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Luís Vicente
Luís Vicente
11 Out, 2019 - 14:43

Cruzeiros no Nilo: histórias e paisagens do velho e novo Egipto

Luís Vicente

Desde um jantar no Nilo ao mítico navio que inspirou Agatha Christie, apresentamos-lhe como aproveitar ao máximo o rio mais extenso do mundo.

Pirâmides do Egipto

Há muitos anos que pequenas e, mais tarde, maiores embarcações percorrem o Nilo. Turisticamente, foi Thomas Cook, cuja empresa homónima recentemente faliu, que organizou as primeiras linhas de cruzeiros no Nilo, em 1869.

Desde então, aquele que é o maior rio do mundo em comprimento tem atraído milhares de viajantes. Os pontos de paragem mais frequentes são Luxor, Esna, Edfu, Kom Ombo, Assuão e Abu Simbel. Isto significa que as rotas não começam nem terminam no Cairo.

Sendo este o principal destino turístico, é comum os pacotes de viagem mais completos incluírem deslocação até Luxor ou Assuão.

O Egipto, pertencendo ao grupo de países em desenvolvimento, apresenta naturalmente idiossincrasias menos comuns no ocidente. Exemplo disso é o facto de em alguns portos não haver espaço suficiente para todos os navios atracarem; o que faz com que as embarcações encostem em paralelo, sucessivamente. Isto significa que a passagem até terra, e viceversa, é feita entre os vários navios que estiverem atracados.

Principais modalidades de cruzeiros no Nilo

cruzeiros no Nilo
Em termos de extensão, o Nilo é o maior rio do mundo

Ao longo do Nilo: Cruzeiro de vários dias

Trata-se de um dos pacotes de viagem mais populares nos cruzeiros no Nilo. Normalmente, a viagem dura entre 3 a 5 noites; o trajecto inclui as cidades/zonas de Luxor, Esna, Edfu, Kom Ombo e Assuão; alguns vão até Adbu Simbel.

Nestes packs pode haver referência ao Cairo, mas não se trata de actividades de cruzeiro. É turismo em terra. A vantagem é que a agência tratará da deslocação entre Cairo e Luxor (600 quilómetros de distância).

Entre as principais atracções podem incluir-se as montanhas do deserto onde se encontra o Vale dos Reis, com os túmulos dos faraós, o Templo de Medinet Habu, vista panorâmica ao templo da morgue de Hatshepsut ou os Colossos de Memnon.

Os Templos de Luxor, de Karnak e de Hórus e a Eclusa de Esna são outros marcos interessantes.

Mais à frente na viagem pode ainda haver tempo para visitas ao Templo de Kom Ombo, Barragem de Assuão e o complexo arqueológico de Abdu Simbel.

Cruzeiros de Luxo

Além da tradicional viagem acima apresentada, há ainda espaço no rio mais extenso do mundo para os cruzeiros de luxo. Um dos mais icónicos navios a operar nesse segmento é o Steam Ship Sudan, baptizado com o nome Sudão por este país também ser atravessado pelo Nilo.

O Steam Ship Sudan faz duas rotas: a The Dynastic e a Eternal River, trajectos em sentidos inversos entre Assuão e Luxor/Quena.

A história do Steam Ship Sudan remonta à década de 20, um período dourado para as viagens no Nilo. Os utilizadores eram, sobretudo, diplomatas, empresários e arqueólogos que exploravam o Antigo Egipto.

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Em 1933, e esta é a imagem de marca do navio, Agatha Christie embarcou numa missão arqueológica, onde se inspirou para escrever a célebre obra Morte no Nilo.

Depois da Segunda Guerra Mundial, a embarcação ficou deixada ao abandono, durante 50 anos, até que é reactivado, em 1991, através de um empresário egípcio. Os actuais donos são o Voyageurs du Monde o encontrou novamente abandonado em 2000, recuperou e colocou novamente no Nilo, num espaço de 11 anos.

As 5 noites de duração do cruzeiro podem ser passadas em cabines cuja decoração espelha a união da história entre rio, barco e antigo Egipto. Os preços das suites variam entre os 1900 e os 2700 por pessoa.

Vista da cidade do Cairo
O Nilo banha a movimentada capital do Egipto, Cairo

Cruzeiro por Assuão

Aswan, ou, em português, Assuão, é uma cidade edificada nas margens do rio Nilo, outrora um importante ponto comercial. A 800 quilómetros a sul do Cairo, este cada vez mais um destino mais conhecido e requisitado, em alternativa à famosa capital.

Entre os pontos mais conhecidos, destacam-se o Obelisco inacabado, o Museu de Núbia, o mausoléu de Aga Khan e a Mesquita de Assuão.

O Jardim Botânico, na Ilha Lord Kitchener, com uma impar panóplia de plantas, é também outro motivo de interesse. Nas proximidades situa-se a Ilha Elefantina, repleta de ruínas e templos.

Jantar no Nilo

Para quem não tem tempo suficiente para estar 4 ou 5 dias no Nilo, pode estar apenas umas horas. Esta é uma modalidade oferecida por várias empresas, entre elas a que opera o navio de 5 estrelas Nilo Maxim.

Trata-se de uma viagem de duas horas ao longo do Nilo, do Velho Cairo ao Novo Cairo. Pode apreciar as luzes nas margens tal como o ambiente mítico desta zona do globo.

O jantar é em regime buffet e inclui, naturalmente, especialidades da gastronomia árabe e egípcia. Depois do jantar, há tempo ainda para um show de dança tradicional de Tanoura, tal como a popular dança do ventre.

Além de cruzeiros de vários dias, existe também a possibilidade de estar no Nilo num típico barco de pesca, chamado Felucca (falucho). Esta é uma opção interessante para quem tem poucos dias de viagem e pretende, ainda assim, ter uma experiência tradicional no rio.

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