Inês Silva
Inês Silva
13 Jan, 2020 - 10:31
escolas verdes

Escolas verdes: educação para a sustentabilidade ambiental

Inês Silva

As escolas verdes são reflexo de uma vontade de contribuição para um ambiente mais sustentável. Conheça os princípios orientadores destas escolas.

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Nos dias que correm, as escolas verdes são um movimento fundamental que visa alcançar um ambiente mais sustentável para todos. Nasce no seio de vários movimentos que visam propor novos modelos educacionais, entendendo o aluno como sujeito particular e autónomo, detentor de um percurso individual.

Neste contexto, pretende-se que a educação seja transformadora, formando seres humanos com mais valores, colocando o conhecimento ao serviço da comunidade.

Este tipo de escolas procuram isso mesmo: menos individualismo e um pensamento a pensar no bem comum, abrindo uma porta para uma reflexão conjunta, baseada no espírito crítico e na autonomia de pensamento.

O modelo está ainda em crescimento no mundo mas o número dos seus seguidores tem aumentado. A sua filosofia é, acima de tudo, a proteção ambiental e a sustentabilidade do planeta.

ESCOLAS VERDES NO MUNDO

A grande referência no mundo é a Green School, em Bali, na Indonésia, fundada em 2006, e tendo como designer John Hard. Esta instituição disponibiliza uma educação natural e centrada nos alunos, com um currículo que combina a teoria e a prática, tendo alunos vindos de todos os lados do planeta, na esperança de que aprenderão a defender a sustentabilidade do meio ambiente e, por conseguinte, do planeta Terra.

Esta escola nada tem de tradicional. A sua estrutura física é um dos grandes modelos de arquitetura sustentável do planeta. Na verdade a escola é toda construída em bambu, e 80% da energia elétrica consumida é adquirida por meio de painéis solares. É uma escola inspiradora, que se demarca das limitações das escolas com modelo tradicional.

Escolas verdes noutros países

Nos Estados Unidos da América, já existem 118 escolas com este modelo de aprendizagem. O programa “Escolas Verdes” nasceu em 2007, em Mansfield, com o objetivo de levar a sustentabilidade para dentro das escolas, convidando à reflexão e mudando a conduta de alunos e famílias.

No Brasil, estas escolas estão ainda a nascer, tendo o seu início com a criação do Colégio Estadual Erich Walter Heine, na zona oeste do Rio de Janeiro, fruto de uma parceria público-privada. Esta escola foi construída com painéis solares, iluminação natural, ecotelhado, reaproveitamento da água da chuva e zona para se fazer reciclagem.

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Foi a primeira escola da América do Sul a ganhar o selo Leed School, garantindo-lhe o título internacional de escola sustentável.

ESCOLAS VERDES EM PORTUGAL: PROJETO ECO-ESCOLAS

crianças ecologia

O Eco-Escolas trata-se de um programa de educação para o desenvolvimento sustentável, promovido em Portugal pela Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE), secção portuguesa da Fundação de Educação Ambiental (FEE).

Desenvolvido em Portugal desde 1996, este programa está implementado em mais de 1500 escolas em todo o território nacional.

Objetivos do programa

O programa Eco-Escolas tem como objetivos encorajar, reconhecer e premiar o trabalho desenvolvido pelas escolas na melhoria do seu desempenho ambiental e sensibilização/educação para a necessidade de adoção de comportamentos mais sustentáveis.

O programa pretende, ainda, criar hábitos de participação e cidadania, tendo como finalidade principal encontrar soluções que permitam melhorar a qualidade de vida na escola e na comunidade.

Como aderir ao programa

O programa pode ser adotado por qualquer escola que se inscreva e que siga a sua metodologia:

  • Manifestação por parte da escola da vontade de melhorar o seu desempenho ambiental, envolvendo os alunos nos processos de decisão e na implementação do Programa, em qualquer das suas fases;
  • Empenho na implementação do Programa por parte do diretor ou presidente da escola;
  • Nomeação de 1 ou 2 professores coordenadores Eco-Escolas;
  • Preenchimento/upload de informação na página do programa.

A inscrição é realizada por estabelecimento de ensino. É reconhecido o estatuto de Eco-Agrupamento, ao agrupamento que tem 100% de Eco-Escolas.

Metodologia das Eco-Escolas

Conselho Eco-escolas

O primeiro passo é criar um Conselho que deve incluir representantes da comunidade escolar e local.

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Auditoria Ambiental

Deve ser realizada para ser possível analisar e diagnosticar aspetos relativos à gestão ambiental da escola e identificar situações que necessitem de ser corrigidas ou melhoradas.

Plano de Ação

Anualmente, o Conselho Eco-Escolas deve aprovar um Plano de Ação elaborado com base na Auditoria Ambiental. O plano deve definir objetivos exequíveis, medidas a implementar, metas e prazos realistas para a sua concretização.

Monitorização e Avaliação

A monitorização e a avaliação da implementação do Plano de Ação é uma componente importante no processo, devendo estar previstos indicadores e formas de avaliação das ações a levar a cabo.

Trabalho Curricular

Os assuntos ambientais que são estudados na sala de aula devem influenciar a forma e o funcionamento da escola.

Informação Envolvimento da Escola e Comunidade Local

A comunicação e divulgação são essenciais, podendo para isso recorrer-se a jornais, Internet ou outras formas de divulgação, além da realização de exposições, colóquios ou outros eventos, que permitam chamar a atenção da Comunidade para o trabalho desenvolvido. É aconselhado a realização de pelo menos um Dia Eco-Escolas.

Eco-Código

Este código é uma declaração de objetivos traduzidos em ações concretas que todos os membros da escola se comprometem a seguir.

Galardão Eco-Escolas

É atribuído, anualmente, um galardão às escolas que se candidatam e que consiste numa bandeira verde, a ser hasteada no exterior da escola, num certificado e na autorização de utilização do logótipo do Programa nos materiais da escola.

Para se candidatarem ao Galardão, as escola devem demonstrar o cumprimento da metodologia e dos temas de trabalho propostos, bem como das ações programadas.

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Periodicamente as escolas são visitadas por elementos da Comissão Nacional que visam reconhecer o trabalho em curso e assegurar os parâmetros de qualidade do programa.

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