Ekonomista
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27 Mar, 2019 - 15:07
mercedes classe e

Conheça o porquê da “moda” dos escapes falsos

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O tema das saídas de escape falsas atormenta muitas almas com afinidade pelo universo automóvel. Afinal, existe alguma razão técnica por detrás das saídas de escape que vemos nos carros novos ou são só uma questão de estilo?

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Os escapes falsos, ou melhor, as saídas de escape falsas, são como os SUV: estão na moda! E se forem somente uma questão de estilo e imagem, os puristas dos automóveis bem que se podem indignar, mas pouco há a fazer.

Estilo, imagem, moda, trendy… todos estes termos vivem de mãos dadas com a indústria automóvel desde há muitos anos (trendy é mais recente…) e, naturalmente, com a passagem do tempo, estas exigências vão-se refinando.

A utilização de escapes falsos (os escapes, na verdade, são reais, as saídas é que não) têm, à partida, propósitos meramente estéticos. Tal como aconteceu com o fenómeno SUV, as marcas estão a sucumbir a este estilo.

Mas, se podemos encontrar alguma explicação na funcionalidade de um carro com suspensões elevadas ou com uns plásticos na carroçaria, já os escapes falsos são complicados de justificar.

Até que ponto, carros desportivos de renome, como um Audi RS ou um AMG GT, ficam a ganhar com para-choques recortados com aqueles “efeitos especiais”, prescindindo de mostrar o glamour do sistema de escape? Além do mais, os escapes sempre foram um dos cartões de visita dos automóveis mais performantes e destacavam versões que se distinguiam da gama.

Atualmente, o Honda Civic Type R é um dos poucos exemplos que se mantém fiel e que mostra orgulhosamente três saídas de escape com utilidade prática.

Com a evolução da filosofia dos escapes falsos, daqui por poucos anos um automóvel com saídas de escape reais será uma raridade… e poderá valer dinheiro só por ter saídas de escape à vista!

Escapes falsos: sinais do tempo

audi a6 avant

Para muitos fãs, o escape é como o símbolo do culminar de potência e performance. Basta a expressão “escape livre” para deixar muitos adeptos de automóveis entusiasmados.

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E quando se faziam reparações todos os dias em qualquer garagem de esquina, um dos primeiros acessórios a substituir era o escape, mais que não fosse a panela final. Mesmo que se tratasse de um Fiat Punto 55, que passaria a estremecer as janelas dos vizinhos, mas a andar o mesmo…

Independentemente de se gostar muito de automóveis e nos deleitarmos com os detalhes de carros desportivos, a questão dos escapes falsos é mais um sinal dos novos tempos. O mundo automóvel debate-se com questões como normas anti-poluição, carros elétricos, formas alternativas de mobilidade, veículos autónomos ou energias sustentáveis.

É preciso entender que, para o consumidor que dá menos importância ao carro que ao smartphone, para aquele que não compra as (poucas) revistas de automóveis que ainda existem ou para quem não é um “habitué” dos fóruns em torno do automóvel, uma bela (e verdadeira) saída de escape pode ser sinónimo de poluição, fanatismo na estrada ou mesmo ostentação.

Como se sabe, o desinteresse pelo automóvel é uma preocupação das marcas e estas sabem que não há volta a dar. Ou há, mas não com os mesmos argumentos de até agora e por isso estão a desenvolver novas estratégias e alianças. O atual comprador de um automóvel, se não tiver mais de 40 anos ou alma de mecânico que passa os dias com a cabeça debaixo do capot, não vai dar importância à saída de escape, sobretudo se for verdadeira.

Por isso, os construtores estão a adotar novas estratégias: os carros estão cada vez mais “digitais” (na relação com o utilizador e nos sistemas de informação e partilha de dados), batalha-se contra as emissões poluentes e vive-se a corrida aos carros elétricos.

Os escapes falsos são, provavelmente, um género de ponte num período de transição entre os carros “antigos” e os novos. Carros que, com o tempo, poluirão cada vez menos ou nada… pelo menos nos valores medidos à saída do escape (naqueles que ainda tiverem sistema de escape).

Escapes falsos: o princípio do fim

São vários os carros para os quais os designers se atreveram a desenhar escapes falsos. A solução estética é adotada em modelos de grande produção e com os quais nos cruzamos diariamente na rua, como Peugeot 308, Renault Mégane, o novo Citroën C5 Aircross ou Volkswagen Golf.

Audi e Mercedes-Benz também entraram na moda e grande parte dos modelos apresentam saídas de escape falsas e estilizadas. Nalguns automóveis, as saídas desenhadas escondem (as que conseguem) a verdadeira saída do escape. O assunto torna-se ainda mais sério em carros desportivos, ofendendo os mais resistentes e convictos de que um sistema de escape tem que mostrar o que vale.

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Carros da AMG, como o novo AMG GT Coupé 4 portas, decorarem o ronco dos V8 com saídas falsas ou um Ferrari 488 ostentar saídas cromadas quando as verdadeiras estão escondidas lá dentro, é sacrilégio para os puristas. Existem casos em que o designer teve ainda mais liberdade e não se preocupou em trabalhar na área reservada à saída de escape… porque simplesmente não existe.

Nos dias que correm, quem tiver um carro com saídas de escape verdadeiras, que o preserve. O fim está à vista…

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