O Dia da Mãe celebra-se em Portugal no primeiro domingo de maio. Em 2026, esta data especial calha a 3 de maio, mantendo uma tradição que honra a figura materna e reforça os laços familiares. Mas nem sempre foi assim. A história desta celebração no território português revela mudanças significativas ao longo das décadas e uma origem que mistura influências internacionais com particularidades nacionais.
Este é um dos dias mais importantes do calendário familiar português, onde se expressa gratidão através de presentes, convívios e demonstrações de afeto. A data tem raízes profundas que remontam à antiguidade clássica, mas a sua versão moderna nasceu nos Estados Unidos e chegou a Portugal com características próprias.
A origem milenar da celebração maternal
Antes de existir o Dia da Mãe tal como o conhecemos hoje, já as civilizações antigas homenageavam a maternidade. Na Grécia Antiga, a entrada da primavera era celebrada em honra de Rhea, mulher de Cronos e mãe dos deuses. Os romanos também dedicavam festividades a Cibele, a mãe dos deuses romanos, com cerimónias que começaram cerca de 250 anos antes do nascimento de Cristo.
Estas celebrações ancestrais demonstram que o reconhecimento da figura materna atravessa culturas e períodos históricos. A veneração da maternidade como força vital e fundadora estava já presente nestas sociedades, embora com significados religiosos e mitológicos distintos da celebração contemporânea.
Na Inglaterra do século XVII surgia o “Domingo da Mãe”, celebrado no quarto domingo da Quaresma. Inicialmente, esta data homenageava a Virgem Maria e a igreja-mãe onde cada pessoa tinha sido batizada, mas com o tempo passou a honrar todas as mães inglesas.
Como nasceu o Dia da Mãe moderno nos Estados Unidos
A celebração moderna do Dia da Mãe tem origem nos Estados Unidos no início do século XX. A história começa com Anna Jarvis, uma professora da Escola Bíblica Dominical da Igreja Metodista em Grafton, Filadélfia. Quando perdeu a mãe em 1905, ficou profundamente consternada e dominada pela saudade.
As suas colegas e alunas decidiram prestar-lhe uma homenagem significativa para amenizar o sofrimento e perpetuar a memória da sua mãe. Anna Jarvis aceitou a iniciativa, mas sugeriu que, em vez de recordarem apenas a sua mãe, fossem homenageadas todas as mães. A ideia foi aceite e rapidamente se espalhou.
Anna Jarvis iniciou então uma campanha para que o Dia da Mãe se tornasse um feriado reconhecido oficialmente. O seu esforço teve sucesso quando, em 1914, o presidente Woodrow Wilson instituiu o segundo domingo de maio como Dia da Mãe nacional nos Estados Unidos. A partir desse momento, a celebração popularizou-se pelo mundo, embora cada país tenha adotado datas diferentes.
O Dia da Mãe chega a Portugal: de dezembro a maio
Em Portugal, o Dia da Mãe foi instituído na década de 1950 pela Mocidade Portuguesa Feminina, uma organização juvenil criada em 1937 durante o Estado Novo. A data escolhida inicialmente foi 8 de dezembro, que coincidia com o Dia da Imaculada Conceição, padroeira de Portugal.
Esta escolha tinha uma forte carga simbólica. O 8 de dezembro celebra a Virgem Maria, mãe de Jesus, e a Mocidade Portuguesa Feminina pretendia reforçar a imagem da mãe como pilar moral da família e encarnação da virtude feminina. Durante cerca de duas décadas, o Dia da Mãe foi celebrado nesta data religiosa.
Porque é que o Dia da Mãe se celebra em maio
A mudança de data ocorreu na década de 1970, mas não foi direta. Inicialmente, o Dia da Mãe foi transferido para o último domingo de maio. Porém, esta data também criava problemas. No último domingo de maio ocorrem com frequência solenidades litúrgicas importantes como o Pentecostes ou a Ascensão. Para evitar estas coincidências, foi solicitada uma nova alteração.
O Dia da Mãe fixou-se então no primeiro domingo de maio, data que permanece até hoje. Esta escolha revelou-se ideal porque, segundo o calendário litúrgico, não ocorre nenhuma festa de especial importância no primeiro domingo deste mês. Assim, a celebração maternal pode ter o seu espaço próprio sem conflitos com o calendário religioso.
Como se celebra o Dia da Mãe em Portugal
As tradições portuguesas para o Dia da Mãe refletem a importância da família e do convívio. O ponto alto da celebração é, sem dúvida, o almoço familiar. As famílias reúnem-se à mesa num momento de união que junta avós, filhos, netos, tios e primos. A refeição é farta, com pratos tradicionais que variam conforme a região, transformando-se num verdadeiro banquete de sabores e afetos.
Este almoço é uma oportunidade para partilhar histórias, memórias e momentos especiais que reforçam os laços familiares. É comum que os filhos assumam a responsabilidade de cozinhar ou de levar a mãe a um restaurante, permitindo que ela descanse e seja mimada.
A oferta de presentes é outra tradição central. Flores, especialmente cravos e rosas, são escolhas muito populares que simbolizam beleza e afeição. Chocolates e doces também marcam presença, assim como perfumes, joias e artigos de beleza. Nos últimos anos, produtos de autocuidado e bem-estar têm ganho destaque.
As prendas que mais se oferecem no Dia da Mãe
Para além dos presentes materiais, muitas famílias optam por oferecer experiências. Passeios ao ar livre, visitas a museus ou exposições, sessões de cinema ou teatro, ou simplesmente um dia de relaxamento num spa são opções cada vez mais valorizadas. O presente mais valioso continua a ser o tempo passado em família.
Nas escolas, as crianças preparam cartões personalizados e pequenos trabalhos manuais para oferecer às mães. Estes presentes feitos à mão têm um valor emocional único e representam o carinho dos mais pequenos.
As redes sociais também se enchem de homenagens. Publicam-se fotografias, mensagens de amor e frases que transmitem afeto, num fenómeno que se tornou parte integrante da celebração contemporânea. Algumas autarquias e entidades organizam eventos públicos como feiras, concertos ou exposições para homenagear as mães, criando momentos de celebração comunitária que vão além do núcleo familiar.
O Dia da Mãe pelo mundo: datas diferentes, sentimento igual
Portugal não está sozinho na escolha do primeiro domingo de maio. Espanha, Angola, Cabo Verde, Moçambique, Hungria e Lituânia também celebram o Dia da Mãe nesta data, criando uma espécie de tradição partilhada entre países lusófonos e alguns parceiros europeus.
Já os Estados Unidos, Brasil, Austrália, Canadá, Dinamarca, Finlândia, Itália, Japão e Turquia mantêm a data original americana do segundo domingo de maio. Esta é também a segunda melhor data para o comércio nestes países, ficando apenas atrás do Natal.
No Reino Unido e na Irlanda, o Dia da Mãe assinala-se no quarto domingo da Quaresma, mantendo a tradição do antigo “Domingo da Mãe” do século XVII. Na Argentina, Bielorrússia e Índia, a celebração ocorre em outubro. A Rússia celebra em novembro e a Noruega em fevereiro. A Bélgica e a Costa Rica escolheram o 15 de agosto, feriado da Assunção de Nossa Senhora.
Uma tradição que atravessa gerações
O Dia da Mãe em Portugal é uma tradição que evoluiu ao longo de décadas, adaptando-se às mudanças sociais e religiosas, mas mantendo sempre no centro o reconhecimento da figura maternal.
Num mundo cada vez mais acelerado, o Dia da Mãe funciona como um momento de pausa para reconhecer e agradecer o amor, o sacrifício e a dedicação materna.
Celebrar o Dia da Mãe é celebrar a família portuguesa, os seus valores e a importância dos laços que nos unem através das gerações.