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Elsa Santos
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27 Fev, 2020 - 09:43

7 princípios para uma educação positiva

Elsa Santos

E se lhe dissesse que em vez de castigos ou gritos de cada vez que uma criança se porta mal, há alternativas positivas? Saiba em que consiste a educação positiva.

professora e alunas felizes a fazer trabalhos

A educação positiva é um tema relativamente recente em Portugal, ainda que cada vez mais presente nas escolas e nas famílias.

Estamos ainda a trilhar um caminho nesta matéria, alicerçadas nas evidências de estudos e programas de especialistas que enumeram benefícios de uma educação positiva. A curiosidade e a prática vão gerando mudanças.

Ao contrário do que durante tanto tempo se seguiu, já não se defende a ideia de que para uma criança aprender e se tornar boa seja necessário castigá-la ou fazê-la sentir-se mal. No entanto, também é certo que a educação positiva não pode ser confundida com uma educação permissiva, desligada de qualquer tipo de autoridade de quem educa. Também aqui, é fundamental conta, peso e medida.

Descubra o que é e alguns princípios pelos quais se norteia a educação positiva.

Educação positiva: que importância?

aluna no quadro a fazer exercícios com cara satisfeita

O que é?

Tudo começa com compreensão em vez de reação. Quer isto dizer que na educação positiva, é importante começar por tentar perceber qual a razão por detrás de uma mau comportamento. Feito isso, há que encontrar a melhor solução para o problema, sendo sempre uma alternativa positiva.

Todas as crianças querem sentir-se importantes e têm o desejo de pertencer, quer à escola, quer ao grupo de amigos, quer à família. Rebaixa-la não vai fazer com que se sinta melhor. Ainda que possa resolver, pode (muitas vezes) gerar medo e revolta e isso está longe de ser educar.

A educação positiva não é mais do que um modelo educativo que permite entender o comportamento das crianças e oferece ‘ferramentas’ para atuar, sempre de forma positiva. Ou seja, com firmeza mas com afetividade ao mesmo tempo, sem autoritarismos ou controlo excessivo, mas igualmente sem permissividade.

Baseia-se, pois, no respeito mútuo e na cooperação. A educação positiva permite aos educadores, professores e pais ajudar os mais novos a desenvolverem competências básicas para a vida e um sentido de responsabilidade apurado.

Vantagens

A educação positiva baseia-se em princípios e práticas que estimulam e desenvolvem capacidades e comportamentos essenciais à vida em sociedade.

Assim, pelo que promove, a educação positiva apresenta muitas vantagens, tais como:

  • saúde e o bem-estar fisico e psicológico;
  • autoestima;
  • confiança;
  • respeito;
  • empatia;
  • autonomia.

Estas e outras vantagens resultam da linha de ação de uma disciplina que se foca no positivo e numa evolução constante pela melhoria.

7 princípios da educação positiva

Principios para uma educação positiva

Do “dar o exemplo” à empatia, passando pelo autoconhecimento, de acordo com especialistas, há princípios importantes para uma educação positiva.

Conhecer a origem do comportamento

Um mesmo comportamento pode ter diferentes motivações e consequências em momentos distintos. Logo, é preciso perceber por que razão uma criança se comporta de maneira errada.

Descreva o que a criança faz em termos de comportamentos (quando, onde, como, de que maneira) e tente perceber o porquê. Só assim vai conseguir encontrar uma solução.

E lembre-se que nunca deve recompensar um comportamento negativo (birra, manipulação, gritos, agressão) nem atribuir rótulos de personalidade.

Autoconhecimento

O autoconhecimento é fundamental. Um educador deve, antes de mais, ser reconhecido como referência. As crianças aprendem pelo exemplo. Portanto, é simples, ele deve ser bom, caso contrário será sempre demasiado difícil educar.

Um educador deve conhecer-se a si mesmo, o que lhe permite tomar consciência das suas características individuais e sobre as suas expectativas sobre os outros. Importa perceber que tipo de pessoa é e que práticas educativas usa para disciplinar.

Se é do estilo autoritário (muito limite e pouco afeto), permissivo (pouco limite e muito afeto), negligente (pouco limite e pouco afeto) ou participativo (muito limite e muito afeto). Idealmente, uma boa educação deve incluir, de forma equilibrada, limites e regras, afeto e envolvimento.

Empatia

A empatia é importante em qualquer relacionamento humano e na educação assume, de facto, uma papel determinante. Quando há empatia entre as partes, quando o educador dá atenção, cuida, respeita e “protege” a criança, esta sente-se segura e essa mesma segurança abre caminho a uma aprendizagem através do reconhecimento da autoridade, do exemplo, que acontece de forma muito positiva.

Comunicação positiva

Procure comunicar de forma positiva e clara com a criança. Dessa forma vai ajuda-la a expressar os seus sentimentos. Use atitudes e frases de incentivo, tais como “Tu és capaz” e evite tudo o que provoque mal-estar. Elogie, recompense, mostre entusiasmo.

mãe a ajudar filha nos trabalhos de casa

Regras e limites

As existência de regras e de limites constitui algo básico na educação de qualquer criança. Sem estes elementos não há educação.

As regras devem ser sempre claras, consistentes, realistas e apropriadas à idade da criança, sendo necessariamente repetidas. É normal que mais cedo ou mais tarde, a criança vai quebrar as regras para desafiar e testar até onde pode ir. Seja firme.

Consequências lógicas

De um modo geral, e de acordo com especialistas (psicólogos) na matéria, a punição não é eficiente como método para se eliminar um comportamento. O uso da punição física (palmadas, por exemplo) pode trazer danos psicológicos e consequências muito negativas ao desenvolvimento da criança.

Os educadores (incluindo os pais) devem perceber que existem sempre alternativas à punição corporal, tais como o diálogo, ignorar alguns comportamentos que não sejam a agressividade, estabelecer castigos ou penalidades e apresentar consequências lógicas como “deves fazer o exercício antes de saíres para o intervalo”.

Estimular a autonomia

A educação positiva e de qualidade compreende duas atitudes aparentemente antagónicas: estar envolvido e deixar a criança encontrar o seu próprio caminho.

Educar para a autonomia, é essencial. Permitir a uma criança encontrar a sua independência, implica ensina-la a refletir sobre as suas escolhas e deixa-la perceber os resultados. Errar faz parte da aprendizagem, ainda que sempre com supervisão. Assim, vai ganhando responsabilidade e autonomia.

Elogiar

De acordo com um estudo realizado pela Universidade Brigham Young (Estados Unidos da América), quanto mais um professor elogiar os seus alunos no ensino primário, maior é a tendência para estes obterem mais sucesso a nível escolar.

Enquanto os elogios estão ligados ao sucesso escolar de um aluno, palavras de reprovação estão ligadas à falta de vontade de cumprir as instruções dos professores e ao mau comportamento.

Os professores que mais elogiaram os seus alunos viram aumentar até trinta por cento os comportamentos positivos dos alunos.

O estudo decorreu durante três anos, em cerca de 151 turmas de 19 escolas do primeiro ciclo nos Estados norte-americanos do Missouri, Tennessee e Utah, permitindo aos investigadores observar a interação dos professores com um total de 2 536 alunos com idades entre os 5 e 12 anos, desde o pré-escolar até ao sexto ano. 

Em Portugal está já a ser implementado em turmas do do pré-escolar e do 1º ciclo um Modelo de Educação Positiva, designado de “Optimistic Kids”.

O tema vai ser debatido no Primeiro Encontro de Educação Positiva apoiado pela Cátedra UNESCO em Educação para a Paz Global Sustentável da Universidade de Lisboa.

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