Enquanto a maioria das pessoas associa a disquete a um ícone gasto do botão “guardar”, existe nos Estados Unidos um negócio inteiro montado à volta desta mídia que, para grande parte do mundo, já devia estar extinta.
O site chama-se floppydisk.com e o seu proprietário, Tom Persky, tornou-se conhecido como o “último homem de pé” no negócio das disquetes.
Persky não chegou a este mercado por nostalgia. Antes de se dedicar às disquetes, trabalhava com desenvolvimento de software para uma empresa da área tributária, numa altura em que a distribuição de programas em disquete fazia parte do quotidiano do negócio.
Esse braço operacional acabou por se transformar em empresa própria, e manteve-se de pé precisamente quando o retalho tradicional destas mídias desapareceu das prateleiras.
A curiosidade é que foi a própria esposa de Persky quem, ainda nos anos 1990, comprou o domínio floppydisk.com por mil dólares, contrariando as reservas iniciais do marido.
Com o passar dos anos, o número de utilizadores de disquetes foi diminuindo, mas o número de fornecedores dispostos a continuar no ramo caiu a um ritmo ainda mais rápido, o que deixou a Persky uma fatia de mercado cada vez maior.
Como funciona hoje o negócio das disquetes

A página do floppydisk.com mantém a estética de outra era da internet, mas continua ativa e a vender.
O catálogo inclui pacotes de disquetes de 3,5 polegadas, serviços ligados a unidades de leitura e transferência de ficheiros para suportes mais atuais, além de recuperação de dados de programas antigos.
A loja também recicla unidades usadas e compra disquetes novas ainda seladas, desde que em lotes de cem ou mais.
Os preços refletem esse nicho muito específico. Um pacote de dez disquetes ronda os dez dólares, um lote profissional de dez unidades custa cerca de 14,95 dólares e um conjunto reciclado de cinquenta disquetes sai por 39,95 dólares.
Já um pacote de cinquenta unidades recém-formatadas chega aos 59,95 dólares.
Para que servem as disquetes em 2026
A pergunta que mais se coloca é quem ainda precisa de disquetes numa era de armazenamento em nuvem e pendrives com terabytes de capacidade?
A resposta está longe dos curiosos que compram algumas unidades por saudosismo.
O grosso da faturação vem de clientes industriais que dependem de equipamento antigo, mas ainda em pleno funcionamento, para o qual substituir toda a infraestrutura sairia muito mais caro do que continuar a alimentá-la com disquetes. E quais são esses equipamentos?
- Equipamento médico hospitalar, que continua a usar leitores de disquete para transferir e registar dados;
- Máquinas de bordado industrial, que dependem deste suporte para carregar padrões e desenhos;
- Parte da aviação civil, incluindo aeronaves com décadas de operação cujos sistemas de aviónica ainda leem disquetes para atualizações;
- Sintetizadores e estações de trabalho musicais mais antigas, que guardam patches de som e sequências neste formato;
- Instituições que preservam sistemas informáticos históricos e coleções de retrocomputação.
Segundo Persky, uma parte significativa da frota aérea mundial, provavelmente metade, tem mais de vinte anos e ainda recorre a disquetes nalguns sistemas, o que ajuda a explicar por que razão este suporte, aparentemente obsoleto, continua a ser peça essencial da infra-estrutura de certos setores.
Por que motivo ninguém volta a fabricar disquetes

Se ainda existe procura, porque não regressam os fabricantes ao mercado? Persky costuma explicar que produzir CD ou DVD é relativamente simples, bastando verter plástico numa máquina numa ponta e recolher o disco na outra.
Uma disquete, em contraste, reúne cerca de nove componentes distintos, entre eles a moldagem de plástico, o disco magnético interno, o obturador metálico e a mola de retorno.
Montar de novo uma linha de produção completa para este número de peças específicas tornaria o processo caro e pouco atrativo para qualquer fabricante, sobretudo quando a procura remanescente já não justifica esse investimento.
A Sony, última grande fabricante de disquetes, encerrou a produção há mais de uma década.
Desde então, negócios como o de Persky vivem sobretudo de stocks antigos comprados em paletes esquecidas em armazéns de empresas e de um esquema próprio de reciclagem que recebe, em média, centenas de disquetes usadas por correio todos os dias.
Quanto tempo vai durar ainda este mercado
Mesmo quem vive deste negócio reconhece que o relógio está a contar.
Persky já admitiu publicamente que o stock disponível é finito e que a atividade tende a esgotar-se nos próximos anos, à medida que as reservas de disquetes por vender diminuem e cada vez menos equipamentos legados permanecem em funcionamento.
Ainda assim, garante que as disquetes continuam a ser um suporte particularmente fiável, capaz de fazer entrar e sair dados de uma máquina de forma estável e bem compreendida, com a vantagem adicional de serem pouco vulneráveis a ataques informáticos, precisamente por não estarem ligadas a nenhuma rede.