Em agosto de 2026 foram matriculados em Portugal 17.209 veículos automóveis, mais 11,3% do que no mesmo mês do ano passado. Dentro deste total, os carros 100% elétricos representaram 36,1% das vendas de ligeiros de passageiros, a fatia mensal mais alta do ano até agora.
O crescimento não se limita aos elétricos. De janeiro a agosto, o mercado automóvel português acumula uma subida de 10,3% face a igual período de 2025, com 197.632 novos veículos colocados em circulação.
Para quem está a pensar comprar carro nos próximos meses, este ritmo tem consequências práticas: mais oferta, mais concorrência entre marcas e um peso cada vez maior dos elétricos nas propostas dos concessionários.
O mercado automóvel cresce em todos os segmentos
Os dados, divulgados pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP), mostram crescimento transversal em agosto. Os ligeiros de passageiros somaram 14.086 unidades, mais 8,4% face a agosto de 2025. Os ligeiros de mercadorias, carrinhas e furgões, sobretudo para uso profissional, cresceram 21,8%, com 2.449 matrículas.
O segmento com maior variação foi o dos veículos pesados: 674 unidades matriculadas em agosto, mais 45,9% do que há um ano. Nos primeiros oito meses do ano, este segmento já soma 6.010 unidades, um crescimento acumulado de 39,6%.
Quem gere frota própria ou pondera renovar uma carrinha de trabalho tem, neste momento, mais opções à escolha e mais margem para negociar do que há um ano.
Elétricos batem recorde mensal, mas o crescimento vem de vários lados
De janeiro a agosto, 75,6% dos carros ligeiros de passageiros novos vendidos em Portugal já não usam apenas combustível fóssil. Dentro desta fatia, os elétricos (BEV) representam 26,8% do total do mercado, os híbridos plug-in (PHEV) 14,9%, os híbridos convencionais (HEV) 27,2% e outras soluções alternativas 6,7%.
Olhando só para agosto, o peso dos elétricos sobe para 36,1%, mais de um em cada três carros novos vendidos no mês. É a confirmação de uma tendência que já se via em meses anteriores de 2026: a compra de um carro elétrico deixou de ser exceção para se tornar uma opção corrente na equação de quem troca de carro.
Esta subida tem um efeito direto no bolso de quem compra. Com mais marcas a disputar o mesmo cliente, os elétricos deixaram de estar reservados a quem tem orçamento elevado, já há modelos disponíveis abaixo dos 20.000 euros, sobretudo com campanhas promocionais ativas.
O que este crescimento muda para quem vai comprar carro
Um mercado mais concorrido tende a beneficiar quem compra, não quem vende. Na prática, isto costuma traduzir-se em três frentes: mais modelos disponíveis em cada faixa de preço, campanhas de financiamento mais agressivas para escoar stock, e uma oferta crescente de elétricos em segunda mão nos próximos dois a três anos, à medida que os primeiros lotes de frotas e renting chegam ao fim do contrato.
Há ainda a vantagem fiscal, que continua a pesar na equação: os veículos 100% elétricos mantêm-se isentos de Imposto sobre Veículos (ISV) e de Imposto Único de Circulação (IUC) em Portugal. Juntando isto ao custo de carregar em casa, bem mais baixo do que abastecer a gasolina ou gasóleo, , a diferença no custo total de utilização ao longo dos anos costuma compensar um preço de compra ainda ligeiramente mais alto.
Quem está a comparar propostas de crédito automóvel ou de renting deve confrontar sempre a prestação mensal com a poupança em combustível e manutenção. O TAEG de um financiamento para um elétrico nem sempre compensa se o uso do carro for baixo, a conta só fecha a favor do comprador quando há quilometragem suficiente para amortizar a diferença de preço inicial.
Compare pelo menos três propostas de financiamento antes de assinar, olhando sempre para o custo total e não só para a prestação mensal.
Ligeiros de mercadorias: uma oportunidade para quem trabalha por conta própria
O crescimento de 21,8% nas matrículas de ligeiros de mercadorias em agosto tem particular relevância para trabalhadores independentes e pequenos negócios que dependem de uma carrinha para trabalhar. Com mais oferta no mercado, os preços de venda tendem a ficar mais competitivos e os prazos de entrega mais curtos, dois fatores que costumam pesar tanto quanto o preço na decisão de compra profissional.
Vale ainda lembrar que os custos com veículos afetos à atividade profissional podem ser considerados nas despesas dedutíveis em sede de IRS ou IRC, consoante o regime aplicável, o que reforça a importância de guardar todas as faturas relacionadas com a compra e manutenção do veículo.
Se este ritmo de crescimento se mantiver, Portugal deverá fechar 2026 com a fatia mais alta de sempre de carros eletrificados no total de matrículas. Faça as contas antes de decidir: compare preço de compra, custo de utilização e vantagens fiscais, e só depois escolha entre elétrico, híbrido ou combustão.
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Associação Automóvel de Portugal (ACAP). (2026, setembro 1). Mercado automóvel em Portugal com crescimento de 11,3 por cento em agosto de 2026 [Comunicado de imprensa PR/Nº49]. ACAP. https://www.acap.pt/pt/noticias