Share the post "Elétricos disparam 68,7%: o que muda para quem compra carro"
Portugal tornou-se o segundo mercado mais eletrificado da Europa, atrás apenas da Noruega. No primeiro semestre de 2026, a procura por carros 100% elétricos subiu 68,7% face ao ano anterior, segundo o estudo semestral do Standvirtual.
Esta mudança reflete-se diretamente no orçamento de quem precisa de comprar carro este ano: nos preços dos usados, na oferta disponível e nas motorizações que valem mais na hora de vender.
Para quem está a decidir entre elétrico, híbrido ou combustão ou entre um carro novo e um usado, perceber estes números ajuda a escolher com menos surpresas na carteira.
Portugal aproxima-se da Noruega em eletrificação
O crescimento não aconteceu de forma linear ao longo do semestre. Um dos momentos mais marcantes ocorreu durante o primeiro mês do conflito entre o Irão e os Estados Unidos, quando o receio de subida dos combustíveis levou a que uma em cada quatro pesquisas no Standvirtual fosse por elétricos, quando antes a proporção era de uma em cada sete.
Este comportamento mostra algo relevante para quem gere o orçamento familiar: a incerteza sobre o preço dos combustíveis pesa cada vez mais na decisão de compra, e a fatura do elétrico, dependente sobretudo da eletricidade, torna-se um argumento de estabilidade financeira.
Quanto custa comprar elétrico agora
No mercado de carros novos, o elétrico já lidera. Em junho, os veículos 100% elétricos representaram 29% das matrículas, à frente dos híbridos (24%), da gasolina (21%) e do gasóleo (15%). Quem compra novo tem hoje mais escolha e mais concorrência de preços entre marcas do que há um ano.
No mercado de usados, o cenário é mais equilibrado do que parece à primeira vista. O valor médio da oferta aproximou-se dos 26.000€ em junho, mas este aumento resulta sobretudo da entrada de veículos de gama mais alta no mercado. Quando se comparam carros com características equivalentes, os preços efetivos continuam a descer. Ou seja: o “carro médio” parece mais caro nas estatísticas, mas o mesmo carro, com as mesmas características, não está necessariamente mais caro para comprar.
Nos elétricos usados, o Tesla Model 3 mantém a liderança de procura, à frente do BMW i3 e do Tesla Model Y, três referências úteis para quem quer comparar preços antes de negociar.
Mais importações, mais escolha
Nos primeiros seis meses do ano foram importados 67.264 veículos, mais 16,3% do que no mesmo período de 2025. Pela primeira vez, os elétricos e híbridos passaram a representar 44% de todas as importações, ultrapassando a gasolina (29%) e o gasóleo (27%).
Para quem compra usado, mais importação significa geralmente mais oferta e mais opções para comparar preços entre concessionários e vendedores particulares. A procura de usados cresceu 11% no semestre, mas a oferta cresceu ainda mais, 12%, o que ajuda a manter o mercado equilibrado e evita subidas de preço motivadas por escassez.
Marcas chinesas ganham espaço
As marcas chinesas duplicaram a sua presença no mercado nacional num único ano, passando de 0,56% para 1,43% da oferta e de 0,96% para 1,84% da procura. No segmento elétrico, o peso é ainda maior: cerca de 9% da oferta e da procura, praticamente um em cada dez elétricos pesquisados na plataforma. A MG e a BYD concentram mais de 84% da oferta chinesa, com Aion, Leapmotor, Omoda e Jaecoo a começarem a ganhar visibilidade.
Na prática, isto tende a alargar o leque de elétricos disponíveis em faixas de preço mais acessíveis, um fator a acompanhar por quem está a comparar orçamentos antes de decidir.
Dicas práticas para quem vai comprar carro em 2026
Antes de fechar negócio, compare o preço de carros com as mesmas características (ano, quilómetros, motorização) em vez de olhar apenas para a média do mercado, que está a subir por incluir mais carros topo de gama.
Quem pondera um elétrico deve também verificar se ainda tem acesso ao incentivo do Fundo Ambiental à compra de veículos elétricos, que pode reduzir significativamente o investimento inicial. E, com a oferta de usados a crescer mais depressa do que a procura, há margem para negociar, especialmente em modelos fora do top 3 mais procurado.
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