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Marvin Tortas
Marvin Tortas
19 Out, 2020 - 12:47

Ensaio Hyundai Ioniq EV: o melhor elétrico que pode comprar?

Marvin Tortas

Se colocar na mesma balança a qualidade e o preço, o Ioniq EV talvez seja o melhor elétrico que pode comprar. Explicamos o porquê em mais um teste.

Hyundai Ioniq

60 000. Este foi o número de unidades vendidas do Hyundai Ioniq EV ao longo dos anos, desde que foi lançado pela primeira vez em 2016, e que o colocam assim no top 10 dos carros elétricos mais vendidos na Europa.

Com alguns anos no mercado, e num segmento que tem crescido a um ritmo alucinante, já eram exigidas algumas atualizações ao Hyundai Ioniq, e no final de 2019, a marca sul-coreana apresentou-nos o Hyundai Ioniq 2.0, ou como se diz na gíria, apresentou a versão “facelift” do seu primeiro EV.

Em mais um ensaio do Ekonomista Motores, fomos conhecer o “novo” Ioniq ao pormenor e conhecer os seus argumentos para competir neste que é um dos mais concorridos e ferozes segmentos automóveis.

Hyundai Ioniq EV “Facelift”: mais autonomia, mais tecnologia, o mesmo preço

Análise Exterior

No Hyundai Ioniq EV MY2020 foram adicionados novos faróis LED nos grupos de óticas frontal e traseiro, que lhe conferem um aspeto mais moderno, mas que mantém a concordância com a linha do passado.

Além disso, encontramos agora dois pequenos flaps na parte frontal que abrem para arrefecer o coração elétrico do Ioniq e que alteraram ligeiramente o visual da “grelha” frontal.

Na verdade, num carro elétrico, e pelo menos para já, a estética, para além de ser sempre subjetiva, não é o que realmente importa. A grande generalidade das pessoas poderá não achar o Hyundai Ioniq o compacto mais bonito do mercado, mas é este formato quase de “bolha”, muito característico dos carros eletrificados, e que foi estreado pela primeira geração do Toyota Prius, que torna o Hyundai Ioniq num dos carros mais eficientes que pode comprar, tendo um coeficiente aerodinâmico de 0,24, ao passo que o seu principal rival, o Nissan Leaf, tem um coeficiente de apenas 0,28.

Mas fundamentalmente, este novo Hyundai Ioniq difere do seu antecessor pelo seu interior e pelo novo conjunto de baterias. Mais potentes e maior autonomia.

Com uma autonomia anunciada superior a 300km, o Ioniq EV entra já num patamar de usabilidade bastante vasto, permitindo a quem o conduz fazer viagens longa duração sem tantas restrições, ou não estar dependente de uma tomada de carregamento todos os dias caso os trajetos sejam mais curtos.

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Análise Interior

O interior deste “Ioniq 2.0” foi também revisto e está agora capaz de competir com qualquer automóvel do segmento C. 

Os materiais suaves que encontramos no tablier, nas portas, e na consola central, não são dignos de um automóvel de luxo, mas são tudo aquilo que pedimos num automóvel moderno de segmento médio e demonstram uma construção sólida e duradoura, como é apanágio das marcas sul-coreanas.

No que toca a tecnologia, o Ioniq EV é também um player de referência dentro deste segmento. Não, não é um Tesla onde podemos jogar num tablet enquanto esperamos que o carro carregue, mas este Ioniq EV não lhe fica a dever nada em conforto e elegância e ergonomia.

Como equipamento de série, neste Hyundai Ioniq EV contamos com:

  • Chave Inteligente (Smart Entry & Start)
  • Vidros traseiros privativos
  • Auto A/C
  • Ecrã tátil de 10.25” muito completo
  • Integração com smartphones Apple Carplay e Android
  • Sensores de estacionamento traseiros
  • Câmara auxiliar ao estacionamento traseiro
  • Bancos dianteiros com aquecimento e ventilação
  • Volante com aquecimento
  • Banco do condutor com regulação elétrica e função de memória
  • Carregador de telemóvel sem fios

No capítulo da segurança, o Ioniq também dá cartas, incluindo de série:

  • Cruise Control Adaptativo com função Stop&Go
  • Alerta de Colisão Frontal
  • Apoio à Manutenção na Faixa de Rodagem (LKA)
  • Sistema de alerta de fadiga do condutor (DAW)

Quanto a espaço, o Ioniq EV pertence ao segmento C e oferece tudo aquilo que podemos esperar de um automóvel deste segmento: um espaço muito razoável para 4 ocupantes adultos, embora os ocupantes traseiros, caso sejam de maior estatura, possam ficar com o espaço para a cabeça algo limitado devido a este formato quase de “gota” do Ioniq. 

A bagageira conta com 350L de capacidade. Uma volumetria algo “desapontante” tendo em conta as dimensões deste automóvel, mas que é limitada pela colocação das baterias e dos componentes elétricos. Ainda assim, os 350L de capacidade colocam este carro na média do segmento C, e a abertura ampla da mala garantem um fácil acesso a este compartimento.

Condução

O peso é um fator muito preponderante nos carros elétricos. Não só porque afeta a sua autonomia, mas sobretudo, porque afeta a forma como um carro elétrico se comporta em curva, e este Ioniq EV conta com 1970kg de peso bruto na balança, e esse peso faz-se sentir nas curvas mais apertadas, é um facto.

Mas convenhamos, o Ioniq não é um carro que apele a uma condução puramente desportiva. Muito pelo contrário, a sua excelente insonorização, digna de um carro de segmento superior, mesmo a velocidades de autoestrada, convida-nos a desfrutar da viagem numa toada mais suave.

A suspensão também coopera, tendo uma taragem pouco firme e absorvendo com mestria as irregularidades do alcatrão.

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No que toca a potência, o Hyundai Ioniq EV tampouco foi desenhado para bater recordes. Os 136cv de potência garantem-lhe uma velocidade máxima de 165km/h (limitada eletronicamente), e os 295Nm de binário instantâneo tampouco surpreendem, mas são suficientes para levar os quase 2000kg deste Ioniq dos 0 aos 100km/h em 10,0 segundos. 

No entanto, onde este elétrico realmente impressiona é nas recuperações, e entre os 40 e os 80km/h, o Ioniq EV praticamente “cola” qualquer pessoa ao banco.

Quanto a autonomia, que é provavelmente o tópico mais importante num automóvel elétrico nos dias de hoje, a Hyundai anuncia uma autonomia de 331 km de acordo com o ciclo WLTP. 

Nos quase 700km que pudemos conduzir este Hyundai Ioniq EV, e nos quais se enquadrou uma viagem entre Braga e Aveiro, o computador de bordo registou consumos entre os 14 e os 15 kWh. Isto sem grandes poupanças no andamento ou preocupações com a autonomia, o que se traduz numa autonomia real, em ciclo misto, de cerca de 280km, ou de aproximadamente 310km em circuito urbano.

E tão importante quanto a autonomia, é também o tempo de carregamento. É possível carregar o Hyundai Ioniq EV de 3 diferentes formas:

  • Tomada de carregamento rápido (50kW) – 54min dos 0-80%
  • Wallbox (22kW) – 5:30h dos 0 aos 100%
  • Tomada doméstica (2,3kW) – 36h dos 0 aos 100%.

Preços

Quanto a preços, o Hyundai Ioniq EV está disponível a partir dos 36.580€. No entanto, a versão ensaiada conta com os opcionais Pack Pele e Pintura Metalizada, ficando-se por isso nos 38.605€.

Importa sempre realçar que, para o caso dos proprietários de empresas, o IVA poderá ser dedutível neste automóvel uma vez que se trata de um veículo eletríficado, por isso poderá comprar o Ioniq por valores inferiores a 30 000€.

Veredicto final

O Hyundai Ioniq EV é, provavelmente, o carro elétrico mais completo que 36 000€ podem comprar, neste momento, e por duas razões muito simples.

Em primeiro lugar, o equipamento de série. Neste capítulo, o Ioniq EV joga frente-a-frente com qualquer automóvel do segmento C, ou até superiores.

Em segundo lugar, a autonomia. 300km colocam já este carro num patamar de usabilidade bastante vasto, e se tivermos em conta que uma carga completa neste carro pode ficar por menos de 4€, no caso de percorrer muitos quilómetros anualmente, o Hyundai Ioniq EV deve mesmo ser um carro a considerar, até porque lhe oferece 7 anos de garantia sem limite de quilómetros, e 8 anos de garantia ou 200.000km no que a componentes elétricos diz respeito.

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