Share the post "Carros elétricos disparam 63% em Portugal: junho de 2026 bate recorde"
Os carros elétricos nunca venderam tanto em Portugal como em junho de 2026. Foram matriculados 7.572 veículos 100% elétricos, mais 63,1% do que no mesmo mês do ano passado. O crescimento não fica por aqui: somando híbridos plug-in e híbridos convencionais, os carros eletrificados já representam 68% de tudo o que se vende em Portugal.
Os números constam do último relatório da ACAP – Associação Automóvel de Portugal, divulgado a 1 de julho. E confirmam uma tendência que já se vinha a desenhar ao longo do primeiro semestre: quem compra carro novo em Portugal está, cada vez mais, a fugir da gasolina e do gasóleo puros.
Para quem anda a pensar trocar de carro ou já teve o elétrico na lista de compras, estes dados têm consequência direta na carteira: mais oferta, mais concorrência entre marcas e, potencialmente, melhores condições de financiamento.
Elétricos puros crescem 63% num só mês
O segmento dos veículos 100% elétricos (BEV) foi o que mais acelerou em junho. As 7.572 unidades matriculadas correspondem a 28,7% de todos os carros novos vendidos no mês, uma fatia que há um ano seria impensável.
O acumulado do primeiro semestre confirma que não se trata de um pico isolado. De janeiro a junho, foram registados 34.706 elétricos novos, mais 38,7% do que no mesmo período de 2025. Isto significa que um em cada quatro carros novos vendidos em Portugal este ano já é elétrico.
O crescimento sustentado ao longo de seis meses consecutivos sugere um mercado em maturação, não um efeito passageiro ligado a uma campanha ou a um incentivo pontual.
Híbridos plug-in e híbridos convencionais também sobem
Nem só de elétricos puros vive a eletrificação. Os híbridos plug-in (PHEV) somaram 3.917 matrículas em junho, um crescimento de 18,2% face ao ano anterior, e representam já 14,9% do mercado do mês. Dentro desta categoria, os modelos a gasóleo cresceram mais depressa (25,1%) do que os modelos a gasolina (17,6%), ainda que continuem a ser uma fatia residual do total.
Os híbridos elétricos convencionais (HEV), aqueles que não se ligam à tomada, registaram 6.435 unidades em junho, mais 32,8%, e já pesam 24,4% no total do mercado. Aqui há uma divergência a assinalar: os HEV a gasolina dispararam 36,6%, enquanto os HEV a gasóleo recuaram 41,2%. O gasóleo, mesmo em versões híbridas, continua a perder terreno junto dos compradores portugueses.
No acumulado do semestre, os híbridos plug-in somam 19.631 unidades (+22,7%) e os híbridos convencionais 38.929 (+30,8%), consolidando-se como a categoria eletrificada com maior volume absoluto de vendas.
Comerciais e pesados também aceleram a eletrificação
A tendência não se fica pelos carros de passageiros. No segmento dos ligeiros de mercadorias, as matrículas de veículos eletrificados dispararam 260,3% em junho, alcançando 1.063 unidades e uma quota de 31,8% neste mercado. Só os elétricos puros cresceram 251,5% no mês.
No acumulado do semestre, os comerciais eletrificados somam 3.359 unidades, mais 114,8% do que em igual período de 2025 — um sinal de que empresas de logística e frotas de serviços estão a antecipar a transição.
Nos veículos pesados, o crescimento é ainda mais acentuado em termos percentuais, ainda que a partir de uma base pequena: 68 unidades eletrificadas matriculadas em junho (+466,7%) e 557 no semestre (+813,1%), já representando 13,3% deste mercado.
O que isto significa para quem vai comprar carro
Um mercado com mais concorrência tende a beneficiar quem compra. Com quase 70% das matrículas já a acontecer fora da gasolina e do gasóleo puros, as marcas generalistas têm cada vez menos margem para adiar o lançamento de versões elétricas ou híbridas mais acessíveis em Portugal.
Na prática, isto costuma traduzir-se em três frentes: mais modelos disponíveis em cada faixa de preço, campanhas de financiamento mais agressivas para escoar stock e uma oferta crescente de usados eletrificados nos próximos dois a três anos, à medida que os primeiros lotes de frotas e renting chegam ao fim do contrato.
Quem está a comparar propostas de crédito automóvel ou de renting deve confrontar sempre a prestação mensal com a poupança em combustível e manutenção, o TAEG de um financiamento para elétrico nem sempre compensa se o uso do carro for baixo. Vale a pena pedir simulações a mais do que uma instituição antes de assinar.
Se este ritmo se mantiver, Portugal deverá fechar 2026 com a fatia mais alta de sempre de carros eletrificados no total de matrículas, reforçando a pressão sobre as marcas que ainda dependem sobretudo de motores a combustão para venderem em Portugal.
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Associação Automóvel de Portugal (ACAP). (2026, julho 1). Mercado de ligeiros de passageiros eletrificados com crescimento de 45,4 por cento em junho de 2026 [Press release PR/Nº37]. ACAP. https://www.acap.pt/pt/noticias