concurso.

Todos os candidatos são alvo de uma pré-seleção antes de integrarem o curso de formação que dá acesso à licença de controlador.

Os requisitos para a candidatura são os seguintes:

  • Os três primeiros anos completos de uma Licenciatura ou o número equivalente de Unidades de Crédito do Sistema Europeu de Transferência de Créditos (180 ECTS);
  • Idade máxima de 27 anos com referência ao final do ano em que se candidata;
  • Domínio oral e escrito das línguas inglesas e portuguesa;
  • Prova de acuidade visual.

Após a aceitação da candidatura, os candidatos são submetidos a entrevistas, assim como a testes psicotécnicos, médicos e linguísticos para avaliar características fundamentais para o exercício da profissão: raciocínio lógico, visão espacial, capacidade de organização e planeamento, capacidade de trabalhar sob stress e em equipa, entre outros.

A seleção dos candidatos admitidos no Curso de Formação de Controlador Aéreo é feita com base nos resultados destes testes.

O curso é ministrado no Centro de Formação da NAV Portugal e tem a duração de cerca de 18 meses onde os formandos passam a dominar conhecimentos nas áreas de meteorologia, navegação aérea, desempenho de aeronaves, comunicações-rádio, etc. É também aqui que os candidatos se familiarizam com a profissão através da formação em simuladores.

Os que concluírem com sucesso esta formação de elevada exigência, podem ser colocados em qualquer uma das torres ou centros de controlo de tráfego aéreo que estão sob tutela da NAV Portugal.

Sempre que um CTA é colocado numa Torre ou Centro de Controlo de Tráfego Aéreo é necessário um período de formação e treino antes de poder assumir o controlo de uma posição de trabalho. Neste período, denominado On the Job Training, o formando trabalha tráfego real permanentemente acompanhado por um instrutor (OJTI).

O sucesso nesse período de formação permite ao controlador a obtenção das qualificações e averbamentos necessários para exercer a função nesse órgão em particular.

Quanto ganham?

Sobre vencimentos, não há valores fixos pois depende de onde estão colocados e dos subsídios, mas é uma profissão bem paga, até porque também é considerada uma das mais stressantes do mundo. De acordo com um estudo de 2013, o salário nominal médio auferido por estes profissionais era de 10.900,44€.

Pode saber mais sobre esta profissão na página da NAV – Portugal.

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