Márcio Matos
Márcio Matos
22 Abr, 2019 - 13:50
Amanhã faço dieta. Doces de paragem obrigatória

Amanhã faço dieta. Doces de paragem obrigatória

Márcio Matos

É caso para dizer que amanhã faço dieta. Doces de paragem obrigatória, saborosos e que representam o melhor da pastelaria nacional é a proposta.

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Inspirámo-nos na divertida canção do humorista Herman José – “Amanhã faço dieta” – e usamo-la como mote do nosso artigo “Amanhã faço dieta. Doces de paragem obrigatória“.

É certo que manter uma dieta equilibrada é importante para corpo e mente. Contudo, permitir-se a algumas gulodices, principalmente as tradicionais e recheadas de história, também é uma prática salutar e que deve prezar. Portanto, não nos responsabilizamos pela quantidade de calorias dos próximos parágrafos, mas garantimos que todos se tratam de produtos de fabrico português, com muita história à mistura e sempre confecionados com as melhores matérias-primas.

Amanhã faço dieta. Doces que já devia conhecer e que tem de provar

Jesuítas de Santo Tirso

doces que já devia conhecer

Folhados e estaladiços, os jesuítas são, sem dúvida, um dos doces mais apreciados pelos fãs de gulodices. Há quem relacione o seu nome à Companhia de Jesus e aos seus monges (jesuítas), cujas capas se assemelham à cobertura destes famosos pastéis.

Certo é que a história dos jesuítas de Santo Tirso se confunde com a história da Confeitaria Moura. Crê-se que terá sido um pasteleiro espanhol que trabalhava nessa confeitaria a introduzir a receita em Portugal.

Certo é que há mais de 125 anos que a Confeitaria Moura conserva a receita artesanal destes pastéis, a qual se encontra, naturalmente, “guardada a sete chaves”. Caso passe por lá, experimente também outras especialidades, como limonetes, tirsenses e pivetes.

Se gosta de massa folhada, açúcar e doces de cobertura crocante, então os jesuítas de Santo Tirso são ideais para si. E a melhor notícia é que se não se puder deslocar até lá, a Confeitaria Moura já tem lojas na cidade do Porto.

Pão de ló de Margaride

doces que já devia conhecer

Foi já no início do século XVIII que o fabrico deste pão de ló começou e nunca mais parou até aos dias de hoje, passando a receita (e os segredos) de geração em geração. O sucesso deste bolo foi crescente e, em 1888, valeu a atribuição a esta Casa da designação de Fornecedora da Casa Real Portuguesa.

Atualmente, o fabrico continua a ser o mais artesanal possível e a garantir o uso das melhores matérias-primas. Passe pela Fábrica de Pão de Ló de Margaride, compre o seu pão de ló e aproveite, ainda, para ficar a conhecer o espaço, belíssimo e cheio de história.

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Ovos moles de Aveiro

doces que já devia conhecer

Ir a Aveiro e não comer ovos moles é como ir a Roma e não ver o Papa.

De origem conventual, conta-se que na génese desta receita mui doce está a história de uma freira do Convento de Jesus que quebrou o jejum forçado em que estava, misturando ovos com grandes quantidades de açúcar.

Ao ser apanhada a quebrar o jejum, a freira terá escondido apressadamente a mistura em hóstias. Quando no Convento encontraram tão deliciosa mistura, julgaram tratar-se de um milagre. Assim terá nascido a ainda hoje famosa receita dos ovos moles de Aveiro.

Apesar de em Aveiro, serem várias as empresas a dedicarem-se ao seu fabrico, a Casa Maria da Apresentação da Cruz, Herdeiros, é das mais antigas, a funcionar desde 1882. Aqui, os tachos ainda são de cobre, o processo é todo manual e o ponto de açúcar certo é obtido com mestria e rigor. Passe por lá e fique a saber mais sobre a doçaria regional de Aveiro.

Bolas de Berlim de Viana do Castelo

doces que já deia conhecer

Se lhe falarmos em bolas de Berlim de Viana do Castelo, talvez não saiba a que é que nos referimos. Mas se lhe dissermos bolas de Berlim do Natário, talvez já tenha uma ideia daquilo que se trata.

Embora esta não seja uma receita de origem portuguesa, a verdade é que para muitos estas são as melhores bolas de Berlim de todo o mundo, derrotando mesmo as congéneres alemãs. Atraem milhares e milhares de gulosos e já foram notícia (imagine-se!) no The Guardian. Sim, esse mesmo. O conceituado jornal britânico.

O que as torna diferentes de todas as outras? Bem, o melhor mesmo é ir até Viana, encarar com ânimo a fila que possa encontrar pela frente e acreditar que no momento em que der a primeira dentada nestas bolas de Berlim irá perceber a sua fama à escala mundial. Mas, se por alguma razão estranha ou desconhecida, não é fã de bolas de Berlim, descanse, porque na confeitaria do Zé Natário há também uns deliciosos manjericos de Viana, uns sidónios e uns fidalguinhos que vale a pena provar.

Éclairs da Leitaria da Quinta do Paço

Quinta do Paço

Quem chega ao Porto a suspirar por algo doce, mas sem o célebre Ambrósio para ajudar, o mais provável é que o encaminhem para a Leitaria da Quinta do Paço, casa dos afamados éclairs que constituem uma justa e demoníaca tentação. Com uma história que remonta a 1920, dedicando-se então à produção de manteiga, queijo, leite e chantilly, a Leitaria da Quinta do Paço transformou-se num verdadeiro ex-libris da Invicta. Aliás, o chantilly depressa ganhou uma fama sem precedentes. Vendido ao balcão, em saquinhos de papel encerado, protagonizou nos anos cinquenta aquilo que viria a ser o ex-líbris da marca, o éclair com cobertura de chocolate. Por isso, esqueça a dieta por uns momentos e se estiver nas imediações delicie-se com um dos muitos éclairs ali servidos. Já agora fique a saber que já há várias leitarias espalhadas pelo país. Veja onde.

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Queijadas de Sintra

Queijadas

Consta que são uma perdição. A sua origem perde-se na época medieval onde servia como forma de pagamento, uma vez que Sintra possuía excelentes pastagens e excesso de queijo fresco, sendo este usado para o fabrico deste doce. Está pronto para uma descrição mais completa e, digamos, açucarada? Ora bem, as Queijadas de Sintra são umas pequenas tartes feitas com queijo fresco, açúcar, ovos, farinha e um pouco de canela. Tudo isto é envolvido numa massa crocante e estaladiça. São tão famosas que até serviram de remate a um dos capítulos de Os Maias, de Eça de Queiroz, quando Crugges berra desesperado depois de uma ida a Sinta: “Raios, esqueceram-me as queijadas!” Não cometa o mesmo erro.

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