Ekonomista
Ekonomista
21 Ago, 2026 - 10:00

Carros elétricos: queixas quase triplicam em dois anos

Ekonomista

Reclamações sobre carros elétricos sobem 173% em dois anos: mais de 70% envolvem reparação e atendimento. Saiba como se proteger e quanto pode custar.

As reclamações dos consumidores portugueses relacionadas com carros elétricos quase triplicaram em dois anos. Entre janeiro e julho de 2024 foram registadas 75 queixas junto do Portal da Queixa; no mesmo período de 2026, esse número subiu para 205, um aumento acumulado de 173%. Só este ano, o crescimento face a 2025 foi de 92%.

Os dados, divulgados a 20 de agosto de 2026, mostram que o problema já não está tanto no funcionamento dos veículos, mas no que acontece depois da compra. Reparação, manutenção e atendimento concentram, em conjunto, 72% de todas as queixas apresentadas.

Para quem já tem ou pondera comprar um carro elétrico, estes números têm uma leitura prática: a fatura de possuir um elétrico não termina no preço de compra. Um processo de reparação demorado, uma garantia difícil de acionar ou um atendimento pouco eficaz podem significar semanas sem o carro e custos inesperados com transporte alternativo.

Queixas quase triplicam entre 2024 e 2026

O crescimento não é uma oscilação pontual, pois, em três anos consecutivos, o número de reclamações sobre carros elétricos subiu de forma constante:

  • 75 queixas entre janeiro e julho de 2024;
  • 107 queixas no mesmo período de 2025;
  • 205 queixas no mesmo período de 2026;

Este ritmo acompanha, em grande medida, a própria expansão do parque automóvel elétrico português. Mas o Portal da Queixa nota que o crescimento das reclamações tem sido mais rápido do que o crescimento da frota, o que sugere que a rede de pós-venda das marcas não está a acompanhar a procura.

Pós-venda é o principal problema apontado pelos consumidores

Por categoria, a distribuição das queixas é clara:

  • Reparação e manutenção – 40%;
  • Atendimento e qualidade do serviço – 32%;
  • Qualidade e segurança do produto – 16%;
  • Questões financeiras e pagamentos – 6%;
  • Questões legais e contratuais – 6%.

Os relatos mais comuns incluem problemas técnicos que se repetem após reparação, dificuldade em acionar a garantia e falta de resposta por parte dos serviços de apoio ao cliente. Por subcategoria, 71% das queixas visam diretamente as marcas automóveis, e 18% os concessionários.

BYD Auto e Tesla lideram a lista de marcas visadas

Entre as marcas identificadas, a BYD Auto concentra 17% das reclamações e a Tesla segue-se com 15%. Consulte sempre o histórico de reclamações de uma marca no Portal da Queixa antes de fechar negócio, sobretudo se o veículo depender de uma rede de assistência ainda pouco alargada em Portugal.

Vale notar que a satisfação média dos consumidores não caiu, subiu 4,82%, de 3,15 em 2025 para 3,30 em 2026. O aumento de queixas parece refletir, sobretudo, um mercado maior e mais exigente, não uma degradação geral da experiência.

Geograficamente, Lisboa e Porto concentram 55,77% das reclamações, seguidos por Setúbal (8,65%) e Braga (7,69%). O perfil típico de quem reclama é um homem entre os 45 e os 54 anos (33,65% do total).

Quanto pode custar um carro elétrico com problemas de assistência

Um elétrico imobilizado por semanas à espera de peça ou diagnóstico tem custo real, mesmo quando a reparação em si está coberta pela garantia:

  • Transporte alternativo – aluguer de viatura ou recurso a táxis/TVDE durante o período de imobilização;
  • Perda de valor de revenda – um histórico de avarias documentadas pode reduzir o valor de um elétrico usado;
  • Custos indiretos com carregamento – se o carro de substituição for a combustão, a poupança mensal habitual com eletricidade deixa de existir temporariamente.

Nenhum destes custos é comparticipado pela marca por defeito, a única forma de os evitar (ou de ser ressarcido) é conhecer os prazos e direitos previstos na lei.

Como proteger-se antes e depois da compra

Antes de comprar, verifique a proximidade e capacidade da rede de assistência da marca na sua zona, não apenas o preço do carro. Depois da compra, em caso de avaria persistente:

  1. Exija sempre folha de reparação com descrição do problema e da intervenção feita;
  2. Se a mesma avaria se repetir, isso conta para acionar a substituição do bem (Lei n.º 84/2021);
  3. Peça o Livro de Reclamações se o atendimento falhar, é gratuito e obrigatório em qualquer concessionário;
  4. Recorra ao Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo da sua área se a marca não resolver o problema em prazo razoável.

Escolha sempre um concessionário com histórico de resposta rápida a reclamações, essa informação está disponível publicamente no Portal da Queixa antes mesmo de assinar qualquer contrato.

O aumento das queixas não deve travar a decisão de eletrificar a mobilidade, mas obriga a olhar para o pós-venda como parte do preço do carro, não como um extra. Quem já anda a pensar em comprar um elétrico ganha ao pesar a rede de assistência com o mesmo cuidado com que compara autonomia ou preço final.

Mantenha-se informado sobre mobilidade elétrica e direitos do consumidor. Subscreva a Newsletter Ekonomista e receba todas as semanas, as novidades sobre carros elétricos, direitos do consumidor e as estratégias para poupar no orçamento do carro.

Veja também