Share the post "Carregar elétrico fora de casa pode custar o triplo: saiba como poupar"
Chega ao centro comercial, estaciona ao lado de um carregador e percebe que não faz a mínima ideia de quanto vai pagar. A resposta pode surpreender: a mesma carga que custa 9 a 10 euros em casa ultrapassa facilmente os 30 euros num carregador rápido de autoestrada, praticamente o triplo.
Isso acontece porque, fora de casa, o preço final junta várias parcelas: a tarifa da eletricidade, a tarifa de operação do posto e a tarifa da EGME (a entidade que gere a rede nacional). Em casa, só paga a sua tarifa de eletricidade.
A diferença é grande, mas há formas de a reduzir, desde escolher bem onde carregar até aproveitar minutos gratuitos no supermercado.
Como funciona a rede pública em Portugal
Portugal tem uma rede de carregamento totalmente interoperável, gerida pela MOBI.E. Isto significa que, com um único cartão, aplicação ou até um código QR, consegue carregar em qualquer posto ligado à rede, independentemente do operador que o instalou.
Já não precisa de contrato prévio para carregar. Desde a entrada em vigor do novo Regime Jurídico da Mobilidade Elétrica, os postos aceitam pagamento através de código QR ou, nos pontos mais recentes com potência igual ou superior a 50 kW, diretamente com cartão bancário ou MB Way. Basta carregar e pagar no final da sessão, sem assinaturas.
Quem carrega com regularidade continua a poder aderir a um Comercializador de Eletricidade para a Mobilidade Elétrica (CEME), o que normalmente reduz o custo por sessão. Mas para quem carrega ocasionalmente fora de casa, o pagamento avulso já não é complicado nem caro de gerir.
Antes de escolher onde carregar, compare os tarifários numa app de mobilidade elétrica, pois, a diferença entre postos pode ser superior a 0,15 €/kWh no mesmo trajeto.
Quanto custa realmente carregar fora de casa
O preço por kWh na rede pública varia normalmente entre 0,30 € e 0,55 €, consoante a potência do posto e o operador. Um carregador lento ou normal (AC, até 22 kW) fica geralmente mais barato do que um posto rápido ou ultrarrápido (DC, 50 kW ou mais), que compensa a velocidade com um preço mais elevado por unidade de energia.
Repare na diferença: encher a bateria de 60 kWh num posto lento pode custar cerca de 20 euros; no ultrarrápido de autoestrada, facilmente ultrapassa os 30 euros. Já em casa, com tarifa bi-horária a rondar os 0,11 € a 0,15 € por kWh nas horas de vazio, a mesma carga fica pelos 7 a 9 euros.
Atenção também às taxas de inatividade: o Continente, por exemplo, cobra 0,20 €/min depois de 15 minutos de tolerância se deixar o carro ligado ao posto após a carga terminar. Vale a pena desligar assim que a bateria chega ao limite pretendido.
Onde carregar mais barato
Vários supermercados e centros comerciais oferecem carregamento gratuito ou com desconto para atrair clientes. É talvez a forma mais fácil de poupar sem alterar rotinas, por exemplo:
- O Continente oferece até 30 minutos de carregamento gratuito em compras superiores a 30 euros, através do serviço Plug&Charge e da app do Cartão Continente;
- O Lidl tem postos de carregamento em 275 das suas mais de 290 lojas em Portugal, com tomadas DC de 50 kW e AC de 22 kW integradas na rede MOBI.E;
- A Mercadona, em parceria com a Iberdrola, disponibiliza pontos de carregamento de 22 kW nas suas lojas, também integrados na rede MOBI.E, com tarifa de operação reduzida para quem carrega enquanto faz compras;
- A Ikea, em parceria com a Galp, disponibiliza carregadores (7,4 kW, 22 kW e 60 kW DC) nos parques das suas lojas e de centros comerciais associados, resultado de uma parceria firmada em 2023;
- Muitos municípios instalam carregadores gratuitos ou muito económicos em parques de estacionamento camarários.
Se faz compras regularmente numa destas cadeias, aproveite a paragem para carregar em simultâneo, poupa tempo e dinheiro na mesma deslocação.
O que está a mudar em 2026
O novo enquadramento legal para a mobilidade elétrica está a simplificar o acesso à rede. Já não é preciso contrato para carregar, os pagamentos diretos com cartão ou MB Way tornam-se mais comuns, e a partir de janeiro de 2027 todos os postos com 50 kW ou mais terão de aceitar pagamento direto no local. Mais concorrência entre operadores tende, a prazo, a puxar os preços para baixo.
O triplo do preço não é inevitável, é o que acontece quando não compara opções. Confirme o tarifário antes de ligar o cabo, aproveite os minutos gratuitos do supermercado e desligue o carro assim que a bateria estiver no nível que precisa. É a diferença entre pagar 20 euros ou 35 euros pela mesma carga.
ERSE / Observador (2025). Tarifas da rede pública de carregamento para carros elétricos vão descer abaixo de 31% em 2026. https://observador.pt/2025/12/15/tarifas-da-rede-publica-de-carregamento-para-carros-eletricos-vao-descer-abaixo-de-31-em-2026-menos-do-que-a-proposta-inicial/
MOBI.E (2026). Are you travelling through Portugal in an electric vehicle?https://www.mobie.pt/en/mobility/are-you-travelling-through-portugal-in-an-electric-vehicle
MOBI.E (2026). Frequently Asked Questions. https://www.mobie.pt/en/chargevehicle/frequentlyaskedquestions
Repsol (2026). Liberalização do pagamento nos carregamentos elétricos. https://www.repsol.pt/particulares/assessoramento/liberalizacao-carregamentos-eletricos/
Continente (2026). Plug&Charge — carregue o seu carro elétrico. https://www.continente.pt/servicos/plug-and-charge
Mercadona Portugal (2021). Mercadona e Iberdrola unem-se pela mobilidade elétrica em Portugal. https://www.mercadona.pt/pt/cuidemos-do-planeta/os-nossos-factos/mercadona-e-iberdrola-unem-se-pela-mobilidade-eletrica-em-portugal/news
Observador (2023). IKEA disponibiliza 278 pontos de carga em Portugal. https://observador.pt/2023/02/09/ikea-disponibiliza-278-pontos-de-carga-em-portugal/
Sportinforma (2025). Carros elétricos: pagamentos diretos e mais concorrência chegam à rede de carregamento. https://sportinforma.sapo.pt/motores/artigos/carros-eletricos-pagamentos-diretos-e-mais-concorrencia-chegam-a-rede-de-carregamento-como-funciona